Blog do Vinicius
 

Nobel: EUA sem gás

O Nobel de economia de 2006, Edmund Phelps, disse em entrevista à TV Bloomberg que a recuperação americana vai ficar "sem combustível" e que o novo padrão econômico americano será de baixo crescimento no longo prazo e de desemprego maior do o da década passada.

Mais Phelps:

A economia americana está "grogue, mas está ficando de pé".

“Já estamos vendo uma recuperaçãoo forte, mas acho que vamos ficar sem gasolina".

“Enquanto o PIB cresce, o emprego vai ficar para trás". 

“Nenhuma dessas escolas [keynesianos ou neoclássicos] percebe as mudanças estruturais às quais a economia é suscetível... Há sinais de que a economia perdeu seu dinamismo, sua urgência de inovas, sua capacidade de inovar"

Escrito por Vinicius Torres Freire às 13h04

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A atração fatal de Mantega, "Ghost" e a bolha

O ministro Guido Mantega, com sua expressividade peculiar, disse hoje em Londres que "queremos [eles, no governo] impedir o excesso de atração fatal em relação ao Brasil". Estava falando do câmbio, da "sobreapreciação" ou supervalorização do real, de bolhas etc. Mas acabou inventando um outro excesso mortal, ou melhor, sobrenatural. Como atração fatal é um apego que degenera em impulso assassino, um excesso de atração fatal deve ser um caso semelhante ao de "Ghost", um amor do outro mundo, como naquele filme brega, mas de sinal trocado. Ou o que seria seria uma morte excessiva?

Mantega disse também que os mercados no Brasil vivem uma fase de "uma exuberância, mas que não é uma exuberância irracional, é racional. Justamente por não querermos que essa exuberância se torne irracional é que tomamos algumas medidas" (por enquanto, que se saiba e salvo engano, uma só: o IOF sobre investimentos em carteira de origem externa).

O ministro, porém, escreve certo com sua caligrafia sofrível, digamos. Se a euforia financeira é uma bolha ou vai inflar bolhas, não se sabe, mas não se fala de outra coisa, de Hong Kong aos EUA, da Noruega ao Brasil. Timidamente, ainda, governos tomam medidas (ou ameaçam tomá-las) a fim de evitar inflação do preço de ativos financeiros, de imóveis etc etc.

O que fazer para evitar bolhas, quando mal se sabe o que elas são ou quando aparecem (e até se existem) é o problema. Muita gente (economistas) diz que é os BCs devem começar a levar em conta o preços dos ativos financeiros a fim de calibrar a política monetária (juros). Mas é insuportável imaginar que excessos financeiras possam regular a mesma taxa de juros que poderá deprimir o emprego e salários. Ainda se trata de debate, mas a hipótese está na mesa.

Voltando ao ambiente mais modesto do Brasil, já suficientemente complicado, o fato é que há um dilúvio de dólares e, na melhor das hipóteses (crescimento aqui e tranquilidade mundial), tal dilúvio vai continuar. A taxação de investimentos em carteira (IOF) foi uma barragem de sacos de areia contra a enxurrada, um esparadrapo de curto prazo. Medidas de fôlego, "reformas" ou mudanças que incrementem a produtividade, demoram para fazer efeito (e nem estão na pauta). Mesmo o aumento da poupança do governo (a volta e o aumento do superavit), mesmo se fosse um objetivo e se fosse tocado a partir de agora, não faria efeito até 2011, por aí. Logo, precisaríamos de mais esparadrapos (que não provocassem distorção excessiva ou encarecimento do crédito e do capital para empresas).

Mas qual?

Em colunas na Folha, tratei do tema recentemente, as quais podem ser lidas pelo assinante aqui: "Quem é bom de bolha?" (de 27 de outubro) e "A bolha e a balbúrdia no governo" (25 de outubro).

