Blog do Vinicius
 

Liberais, Obama, bancos e penitentes

Os seis posts mais recentes (quinta, 30 de outubro):

  1. Revistão liberal apóia o "socialista" Obama;
  2. Jornalão liberal dá uma dura nos bancos;
  3. O empréstimo camarada dos EUA para o Brasil;
  4. Lula quer conservar os gastos e critica conservadores;
  5. A penitência da Sadia;
  6. A volta de um morto-vivo da política industrial.











Escrito por Vinicius Torres Freire às 23h50

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Revistão liberal apóia o "socialista" Obama

"É um risco, mas é hora de Obama", diz a "Economist".

Capa da Economist

A liberalérrima revista britânica "The Economist" declarou seu "voto" para Barack Obama, a quem John McCain chama de "socialista", nos seus acessos de gagaísmo e safadeza. Está na capa da edição desta semana, que circulou hoje, quinta, 30 de outubro.

Em 2004, a revista "votou" em John Kerry contra George "Baby" Bush 2. Em 2000, havia escolhido Baby Bush em vez de Al Gore. Em 1996, foi de Bob Dole contra a reeleição de Bill Clinton. Mas havia apoiado Clinton em 1992, contra a reeleição de Bush Pai. Em 1988 (Bush pai contra o democrata Michael Dukakis) e em 1984 (Reagan contra o democrata Walter Mondale), "votou" em branco. Em 1980, a revista foi de Ronald Reagan.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 23h46

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Jornalão liberal dá uma dura nos bancos

Greta Garbo, quem diria, foi parar no Irajá (Sapopemba, digamos, para os paulistas). O liberalérrimo diário britânico "Financial Times" publica na edição de sexta-feira, 31, um editorial no qual defende que o governo pressione os bancos a emprestar mais. Não, não se trata, claro, de defesa da medida que o BC do Brasil adotou hoje, na mesma direção. O "FT" acha que o governo britânico deve dar um chega para lá nos bancos britânicos _se a senhora não acredita, leia o texto aqui.

Sim, o jornal observa que não dá para inventar muita moda e pedir a bancos em dificuldades que emprestem a empresas duvidosas ou em crise. Mas o editorial, a opinião do jornal, começa com um "alerta geral": "Lembrete aos bancos de toda parte: os contribuintes não os socorreram porque eles amam vocês. Eles o fizeram porque eles precisam de vocês. Os socorros tinham o objetivo de assegurar o fluxo de crédito para empresas com bom crédito". O título do texto é "Convencer os bancos a emprestar de novo _O crédito tem de encolher. O problema é o exagero".

O editorial termina com uma suave ameaça aos bancos. O "FT" diz que, "por ora", o governo deveria continuar na linha do "convencimento, deixando planos mais drásticos na prateleira". Mas, se a "persuasão falhar", a "raiva do público" ("public outrage") vai fazer com que esses planos saiam do armário.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 23h15

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O empréstimo camarada dos EUA para o Brasil

O Banco Central do Brasil e o dos EUA, o Fed, dizem que o "swap" (troca) de US$ 30 bilhões por reais será batata por batata. O Brasil recebe os dólares por uma certa taxa de câmbio e os devolve em 30 de abril de 2009, pela mesma cotação: sem juro e sem correção cambial. É um ótimo negócio. O Banco Central pode emprestar esses dólares do Fed aqui no mercado brasileiro (isto é, vender, com compromisso de recompra), sem recorrer às reservas e a custo de financiamento zero (na prática, menor que zero). A depender da cotação do dólar nos dias da venda e da recompra, o BC pode até fazer algum dinheiro.

Com esse crédito camarada do Fed, vai ser estranho se o BC usar dinheiro das reservas.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 22h50

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Lula quer conservar os gastos e critica conservadores

Lula estava em dia de "hoje eu num tô bão", hoje em El Salvador. "Não aceito a tese dos conservadores, que acham que é preciso diminuir o gasto do Estado. Não vamos diminuir [gastos], porque todos os que na década de 80 e 90 diziam que o Estado não podia ser forte, que atrapalhava, que gastava demais, na hora em que o sistema entra em crise, quem vai salvar é o Estado que eles diziam que não prestava para nada".

