Blog do Vinicius
 

Piora o vexame petista no Senado

"Há uma omissão aqui que é a responsável por essa crise de 81 senhores senadores, nenhum a mais, nenhum a menos! Não vamos querer ser mais certos, mais errados, mais éticos ou menos éticos. Vamos admitir nossa culpa e encontrar uma saída para esse impasse". Isto é Heráclito Fortes (DEM), primeiro secretário da Mesa do Senado, falando hoje no Senado.

Culpa coletiva? É a mesma tese de Aloizio Mercadante e Delcídio Amaral, senadores do PT: não se pode culpar apenas Sarney pelo rolo. Mercadante disse na tribuna do Senado que quer a "punição dos responsáveis", mas também "manter a governabilidade" (isto é, continuar a bajular carcomidos como Sarney e seu lua preta, Renan Calheiros).

Mais Mercadante, o amigo dos aloprados: "Disse publicamente e quero repetir da tribuna: não me parece uma boa atitude a que estamos assistindo, por exemplo, a atitude da bancada do DEM [de pedir afastamento de Sarney]. Estiveram na Primeira Secretaria durante todo o período em que estive nesta Casa. Como simplesmente se retirar neste momento e dizer que a responsabilidade da crise é exclusivamente do presidente? Isso não ajuda".

Para adicionar injúria ao insulto e ao vexame terminal, Mercadante disse ainda que Sarney tem "importância histórica" para "a vida democrática do país".

Bom, talvez seja o caso de apoiar tanto Heráclito, do DEM, como Mercadante e os demais tarefeiros de Lula: se são todos culpados, vamos botar todo mundo para fora.

Caindo na real, porém, o negócio é o seguinte:

1) Sarney soltou uma bomba de gás lacrimogêneo no petismo-lulismo com a sua ameaça de renúncia, ontem. Ameaça que era apenas chantagem. A bancada do PT começou a choramingar de medo e ainda levou uma carraspana de Lula, que não quer perder o PMDB. E o petismo senatorial botou o rabo entre as pernas;

2) O PFL-DEM tentou pular do barco de Sarney, entrando na onda dos que pedem sua saída. Mas ontem também botou o rabo entre as pernas, com a falação de Heráclito, que foi para a direção da Mesa na companhia de Sarney. Os pefelistas-demos estão tão enrolados como Sarney e cia. nas lambanças do Senado (e na Câmara também). Caindo Sarney, com a ajuda deles, vão ficar expostos ao contra-ataque da "Renânia";

3) Está difícil de arrumar um substituto para Sarney. A maioria dos senadores não aguenta uma semana de exposição ao jornalismo, tamanha a capivara, a folha corrida. Uns outros são de oposição ou desafetos de Lula.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h38

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A Califórnia dourada foi à lona

Sob Arnold Schwarzenneger, maior economia dos EUA está quase quebrada e deve pagar contas com nota promissória. A coluna de hoje na Folha trata do curioso caso da Califórnia, que simplesmente está dando um calote disfarçado em seus credores e fornecedores. A íntegra do texto pode ser lida aqui, pelo assinante.

Desde hoje, o governo de Arnie Schwarzenneger paga parte de suas contas com notas promissórias ("IOUs", da sigla em inglês para a expressão "I Owe You", "estou lhe devendo", não nego, pago quando puder). Cerca de um quarto das contas do Estado deste mês serão pagas assim, com papéis que rendem 3,75% de juros ao ano. A promessa é que a promissória seja resgatada em outubro.

Maior economia dos Estados Unidos (embora não a mais rica, em termos per capita), a Califórnia sofreu muito com a crise imobiliária e das instituições financeiras. A arrecadação de impostos caiu 26% este ano. No Parlamento da California, democratas querem aumentar impostos (sobre cigarros e empresas de petróleo); os republicanos do governador Schwarzenneger querem cortar os programas sociais. Enquanto o impasse não se resolve, o governo californiano fica literalmente sem dinheiro para pagar suas contas.

Bancos já oferecem a possibilidade de comprar os IOUs do governo da Califórnia. Isto é, ficam com o papel, comprando-os com desconto: vai haver um mercado secundário de papéis do breve calote californiano.