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h26

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Indústria ainda ociosa

A ociosidade média das fábricas não era tão alta desde 2005 e, na ponta, mês a mês, ainda aumentou em setembro, segundo dados divulgados hoje pela Confederação Nacional da Indústria). Trata-se da medida do Nível de Utilização da Capacidade Instalada, indicador muito útil, embora não deva ser tomado ao pé da letra, ou ao pé das casas decimais (vide gráfico abaixo do NUCI dessazonalizado). Está na casa de 79%-80%. Estava em 83% no pico de produção, antes da crise. E não há quase nenhum setor industrial "apertado". E há outros com ociosidade perigosa, caso da indústria da madeira, de material eletrônico e de comunicações (Zona Franca e interior de SP) e de metalurgia básica.

A indústria continua a se recuperar, a passo lento. Levando em conta as medidas do IBGE e as projeções de (de)crescimento da indústria para este ano, o nível da produção industrial só deve se equiparar ao registrado em 2008 apenas no começo de 2011. Segundo a CNI, o número de horas trabalhadas na indústria de janeiro a setembro de 2009 é 9,1% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. Ainda uma tragédia.

Mas a "folga" na indústria de transformação é grande. Em geral, trata-se de um indício de que levará um tempo até que venham pressões inflacionárias, embora a falta de mão de obra, ou de mão de obra qualificada, também possa pressionar a inflação. De resto, o investimento ainda reage devagar (isto é, a depender do ritmo da economia, sem novas unidades de produção a "folga" da indústria pode acabar de movo surpreendentemente rápido).

Isto posto, feitas as ressalvas, o resumo da ópera é que há folga mesmo na indústria, as "expectativas de mercado" são de inflação na meta (e as expectativas para o IPCA continuam caindo, embora lentamente).

A nascente histeria com a inflação, coisa que se via faz mês e meio, era isso mesmo: histeria.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h24

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Mais um vexame da banca privada

Em fevereiro e em maio, este colunista fez uma espécie de enquete informal com banqueiros e diretores de bancos a respeito da inadimplência. Nesses meses, estava quente a discussão sobre o aumento brutal dos juros e dos "spreads" bancários e sobre a retração do crédito nos bancos privados. Os bancos respondiam às críticas dizendo que apenas estavam se antecipavam ao aumento forte da inadimplência, alta que ainda estava por aparecer nas estatísticas do Banco Central (a taxa de inadimplência refere-se a empréstimos vencidos por mais de três meses. Logo, a estatística mostra inadimplementos que começaram a ocorrer faz um trimestre).

Pois então. O pessoal dos bancos, sempre em conversas reservadas, dizia que os juros e "spreads" subiam principalmente porque a inadimplência da pessoa física iria "certamente" a 10% ou mais, em meados do ano. Passaram os "meados do ano". Chegamos ao último trimestre. Temos agora os dados relativos a setembro, divulgados ontem pelo BC. A inadimplência da pessoa física jamais passou de 8,4%. Em setembro, caiu para 8,2%.

E o ritmo de crescimento do estoque de crédito dos bancos privados continua a diminuir, tendência que fez aniversário em setembro.

Um vexame, a conversa dos bancos privados.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h02

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O "FT" se rende a Mantega

Economistas padrão, dito ortodoxos, ou abertos propagandistas do mercadismo em geral gostam de citar jornais e revistas anglo-saxônicos quando se trata de apontar o "atraso" de seus adversários, os ditos "heterodoxos" e outros xingamentos. Engraçado agora é ver o "Financial Times" a elogiar o imposto que Lula e Guido Mantega baixaram sobre investimentos externos em ações e renda fixa. Os mercadistas ficam um tanto desmoralizados, não pela qualidade dos argumentos do "FT", mas porque foram mais realistas do que o rei que sempre bajulam, de modo provinciano.