O governo deve arrecadar menos impostos no ano que vem. Isto é, menos do que previa. Se não vai parar de gastar, vai reduzir o superávit (a "poupança") do governo? O tiro vai sair pela culatra.

No Senado, o ministro Guido Mantega pedia também hoje que os senadores não aumentassem os gastos. E que a arrecadação pode cair. Hum.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 22h22

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A penitência da Sadia

Se o dólar estiver a R$ 2 quando vencerem os contratos de câmbio da Sadia, a empresa ainda pode perder mais uns R$ 600 milhões. Faz duas semanas, em conversa com o blog, o ex-ministro Luiz Fernando Furlan, presidente do conselho de administração, disse que a empresa, depois de "ter errado, fez seu mea culpa, demonstrou seu arrependimento e estava em fase de penitência". De fato. R$ 600 milhões. Ave Maria.

Mas Furlan, como se sabe, não teve nada a ver com o rolo. Estava fora da empresa quando se descobriu o desastre. E diz que a empresa tem caixa.

"A maioria dos problemas [com derivativos de câmbio das empresas] ocorreu em contratos de balcão e, devido à falta de transparência, ninguém conhece o tamanho do problema", disse ontem à TV Bloomberg Carlos Kawall, diretor financeiro da BM&FBovespa e ex-secretário do Tesouro. Pois é.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 22h10

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A volta de um morto-vivo da política industrial

Em junho de 2007, o governo anunciou um programa para empresas exportadoras e que empregam muita gente ("intensivas em mão-de-obra"), o Revitaliza, na época chamado de "pacote das vítimas do câmbio". Morreu no papel. Em maio deste ano, o Revitaliza foi ressuscitado no anúncio da política industrial e deveria receber até R$ 9 bilhões. Em agosto, saiu um crédito de R$ 3 bilhões, mas não se sabe bem se o dinheiro andou. Hoje, quinta, o Revitaliza foi ressuscitado de novo, na pacoteira de medidas de auxílio a empresas. Vai ter mais R$ 1 bilhão, dizem.

O programa prevê redução de impostos e juros subsidiados para exportadores, com crédito via BNDES e FAT. Deveria auxiliar empresas de couro e calçados, têxteis, roupas e móveis. Agora vai rolar?

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h58

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Barbarismos, Serra, o real fraco de FHC a Lula, recessão..

Os dez posts mais recentes (quarta, 29 de outubro):

  1. Juros americanos: baixinhos, mas carinhos;
  2. Vai rolar um subsídio na construção civil;
  3. As estradas e o caixa de Serra;
  4. O Brasil troca figurinhas com os EUA;
  5. Os barbarismos selvagens do anglo-economês;
  6. Recessão: Fed corta juros, Wall Street faz bico;
  7. Os juros japoneses dos Estados Unidos;
  8. O comunicado do BC americano;
  9. Dólar para exportar: ruim, mas melhorzinho;
  10. O colapso do real forte, versões Lula e FHC











Escrito por Vinicius Torres Freire às 22h59

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Juros americanos: baixinhos, mas carinhos

De agosto do ano passado para cá, a taxa "básica" de juros nos EUA (a meta do Fed) caiu de 5,25% para o 1% de ontem. Mas, há um ano, se pagava 6% ao ano para financiar uma casa em 30 anos _agora se paga 6,41%. A TAXA AUMENTOU. Para comprar um carro em quatro anos, a taxa caiu um pouco. Mas era de 6,9% há doze meses e agora ainda está em 6,6%. Sim, leitores, dá vontade de ir aos Estados Unidos e comprar casas, que estão baratas, e carros, muito melhores que os nossos, ainda mais com essas taxas de juros. Mas o fato de as taxas de juros não baixarem para o consumidor americano mostra o tamanho da encrenca e dá um sentido mais concreto para a esotérica expressão "crise de liquidez".