Trechos

"A economia californiana é a maior dos Estados Unidos, com PIB de US$ 1,8 trilhão, maior portanto que o do Brasil, de US$ 1,5 trilhão. A dita "renda" por cabeça é no entanto de US$ 50 mil, contra US$ 8.300 do Brasil (PIB per capita corrente de 2008; ou, em reais, uns R$ 92 mil e R$ 15 mil, respectivamente).

O Estado arrecada menos, em termos proporcionais, que o Estado de São Paulo. Se considerada a arrecadação estadual em relação ao PIB local, a receita do governo californiano equivale a uns 60% da paulista. E eles reclamam da carga tributária. Como se tornou clichê dizer nos Estados Unidos, a Califórnia gostaria de ser um ‘Estado de bem- -estar social’ à moda europeia, mas com uma carga de impostos moldada pelo gosto republicano."

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Escrito por Vinicius Torres Freire às 20h57

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PT escorrega no babaçu

A fim de não queimar seu filme em mais escândalos e nem desagradar Lula, os senadores do PT decidiram ontem de noite investir num seguro-vexame: pedir "com jeitinho a Sarney" que o senador desse o fora, ao menos temporariamente, e sugerir uma "comissão de reforma" do Senado (balela). Hoje mais cedo, Sarney disse que não saía. Mas os senadores do PT não foram a público pedir a saída do velho oligarca. Disseram que, se o coronel do Maranhão quer ficar, a solução petista não é uma solução.

A saída "seguro-vexame" do PT não colou. Escorregaram no babaçu. Não têm como se livrarem de Sarney sem as ordens de Lula.

O PT é gato e sapato de Lula. Foi dissolvido no lulismo. Faz qualquer negócio a mando do líder.

*

Agora, a boataria é que Sarney estaria esperando Lula voltar da África a fim de anunciar sua renúncia à Presidência do Senado. É só boato. Por ora.

Se for verdade, é um passo. Agora falta pegar Renan e turma.

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h20

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O PT, de ACM a Sarney, via Renan

 
 

O PT, de ACM a Sarney, via Renan

Petismo-lulismo chega ao fim de seu primeiro governo travestido ideologicamente e no conchavo com oligarcas. O partido, que outro dia defendia Renan Calheiros, até ontem defendia José Sarney, hoje tentando apenas uma "saída honrosa" e um abafa rápido da crise do velho oligarca do Maranhão. A coluna de hoje na Folha tratou do nascimento do amor do PT pela oligarquia, com a ACM, e os mais recentes episódios de dissolução do conteúdo político do partido. Assinante pode ler a íntegra do texto aqui.

Trechos

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O PT encantou-se com Antonio Carlos Magalhães, o ACM, quando o falecido senador do PFL-DEM e oligarca da Bahia deu de espinafrar FHC, por volta de 2000. ACM chegou a dizer que FHC era ‘tolerante com a corrupção‘. Denunciava escândalos na Sudam e no DNER (comandados pelo PMDB). ACM defendia ainda o ‘fundo social da pobreza‘, aumentos do salário mínimo etc.

O PT se divertia com o sururu na baia governista e elogiava a irrupção de sensibilidade social de ACM.

Ideli Salvatti (PT), líder do governo Lula, estava ontem na tribuna do Senado a defender Sarney (PMDB), atacado pelo PSDB e agora até pelo DEM, partido experiente em abandonar navios que afundam (o DEM apoiara a eleição de Sarney). Foi numa fuga de ratos do barco da ditadura que nasceu o Partido da Frente Liberal, PFL, hoje DEM, parido de várias costelas do PDS, ex-Arena.

Parece tudo uma história tão natural, mas noutro dia mesmo, em 2002, Lula comandava a primeira vitória nacional de um partido dito de esquerda.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h09

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A meta de inflação tinha de cair. Não caiu

O governo manteve hoje a meta de inflação em 4,5% para 2011. O Banco Central queria 4%. Lula, como se sabe, teme que uma meta reduzida em 2011 leve o BC a apertar as cravelhas dos juros em ano de eleição, em 2010.