O "FT" publicou na sua edição de hoje um editorial em que dá apoio ao novo IOF. Afora os clichês vergonhosos do texto do editorial (como falar de samba e garota de Ipanema, coisa de retardados e turistas sexuais com barrigas de cerveja), o que diz o texto?

Este colunista escreveu sobre o novo IOF na Folha de terça, 20, texto que o assinante pode ler aqui: "A xepa da banana, o dólar e o IOF".

Seguem trechos:

1) "...foi uma boa decisão do governo. Mas justificá-la como administração da taxa de câmbio é inverter a ordem das coisas. A apreciação do real é um sintoma de um difícil problema brasileiro; a causa subjacente é o fluxo de capitais, que tem aumentado faz anos, temporariamente interrompido pela crise financeira".

2) "Assim, há o risco de que o ‘hot money’ prejudique a economia... Esse amor pelo samba pode ser pode ser um exagero: estão aí os ingredientes para uma clássica bolha de mercados emergentes";

3) "O governo foi sábio ao se preocupar antes que fosse muito tarde. Nosso frágil e febril sistema monetário global deixa os mercados emergentes com poucas opções para conter bolhas, todas piores que essa taxa [o IOF]. Enxugar a liquidez domesticamente faz apenas o ‘carry trade’ parecer mais atrativo. Deixar a taxa de câmbio furar o teto é uma receita para o desastre. Depois de estrangular as exportações (metade das quais de manufaturas), cedo ou tarde [a taxa de câmbio] despencaria de volta à terra, quando o fluxo de capitais secasse";

4) "O Brasil tem formatado suas políticas de modo sensato. O imposto é modesto. Não incide sobre investimentos diretos... Mais importante, trata investidores de modo honesto, taxando os na entrada, não quando eles levam seu dinheiro de volta, com a Malásia fez faz uma década. Agora, os governo deve tranquilizar os investidores, se assegurando que eles entendam seu pensamento";

5) "Um Brasil de sucesso terá de viver com um real forte. O imposto não altera este fato, mas ajuda a tornar a tarefa administrável."

Enfim, o "FT", como qualquer pessoa sensata, vê que o Brasil corria o risco de bolha. Mas o "FT" parece entender muito pouco das peculiaridades do mercado de câmbio e juros no Brasil. Portanto, não tem como enxergar soluções mais sofisticadas para o problema da especulação no câmbio e com investimentos de portfólio. Melhor que tenha entendido que o câmbio seja um problema, não adotando a reação estereotipada e idiota dos mercadistas. Mas o argumento do "FT" é bem pobrinho, assim como a qualidade do texto do editorial.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h57

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Credit Suisse paga R$ 19 mi para se livrar de processo

O Credit Suisse vai pagar R$ 19,2 milhões para se livrar de um processo em que era acusado por uso de informação privilegiada em negócios com ações da Embraer. Os funcionários da Embraer que eram acusados no mesmo processo foram absolvidos.

Os negócios ocorreram entre 2005 e 2006. A Embraer estava para pulverizar seu capital a fim de entrar no Novo Mercado, da Bovespa. O banco trabalhava para um dos envolvidos na operação, o fundo de pensão Sistel, que tinha um naco do bloco de controle da fabricante de aviões.

Abaixo, a nota da CVM a respeito:

 

"CVM divulga resultado de Processo Administrativo Sancionador julgado em 20/10/2009

 

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) julgou, em 20/10/09, o Processo Administrativo Sancionador (PAS) nº 22/2006, no qual foram apuradas as responsabilidades de Alexandre Magalhães Filho e Ricardo Araújo de Siqueira pelo suposto uso de informação privilegiada relacionada aos fatos relevantes divulgados pela EMBRAER Empresa Brasileira de Aeronáutica S.A., em 13.01.2006, 16.01.2006 e 19.01.2006, sobre a nova formatação para a estrutura de capital da companhia (infração ao disposto no parágrafo 4º do art. 155 da Lei nº 6.404/76 e no paráfrafo 1º do art. 13 da Instrução CVM nº 358/02).