Escrito por Vinicius Torres Freire às 22h37

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Vai rolar um subsídio na construção civil

Como era previsto, o Tesouro, o governo, nós, vamos entrar com algum dinheiro para bancar o risco dos empréstimos da Caixa para empresas da construção civil. O dinheiro dos dividendos que a Caixa paga ao governo será usado para garantir cerca de um terço desses empréstimos para capital de giro (necessidades mais cotidianas das empresas). Parte do dinheiro da poupança, que deve ser direcionado para financiamento imobiliário, poderá ser usado na nova linha de crédito. O governo explicou a medida agora de noite.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 22h21

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As estradas e o caixa de Serra

José Serra conseguiu engordar a caixinha do governo paulista e de sua plataforma eleitoral em R$ 3,4 bilhões. Deu certo a privatização das estradas paulistas _teve até deságio forte no preço do pedágio (num caso, de 55%). Nove empresas participaram. Está difícil de levantar dinheiro, mas a concessão de estradas é um baita negócio. E as empresas terão crédito do BNDES, da Nossa Caixa (é provável) e do BID, entre outros.

Como ficou o preço do pedágio? Entre R$ 6 e R$ 9, mais ou menos, por 100 km. Nas demais estradas paulistas, a média estava mais ou menos em R$ 13. Nas estradas privatizadas de Lula, em 2007, o preço tinha ficado entre R$ 2 e R$ 3,50. Mas não dá para comparar os preços assim.

O sistema paulista cobra pela concessão _o pedágio é mais caro, mas se arrecada dinheiro para mais investimentos em estradas e anexos. De resto, a comparação de preços de pedágio de diferentes estradas depende da localização da rodovia, de tráfego, número de pistas, extensão, serviços, o investimento requerido, duração e rentabilidade do negócio. Mas a rentabilidade em São Paulo é gorda.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 22h14

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O Brasil troca figurinhas com os EUA

O Brasil entrou no circuito de empréstimos amigáveis do Fed, o Banco Central americano. Entrou meio na segunda rodada, meio na segunda divisão. Mas entrou. A princípio, o Fed auxiliou o BC Europeu, o Banco da Inglaterra, o do Japão e o da Suíça. Depois, o de alguns outros países do círculo mais "íntimo" da OCDE. Agora, entram no jogo Brasil, México, Cingapura e Coréia. Pode parecer esquisito, mas a medida tem pelo menos um aspecto positivo: o Brasil ter credibilidade para fazer jus ao, digamos, crédito. Mas, pé atrás assim mesmo, vamos ver como esse negócio acontece, pois isso é inédito, o BC do Brasil trocar figurinhas com o Fed.

O Brasil vai poder trocar US$ 30 bilhões por reais, o que é um colchão e tanto, e sem " condicionalidades de política econômica", como fez questão de ressaltar a nota em que o BC anunciou o acordo ("condicionalidade" é a lista sempiterna de medidas que o FMI cobra antes de emprestar dinheiro). Sobre o horror das "condicionalidades", vejam o post logo abaixo.

Mas, de qualquer maneira, isso muda tudo o que tem se escrito sobre as perspectivas de curto prazo para o dólar e o real (inclusive o que este colunista e blogueiro escreveu). Mudou o panorama, aumentou o cacife do BC, melhoram as perspectivas do crédito para o exportador (e até para o crédito em geral). Não, não se trata de uma revolução, a crise ainda é feia etc. Mas é uma boa injeção de adrenalina ou, para asmáticos, uma bela bombada da bombinha.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h57

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Os barbarismos selvagens do anglo-economês

"Condição" é uma palavra morta no português de economistas e assemelhados. Virou "condicionalidade" (vide "post" acima). Há barbarismos piores, como o clichê disseminado pelos economistas do tucanato _"a política econômica é consistente". Tem a consistência de quê? Geléia? Hoje em dia, gente cujo cérebro tem a consistência de miolo mole gosta de dizer "tal coisa é muito consistente" quando pretende fazer um elogio.