Há enorme discussão, mesmo entre economistas ditos "ortodoxos", sobre o nível adequado da meta. Uns dizem que a rigidez de vários preços na economia dificulta a redução da meta. Alguns dizem que manter a meta elevada, em 4,5%, no fim das contas apenas aumenta expectativas de inflação, o que acaba por impedir a queda dos juros.

Pode ser. Mas talvez fosse adequado pensar o problema sob outro aspecto. Reduzir a meta de inflação com taxas de juros de 15% ao ano é uma coisa. Com juros a 9%, a conversa muda de figura _de patamar. Difícil comprimir a taxa de juros (e, mais importante, a taxa de juros real), sem criar a perspectiva de que a inflação vai cair ainda mais. Obviamente, há muitos outros problemas no caminho da política monetária _a indexação ainda extensa na economia (como é o caso de aluguéis e de preços de serviços públicos, juros tabelados (como os da poupança) etc. Mas, dado o patamar atual da Selic, é mais difícil reduzir juros sem ter como meta uma inflação mais baixa.

Não era preciso nada radical. Apenas dar o sinal de que a meta de 2011 seria 4,25%. Que a de 2012 seria 4%. Por aí. Do modo como ficamos, vamos criar um piso para queda da Selic.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h17

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O grande pacotão de Lula e 2010

 
 

O grande pacotão de Lula e 2010

O governo ofereceu centenas de bilhões em créditos e subsídios e evitou crise pior; mas, agora, conta começa a ficar pesada. Esse foi o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

O governo completou ontem o seu pacotão, que vem se desenrolando desde o ano passado. Grosso modo, o plano anticrise de Lula teve os seguintes vetores:

1) Subsídios ao consumo de bens duráveis e materiais de construção, entre outros, via redução de impostos (IPI, IR, IOF etc);

2) Criação de novas linhas de crédito, que financiaram os empréstimos concedidos por bancos públicos, os quais sustentaram o crédito quando a banca privada se encolheu;

3) Transferência maciça de fundos do Tesouro e "paraestatais (FAT, FGTS) para o financiamento dessas linhas de crédito, fundos que são subsidiados e, assim, subsidiam as empresas que tomam o crédito, em especial as grandes, clientes do BNDES;

4) Criação de fundos garantidores de crédito a fim de destravar os empréstimos. Muitos desses fundos, "fiadores" de empréstimos, são bancados por recursos públicos. Além de destravar o crédito, tais fundos reduzem as taxas de juros dos tomadores, dada a garantia;

5) Liberação de compulsórios (dinheiro que bancos têm de deixar parado no Banco Central) a fim de destravar o crédito; 6) Uso do dinheiro das reservas internacionais do BC a fim de fornecer crédito para empresas exportadores, para reduzir o custo do crédito dessas empresas, e para auxiliar o refinanciamento de dívidas de empresas no exterior.

O plano funcionou, evitou uma recessão muito pior, mas começa a ficar exagerado. Além de gastar demais no que não deve, a arrecadação diminui devido à crise. A dívida pública cresce. Chegamos ao limite (se é que não passamos deles, com subsídios exagerados à grande empresa). Para piorar, o governo parece que não está inclinado a melhorar seu comportamento fiscal no ano que vem, ano de eleição. E, é provável, parte desse pacotão de medidas de Lula faça parte de seu grande acordão, do grande pacto luliano, de fundo político, com vistas a 2010 também.

Trechos:

"Desde o início da crise, o governo federal ofereceu cerca de R$ 96 bilhões em créditos extras a taxas de juros e outras condições especiais, sem contar os R$ 100 bilhões de crédito extra do Tesouro Nacional para o BNDES e o programa ‘Minha Casa, Minha Vida‘, que mal engatinha. Os subsídios fiscais diretos, as reduções de impostos, devem chegar a R$ 22 bilhões no final do ano. A redução do compulsório, o dinheiro que os bancos devem deixar parado no Banco Central, chegou a uns R$ 90 bilhões.