O Colegiado da CVM decidiu, por unanimidade, absolver os acusados.

A CVM recorrerá de ofício ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional com relação às absolvições.

Em reunião do Colegiado realizada no mesmo dia, foi aprovada, por maioria, proposta de celebração de Termo de Compromisso apresentada por Credit Suisse International - acusado no mesmo Processo Administrativo Sancionador e pela mesma infração - na qual se comprometeu a pagar à CVM o valor de R$ 19.200.000,00 (dezenove milhões e duzentos mil reais). Com a aceitação pelo Colegiado dessa proposta, o processo ficará suspenso em relação ao compromitente e, após o cumprimento das obrigações assumidas, será extinto em relação a ele."

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h42

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O massacre da BM&F Bovespa

A ação da BM&F Bovespa (BVMF3) está sendo massacrada no pregão de hoje. Entre os negócios "grandes" ninguém perde mais, em baixa de mais de 9%. Em termos de preço x volume, só perde para os papéis da Telebrás (TELB4), que têm sido objeto de vasta e esquisita especulação, faz quase dois anos (em episódios separados por meses de diferença).

O motivo do massacre do BVMF3 é, claro, o aumento do custo de se investir na Bolsa daqui, provocado pela taxação de 2% sobre os investimentos em renda fixa e variável. Na interpretação do mercado, a BM&F Bovespa tende a perder negócios para o mercado de Nova York. "Interpretação" no caso quer dizer "votar com os pés" (ou com os dedos no teclado: vendendo ações). Se isso vai ocorrer ou não são outros 500. Mas é o fato do dia na Bolsa.

O volume e o número de negócios com os papéis da BM&F Bovespa bate de longe os negócios com Vale, Petrobras, Itaú e Bradesco.

Outro destaque negativo é a OGX (OGXP3), de Eike Batista, que toma outro tombo pesado hoje (7,3%), e que já perdeu 14,5% desde 8 de outubro, seu pico mais recente (as entrevistas chamativas que Batista deu à Folha e ao "Estado" foram publicadas no domingo dia 11 de outubro. A respeito do caso Vale, escrevi na Folha a coluna "Quanto vale o ataque à Vale").

Coluna sobre a mudança do IOF

Na coluna da Folha, escrevi sobre a mudança do imposto; na verdade, escrevi mais sobre os motivos mais específicos da queda do dólar no Brasil e sobre a atuação do BC: "A xepa da banana, o dólar e o IOF".

O novo IOF

Os economistas do Itaú soltaram um comentário breve e desassombrado sobre a taxação do capital externo dirigido à Bolsa e a fundos de renda fixa. Dizem, em resumo (em nota assinada por Aurélio Bicalho and Ilan Goldfajn

i) O novo imposto deve ter impacto no curto prazo e eles não mudam a projeção deles para o câmbio (dólar a R$ 1,70 no final deste ano);

ii) O câmbio reflete, no longo prazo, tendência macro profundas: "um simultâneo aumento de gasto público, do consumo privado e do investimento pode acontecer apenas com poupança externa (isto é, se há deficit externo). A taxa de câmbio é apenas manifestação disso";

iii) Um dos efeitos do novo IOF pode ser a redução da liquidez de mercado financeiro local, fazendo com que algumas empresas e transações busquem o mercado externo, prejudicando em especial firmas menores e com menor acesso ao mercado externo, além de aumentar o custo de financiamento do Tesouro;

iv) "Mas não se deve ficar muito preocupado. Medidas contraditórias acontecem, e mais frequentemente em governos interessados em resolver problemas (e todos os problemas não podem ser resolvidos simultaneamente). Podem surgir medidas similares no futuro; algumas delas vão causar distorções micro e terão efeito sobre o potencial de crescimento. Mais provavelmente, elas não vão ameaçar os investimentos no país, em geral".