"Consistent" quer dizer "compatível" ou "coerente". Outro barbarismo ainda mais bárbaro é a tradução de "in addition", que virou "em adição", expressão que na língua da gente quer dizer "além do mais", ou algo assim. Mas um barbarismo "hors concours" ("fora do concurso"?) é o horrendo "vou endereçar essa questão". Isto é, "vou tratar dessa questão" _"to address" um assunto. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, adora "endereçar uma questão", por exemplo, mas o barbarismo está em qualquer "paper" ("papér", em tradução livre para o caipirês). Quem quer "endereçar" alguma coisa que vá... procurar o CEP. Não, não é esnobismo, não, gente. Tudo bem que essas pessoas não leiam nada além de "papérs", mas o que têm contra os dicionários?

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h56

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Recessão: Fed corta juros, Wall Street faz bico

As Bolsas americanas estavam no azul até o Fed cortar os juros em meio ponto, para o nível "japonês" de 1%. Saiu a notícia do Fed e Wall Street entrou no vermelho. "Medo de recessão"? Conversinha, né. Um monte de gente grande prevê faz semanas que, amanhã, o resultado do PIB americano será uma desgraça (se vão acertar, não se sabe, mas o "medo de recessão" está na praça faz semanas, para não dizer meses). Estima-se que a economia dos EUA tenha encolhido entre 0,3% e 0,8% no terceiro trimestre. Recessão.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h57

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Os juros japoneses dos Estados Unidos

O Fed cortou os juros em meio ponto pela segunda vez no mês. A taxa "básica" do BC americano desceu a 1%, mesmo nível a que mergulhou quando o Fed de Alan Greenspan chutava os últimos baldes a fim de conter os estragos do estouro da bolha pontocom (corte de juro que viria a alimentar a bolha imobiliária). E aqueles eram muito menores que os estragos que Wall Street inventou. Greenspan levou mais de dois anos para baixar a taxa de 6,5% para 1% (de 2001 a 2003). Bernanke começou a talhar a taxa dos "fed funds" em agosto de 2007, quanto estava em 5,25%.

O BC dos EUA está descendo ao nível do BC japonês dos anos 90, Japão que enfrentava também o estouro de uma bolha imobiliária, bolha um tanto diferente e que não era "globalizada". Se o Fed tiver de chegar ao zero do Japão, coisas exóticas vão acontecer na política monetária. O Fed terá de usar instrumentos mais "sujos" para tentar influenciar os juros.

A China também cortou sua taxa básica pela terceira vez em seis semanas, para 6,66%. A pancada da crise euroamericana na economia chinesa foi mais forte que os próprios chineses esperavam. O Japão deve cortar sua taxa quase etérea de 0,5% pela metade, na sexta-feira _o próximo passo é literalmente jogar ienes pela janela do Banco do Japão, ou de um helicóptero, como dizia Ben Bernanke. Depois virão os cortes europeus.

Apenas os países que viram suas contas externas na breca estão aumentando juros.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h53

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O comunicado do BC americano

"The Federal Open Market Committee decided today to lower its target for the federal funds rate 50 basis points to 1 percent.

The pace of economic activity appears to have slowed markedly, owing importantly to a decline in consumer expenditures. Business equipment spending and industrial production have weakened in recent months, and slowing economic activity in many foreign economies is damping the prospects for U.S. exports. Moreover, the intensification of financial market turmoil is likely to exert additional restraint on spending, partly by further reducing the ability of households and businesses to obtain credit.

In light of the declines in the prices of energy and other commodities and the weaker prospects for economic activity, the Committee expects inflation to moderate in coming quarters to levels consistent with price stability.