A medida mais impressionante de ontem foi o aumento do subsídio do Tesouro (de impostos) para todas as empresas que tomam dinheiro do BNDES, que recebeu R$ 100 bilhões extras do governo neste ano. Sobre esse dinheiro, o governo vai cobrar do banco estatal só a TJLP (a taxa ‘básica‘ do BNDES, 6% ao ano). O custo para o governo arrumar esse dinheiro é de, no mínimo, uns 9%, 10% ao ano."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h01

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Desonestos e charlatães, demagogos e embusteiros

Enojado com políticos? Está fora de moda. Ou sempre esteve na moda. Os americanos também estão na mesma. Mas, ao menos, mandam alguns deles para a cadeia. Leia abaixo texto traduzido do blog de Floyd Norris, principal colunista de finanças do "New York Times", citando outro jornalista, no caso H. L. Mencken, a respeito de políticos, num texto de 1934.

O post de Norris, "Mais as coisas mudam...", pede ironicamente aos americanos que não fiquem deprimidos com os escândalos políticos americanos de agora (faz tempo que são assim, mas parece que já foi pior: "Antigamente, as coisas eram piores, mas foram piorando", como dizia Paulo Mendes Campos). Não é um consolo, mas dá para se divertir com os adjetivos de Mencken:

*

"Tem sido um mau ano para governadores, que seguem de perto os banqueiros, que tiveram um ano ainda pior.

Mas antes que você fique muito deprimido com o estado de coisas da política americana, considere o texto abaixo, escrito em 1934 por H. L. Mencken e reimpresso no ‘Times’ durante a campanha presidencial de 1980, com o título ‘Por que ninguém ama um político?’

‘Ao lado dos sequestradores, os políticos parecem ser os homens mais impopulares desta grande República. Ninguém realmente confia neles. Para tudo o que fazem em geral é atribuído um motivo ignóbil. O país fica sempre feliz ao vê-los humilhados...

No que diz respeito aos governadores, eles são tão abjetos que há sempre dois ou três dos 48 sendo impichados, e há sempre um ou dois à beira de ir em cana. Nos últimos 15 anos, não menos do que 20 governadores foram acusados de crimes evidentes, e quatro ou cinco foram presos. Os demais, embora talvez honestos o bastante, são na maioria apenas demagogos e embusteiros. Seria difícil encontrar qualquer outra categoria de homens supostamente respeitáveis com uma incidência tão alta de desonestos e charlatães.’"

*

Por falar nisso, quando José Sarney será apeado do Senado, com sua parentela e sua clientela? Quando serão cassados os serviços de manutenção do coronelato do Maranhão? Idem para Renan Calheiros. E os tantos similares.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 23h00

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Madoff doaria cestas básicas no Brasil

Bernie Madoff pegou 150 anos de cadeia por causa da sua pirâmide. Está certo que era uma pirâmide egípcia, de US$ 60 bilhões. Mas, no Brasil, que criminoso financeiro pega ao menos 150 dias de prisão? Ou ao menos 150 dias de "serviços sociais" forçados? Alguém acredita que o mercado financeiro brasileiro é mais limpo do que o americano?

Quem quebrou ou avariou bancos no Brasil, nos últimos 20 anos, foi condenado a quê? Os bancos quebraram sozinhos, por força gravitacional? Banco Nacional, Banespa, Banerj, Bamerindus, Banestado, Santos etc etc? E aqui não tem informação privilegiada no mercado de capitais? Alguém aí sabe de alguém que se estrepou de verdade?

Escrito por Vinicius Torres Freire às 22h14

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O BC daqui e os de lá: cautela e ainda crise

O Banco Central anunciou agora de noite que vai prorrogar por 90 dias o incentivo que deu aos grandes bancos comprem carteiras (empréstimos) de bancos menores. No momento mais agudo da crise, em outubro, alguns bancos menores correram simplesmente o risco de quebra. Não conseguiam captar, enfrentavam saques. Foi uma espécie de corridinha bancária, cuja história ainda não foi bem contada (e é muito difícil de apurar. Quem vai contar que quase quebrou?).

Na época, de modo um tanto titubeante, o BC foi liberando compulsórios: permitia aos grandes bancos recolher menos dinheiro de compulsório (dinheiro que fica parado no BC) caso comprassem carteiras de crédito dos bancos menores. Os menores, assim, ficavam com dinheiro em caixa, não precisavam esperar o retorno de seu investimento de longo prazo (o crédito que concederam). Tal seca de crédito nos bancos menores foi um dos motivos das agruras das empresas menores e do mercado de carros usados (que, por sua vez, movimenta parte do mercado de novos).