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h43

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Itaú animadíssimo com Brasil 2010

Agora foi a vez dos economistas do Itaú revisarem sua projeção de crescimento para o Brasil no ano que vem. Previam alta do PIB de 4,8%. Agora, de animadíssimos 5,5%, mesmo mantendo inalterado seu cenário para a economia mundial. Os "principais motores" do crescimento seriam a contínua criação de empregos e uma forte expansão do crédito, em particular nos empréstimos imobiliários.

Para este ano de 2009, a previsão anterior era de contração de 0,6%. Agora, é de estagnação na mosca, 0%.

A projeção de inflação, claro, também sobe. Este ano, o IPCA ficaria em 4,1%. Em 2010, em 4,3%, ainda abaixo da meta (a previsão anterior, de setembro, era de 3,9%), mas com "baixo risco de surpresa de alta" inflacionária.

O Banco Central, agindo preventivamente a fim de evitar a necessidade de altas maiores de juros mais à frente, elevaria a Selic a partir do segundo trimestre de 2010. A taxa iria do 8,75% de agora para 10,25%, ficando por aí. A taxa de juros real ficaria em torno de 5,5%, que os economistas do Itaú estimam ser a "taxa de juros neutra" do Brasil, por enquanto.

A balança comercial teria déficit em 2010: US$ 2,2 bilhões (ante superávit estimado de US$ 24,5 bilhões em 2009). O déficit em conta corrente de 2009 ficaria em 1,2% do PIB, subindo bastante, para 3,1% do PIB, em 2010. O pessoal do Itaú, no entanto, acha que o déficit será confortavelmente financiado.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 19h01

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Recuperação americana: lucros caem 25%

A Bolsa americana está inflada de dinheiro a juro zero e por "lucros maiores dos que os esperados" pelos "analistas". É coisa já bem sabida. Os lucros mais altos, esses, resultam de cortes de custos de difícil recorrência e de melhorias em relação a bases (resultados anteriores) de péssimos a tétricos. Isso é mais ou menos sabido, também. Mas vale ler reportagem do "Wall Street Journal" sintetizando as últimas notícias da loucura otimista das Bolsas com o resultado das empresas.

Trechos:

"A fabricante de ferramentas Black & Decker disse que os lucros deste trimestre serão aproximadamente o dobro do previsto, enquanto o conglomerado holandês de bens de consumo Phillips Eletronics anunciou também lucro inesperado... 78% das 32 companhias americanas que até agora anunciaram seus resultados superaram as expectativas dos analistas. Mesmo assim, os lucros do terceiro trimestre das empresas do S&P 500 devem cair cerca de 25% em relação ao registrado faz um ano, segundo dados da Thomson Reuters". "Num sinal preocupante para a economia, muito do lucro está sendo espremido por meio de corte de custos. Executivos dizem que eles hesitam em reinvestir tais lucros em seus negócios", dado o baixo nível de utilização da capacidade de suas fábricas, frotas e depósitos.

"O investimento privado líquido, que inclui despesas que vão de máquinas a novas casas (descontada a depreciação) caiu para 0,1% do PIB no segundo trimestre de 2009, o menor nível desde 1947."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h23

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A demência do analitismo econômico

Faz uma semana, os investidores de grossos cabedais balançaram os mercados de ações e títulos com histórias de recuperação acelerada da economia mundial e riscos crescentes de inflação. Foi no dia 6 de outubro, quando o Banco Central da Austrália elevou a taxa de juros, contra o prognóstico de 95% dos "analistas" (economistas de banco e consultorias). Era o primeiro país do G20 a procurar a "porta de saída" das medidas de estímulo à economia (este colunista escreveu, a respeito, o texto "A grande inflação de camelos", na Folha de 7 de outubro).