O incentivo à compra de carteiras dos bancos pequenos vai, pois, até setembro. O BC estima, então, que a situação deve ter se normalizado até lá. Mas, por via das dúvidas, parece acreditar que a situação ainda não se normalizou.

Não está sozinho nisso. Na reunião dos banqueiros centrais na Suíça, esta semana, todo mundo estava muito cauteloso. Temem nova recaída na crise, depois que passar o efeito dos estímulos fiscais (dinheiro do governo). E ainda dizem que os bancos estão ou bichados (com muitos créditos podres) ou ainda em desalavancagem (isto é, reduzindo o volume de empréstimos em relação ao capital).

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h52

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O pacotão de hoje: bilhões de subsídios

Subsídio, muito juro subsidiado para empresas, foi o essencial do pacote anticrise divulgado hoje pelo governo Lula. Em algumas linhas de financiamento, a taxa de juros real do BNDES cai a zero (isto é, descontada a inflação, a taxa mais baixa, de 4,5%, é zero, dada a expectativa de inflação para este e para o próximo anos). De resto, o governo não vai cobrar mais do que 6% de juros sobre o dinheiro (R$ 100 bilhões) que vai emprestar ao BNDES (o governo capta dinheiro a pelo menos 9%, 10% ao ano). Logo, o custo do empréstimo do BNDES para empresas vai cair também. As maiores empresas são as maiores tomadoras de dinheiro do BNDES.

Mais comentários amanhã.

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h41

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Gasto público em ritmo de eleição

 
 

Gasto público em ritmo de eleição

Lula começa a dar primeiros sinais de que governo faz contas públicas pensando nos votos da eleição de 2010. Este foi o tema da coluna de domingo na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui, que também adiantava alguns dos itens de mais um capítulo do pacote anticrise, divulgado hoje.

Por exemplo, adiantava a coluna: "De resto, as medidas de apoio à indústria de máquinas e equipamentos devem prever um subsídio do Tesouro, que compensaria assim a redução dos juros do BNDES para a compra de bens de capital. Não está claro se haverá algum benefício fiscal para o setor. Pode ser que a TJLP (‘juros do BNDES’) caia."

Na semana passada, Lula rejeitou as propostas de cortes de gastos sugeridas por seus ministros, como o adiamento do reajuste dos servidores. Também ficou incerta a volta do superávit primário ao nível do ano passado. Até o Fundo Soberano pode entrar na roda a fim de cobrir insuficiências na receita de impostos e evitar, assim, cortes de despesas em ano eleitoral. O problema é o aumento da dívida pública, decorrente dessas atitudes.

Como dizia a coluna "...o endividamento extra dificulta outra vez a tarefa de melhorar o prazo/perfil da despesa pública (alongar a dívida e gastar menos com juros), de reduzir mais a taxa de juros ou, quase quimera, reduzir a carga de impostos (ou melhorar a sua distribuição, via reforma tributária). Seriam tarefas mais factíveis se a dívida baixasse à casa dos 30% do PIB."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h37

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Banca estrangeira segura crédito

 
 

Banca estrangeira segura crédito

A expansão do estoque do crédito doméstico está num ritmo equivalente a um terço do que era nos meses de 2008 anteriores à crise (setembro de 2008). O crédito novo para empresas caiu pelo segundo mês seguido. Os bancos nacionais privados voltaram a emprestar um pouco mais, superando de novo os bancos públicos. Mas a banca privada estrangeira segura os empréstimos (o estoque caiu em quatro dos cinco meses até maio, com exceção de março). Ontem, o BC divulgou o balanço das operações de crédito de maio.

A massa de rendimentos, o total dos rendimentos do trabalho, cresce agora a 3% _o ritmo era de 10% em agosto de 2008. A população ocupada estagnou nos últimos três meses. São os dados da pesquisa mensal de emprego para seis grandes regiões metropolitanas, que o IBGE divulgou ontem.

Não é uma catástrofe, mas mostra que a recessão ainda está roendo a economia brasileira. Em alguns setores, saímos do fundo do poço (como o poço muito fundo da produção industrial, em dezembro). Em outros, o elevador ainda está descendo, caso da massa salarial. No crédito, o elevador saiu do subsolo, em fevereiro, mas está meio emperrado pouco acima do térreo.