Nas duas últimas semanas, o preço dos "Treasuries" subia. Entre outros motivos blablablá, se atribuía a especulação a uma frase de Ben Bernanke, presidente do Fed, sobre a necessidade de um dia aumentar os juros, quando a economia "melhorasse o bastante", um vovô-viu-a-uva completamente óbvio.

 

Hoje, os títulos do Tesouro americano estão em alta (ou seja, os rendimentos estão em baixa, "os juros" caem), dada a expectativa de que o Fed, o BC dos EUA, elevaria os juros apenas no final do ano que vem. De onde veio a nova "expectativa"? Meio tanto faz, mas a mudança tem sido atribuída a uma declaração do vice-presidente do Fed, Donald Kohn, regional a respeito da dificuldade de levantar juros enquanto a taxa de desemprego americana ainda está em alta.

Kohn disse que a inflação e o crescimento econômico continuarão baixos por "algum tempo", fazendo com que as taxas de juros permaneçam baixas por um "período prolongado".

O novo presidente do Fed de Nova York, William Dudley, também dissera, mas já na semana passada, que a o risco de deflação ainda era um problema.

Enfim, o analitismo econômico, no mais das vezes, não passa de conversa de pasto, de meio de boiada. 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h01

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O "fim do dólar" no petróleo

Arábia Saudita, Qatar e Kuwait pretendem dar cabo do dólar nas transações com petróleo, com apoio de China, Rússia, Japão e França. O Brasil também daria apoio à iniciativa. É o que diz Robert Fisk, no "Independent". Fisk é conhecido e reputado pela sua cobertura da política do Oriente Médio. Também é conhecido pelo seu pendor antiamericano. Mas tem muita fonte na região _no caso em questão, diz ter se informado com banqueiros do Golfo e de Hong Kong.

Fisk diz na reportagem que têm havido "reuniões secretas" desse grupo com ministros da economia e banqueiros centrais de Rússia, China e Brasil inclusive, a fim de elaborar o projeto de substituição do dólar [este colunista não conseguiu conversar com ninguém de primeiro escalão do governo a respeito. Está quase todo mundo para Istambul, na reunião do FMI. No mais, diz-se apenas que há conversas genéricas para o aumento do uso de moedas nacionais no comércio bilateral, mas "nada de importante para agora"].

"O Brasil mostrou interesse em colaborar com os pagamentos de petróleo sem o uso do dólar, assim como a Índia. De fato, a China parece ser a mais animada das potências financeiras envolvidas", escreve Fisk.

Mas Fisk diz que a "moeda de transição" no comércio do petróleo poderia ser o ouro, o que não faz quase nenhum sentido.

ATUALIZAÇÃO, 18H30

O presidente do Banco Central da Arábia Saudita, Muhammad al Jasser desmentiu as conversas reportadas por Fisk. A reportagem do "Independent" é "absolutamente incorreta" e "absolutamente nada" foi discutido a essa respeito, disse al Jasser em Istambul, onde ocorrem os encontros do FMI e do Bird. Mais informações no texto da Bloomberg.

 

 

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h44

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Juros de 2010 a 10

Os economistas do Santander revisaram a projeção de crescimento para o ano que vem, de 4,3% para 4,8%. Os bancos e consultorias revisaram quase todos a projeção de crescimento para algo em torno de 5%.

Mas a projeção do Santander para a Selic explodiu. Em nota divulgada hoje, o Santander acredita em Selic a 10,75% no final de 2010 (eles acreditavam antes em Selic estável em 8,75% em todo o ano que vem). A primeira alta viria em julho (0,5 ponto), com mais três altas seguidas.

Na mediana do mercado, a expectativa ainda está em 9,75% para o final de 2010. Mas subiu meio ponto em duas semanas.

O DI futuro para janeiro de 2011 fechou ontem em 10,22%. 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 14h10

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Levantamento de juros olímpicos

Do colega Sergio Leo, do jornal "Valor", em seu twitter (@sergioleo):

"O que Meirelles fazia em Copenhague? Parece que tentou incluir, entre os esportes olímpicos, o levantamento de juros. Não teria pra ninguém."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 19h58

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Olimpíada carioca arremessa ações para cima

É difícil de acreditar, mas são os mercadores de ações que o dizem: a Bolsa brasileira foi chutada para cima por causa da vitória do Rio. Nova York teve uma manhã bem ruim, devido aos números fracos de emprego. São Paulo ia na mesma batida até o horário em que começou a indiferença olímpica do Ibovespa em relação ao Dow Jones.

A Bovespa acompanhou mais ou menos o Dow Jones até por volta das 14h, quando o índice da Bolsa de Nova York começou a tropeçar de novo, a caminho do fechamento em baixa. A Bovespa, porém, descolou de NY e continuou mais ou menos na máxima do dia, até fechar. Foi por volta das 13h45 que saiu o anúncio de que o Rio sediaria a Olimpíada de 2016.

As ações que mais subiram foram as ligadas ao turismo, mas tais papéis não tem a capacidade de segurar o Ibovespa. As siderúrgicas subiram bem, hoje, assim como a Vale. A Bovespa foi a campeã do dia entre todas as Bolsas do mundo. Ao menos, das relevantes.

O resultado bom da produção industrial deve ter ajudado, claro, mas se sabia do número do IBGE desde antes da abertura do mercado.

De resto, não faz sentido comprar um papel por causa de um evento de efeito incerto sobre cada empresa e que terá relevância prática daqui apenas alguns anos. Ou alguém acreditou que poderia dar uma especulada com a previsão da euforia dos vizinhos no mercado?

"O Brasil está chegando".

Ou foi uma euforia ainda mais disseminada? Um estrategista para América Latina do Citigroup, Geoffrey Dennis, em entrevista à Bloomberg, disse o seguinte:

"O Brasil está chegando. Chegou ao palco global. Isso [a Olimpíada] é uma espécie de prêmio para as excelentes políticas do Brasil".

Escrito por Vinicius Torres Freire às 19h12

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Argentina vai renegociar resto da "moratória"?

Deu na "Bloomberg" que a Argentina trata da burocracia nos EUA para começar a pagar cerca de US$ 20 bilhões de dívida que deixou de pagar a partir de dezembro de 2001. Os argentinos emitiram dívida nova nos EUA, em troca da antiga. A Argentina não consegue emitir dívida no exterior devido a rolos pendentes ainda da "reestruturação" da dívida, de 2005, que não foi aceita por alguns credores (24% deles, alguns dos quais foram à Justiça).

Faz uns dez dias, têm aparecido boatos em jornais americanos e ingleses sobre um provável acordo com governos credores e com detentores de títulos argentinos que não aceitaram o calote oficializado em 2005. Há alguma especulaçãozinha com papéis argentinos na praça.

Nos jornais argentinos online, não há notícia hoje. No governo argentino, ouve-se apenas declarações protocolares do tipo "a Argentina continua a tomar providências no sentido de incrementar as condições financeiras do país".

Em 2005, a Argentina "reestruturou" sua dívida em "moratória". As para "reestruturou", pois a Argentina simplesmente deixou de pagar cerca de 70% de US$ 82 bilhões postos na mesa de negociação. Aspas para "moratória" porque a Argentina não entrou em moratória. No final de 2001, a Argentina simplesmente quebrou. Não tinha como pagar coisa alguma depois da grande obra de Carlos Menem e outras incompetências, da "conversibilidade" do peso, do "currency board" e outras catástrofes que tantos economistas brasileiros e do mundo consideravam o caminho da prosperidade.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h19

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PERFIL

Vinicius Torres Vinicius Torres Freire é colunista da Folha, onde está desde 1991. Foi Secretário de Redação do jornal, editor de Dinheiro, editor de Opinião, correspondente em Paris, editor de Ciência e editor de Educação

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