Este é o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler aqui.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 14h48

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Lula sobre o Senado: tantas coisinhas miúdas

Lula voltou a defender Sarney. Sarney diz que está sendo "perseguido" porque defende Lula. Disse ainda, hoje: "Não quero transformar as coisas no Senado numa crise institucional. Ali no Senado todos têm maioridade e sabem o que acontece. Que tomem decisões e resolvam."

O que Lula quer dizer com "não quero transformar as coisas no Senado numa crise institucional"? Há uma crise institucional, é óbvio, queira Lula ou não, no seu delírio imperial boquirroto.  Lula, desse modo, apenas piora a crise. Torna-se cúmplice de Sarney.  Tolera a bandalha oligárquica. Como FHC fazia com ACM.

Lula, de resto, pegou mais uma vassoura para ajudar senadores a empurrar o lixo para debaixo do tapete (ou melhor, sabendo como são as coisas no Senado, é provável que um "ato secreto" tenha sido baixado para contratar varredores, com salários superfaturados). Lula chamou a bandalha do Senado de "coisas menores".

"Acho que uma, duas ou três denúncias estão numa fase de apuração. Apura-se e toma-se uma medida. O que você não pode é um país com tantas coisas para a gente descobrir e pensar e a gente ficar um mês inteiro com coisas menores que o TCU pode investigar. Não conheço contas secretas."

Para piorar, diz que o TCU está aí para investigar "coisas menores". O TCU cuida das contas da União. Para Lula, coisas menores.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h48

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A crise argentina no Brasil

A crise da indústria exportadora brasileira é, em parte importante, argentina. A tese, obviamente muito mais bem fundamentada e exposta do que essa formulação jornalística, é do economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central no governo Lula, ora no Santander, em estudo divulgado hoje.

Schwartsman foi um dos primeiros economistas a apontar o efeito importante da queda das exportações industriais na baixa da atividade econômica brasileira no trimestre final de 2008 e no lento ritmo de recuperação em 2009.

A Argentina é o destino de cerca de 8% a 9% das exportações brasileiras, mas responde por cerca de 16% das exportações de manufaturados (fatia que já foi maior). Schwartsman observa que "as exportações brasileiras para a Argentina são muito diferentes da média" das nossas vendas para o exterior, "consistindo em grande parte de produtos sofisticados, com cadeias de produção longas e complexas". Apesar do tombo, a fatia das vendas brasileiras no mercado argentina se manteve constante desde a crise, segundo as contas do economista (isto é, se houve protecionismo argentino, tal atitude não chegou a distorcer o padrão anterior do comércio, em termos quantitativos).

Escrito por Vinicius Torres Freire às 20h59

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Polícia para o golpe no Senado

 
 

Polícia para o golpe no Senado

Um Poder da República era (aliás continua sendo) manipulado pelo conluio de altos burocratas com senadores. Estão cortando, a muito custo, algumas cabeças da burocracia, mas os senadores estão apenas tentando desviar o foco: tratar a coisa como mero problema administrativo e se livrar de punições. Para evitar tal coisa, é preciso que o Ministério Público e PF entrem a fundo nesse caso.

Esse é o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

Trechos:

"Mais importante, eram [os atos de bandalha no Senado] benefícios políticos num sentido maior e mais grave: um grupo de burocratas que servia de esquadrão de apoio à cúpula dos senadores, àqueles que mandam na casa faz 15 anos. Por meio de favores e, aparentemente, chantagens desse grupo de burocratas, a cúpula do Senado manipulava recursos financeiros e administrativos a fim de manter seu poder na Casa, sobre a bancada parlamentar e, assim, sobre parte da República. Além de privatizar bens públicos para benefício diretamente pessoal, o conluio de senadores de cúpula com a burocracia eternizada no comando administrativo do Senado servia à manipulação institucional."

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h28

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PERFIL

Vinicius Torres Vinicius Torres Freire é colunista da Folha, onde está desde 1991. Foi Secretário de Redação do jornal, editor de Dinheiro, editor de Opinião, correspondente em Paris, editor de Ciência e editor de Educação

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