Recent policy actions, including today’s rate reduction, coordinated interest rate cuts by central banks, extraordinary liquidity measures, and official steps to strengthen financial systems, should help over time to improve credit conditions and promote a return to moderate economic growth. Nevertheless, downside risks to growth remain. The Committee will monitor economic and financial developments carefully and will act as needed to promote sustainable economic growth and price stability.

Voting for the FOMC monetary policy action were: Ben S. Bernanke, Chairman; Timothy F. Geithner, Vice Chairman; Elizabeth A. Duke; Richard W. Fisher; Donald L. Kohn; Randall S. Kroszner; Sandra Pianalto; Charles I. Plosser; Gary H. Stern; and Kevin M. Warsh.

In a related action, the Board of Governors unanimously approved a 50-basis-point decrease in the discount rate to 1-1/4 percent. In taking this action, the Board approved the requests submitted by the Boards of Directors of the Federal Reserve Banks of Boston, New York, Cleveland, and San Francisco."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h50

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Dólar para exportar: ruim, mas melhorzinho

Na semana passada a situação até que melhorou um pouco para o financiamento de exportação (medido pelas operações de adiantamento sobre contratos de câmbio, ACCs). A média diária de ACCs entre 21 e 24 de outubro foi quase 80% maior que a do resto do mês e semelhante a de meses menos anormais, como setembro e agosto (vide gráfico abaixo _o valor para outubro é uma extrapolação para o mês inteiro da média registrada até o dia 24). Os dados foram divulgados hoje pelo Banco Central.

Pelo menos na semana passada, o crédito para o comércio exterior parecia voltar. Mas a fuga de ativos brasileiros continua uma pauleira e os movimentos no mercado futuro de câmbio continuam selvagens. E vai haver repiques ruins pelo menos até dezembro.

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h06

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O colapso do real forte, versões Lula e FHC

Apenas em janeiro de 1999, o do colapso do real forte de FHC, o país havia visto sair tanto dólar como neste outubro, o do colapso do real forte de Lula. Mas em 1999 a coisa foi bem pior (e o tombo de 1999 foi ruim porque o país tinha câmbio teimosamente fixo, para não dizer que artificial e eleitoreiramente fixo). Até agora, em outubro, dado o tamanho do desastre mundial, a conta ficou até barata. O saldo do fluxo cambial (os tais dólares que entram e saem do país) ficou no vermelho em uns US$ 4,4 bilhões (até sexta-feira passada). O saldo das transações comerciais ficou positivo em US$ 1,73 bilhão. A conta "financeira" (todas as entradas e saídas que não sejam resultado de exportação e importação de bens) ficou negativa em USS 6,13 bilhões (gráfico abaixo).

 

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h03

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Petro-sal, boi de piranha de Serra, votos, Bolsa etc

Os 10 posts mais recentes (terça, 28 de outubro):

  1. Hoje é festa na floresta;
  2. Os altos e baixos do petro-sal;
  3. Consumidor entra em depressão e Bolsas surtam;
  4. As estradas de Serra e o boi de piranha;
  5. A república dos bancos centrais;
  6. Juro da Islândia é de dar inveja ao BC;
  7. O eleitor e o cão que salivava;
  8. Os bancos e a loucura cambial das empresas;
  9. Derivativos: besteira e maldição da moda;
  10. Os PMDBs ganharam.


 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 23h58

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Hoje é festa na floresta

Hoje tem decisão de juros do Fed e do Copom (as "previsões" de bancões vão desde zero a alta de 0,5 ponto. Ou seja, qualquer coisa, qualquer nota).  Pouco antes da meia-noite, os futuros das Bolsas americanas estão em discreto vermelho. E  na quarta tem ainda indicador de encomendas de bens duráveis nos Estados Unidos (tombo?). Tem sondagem da indústria da FGV, desemprego Seade/Dieese. Ou seja, tem bastante motivo para "mentiras, mentiras malditas e estatísticas".

Escrito por Vinicius Torres Freire às 23h53

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Os altos e baixos do petro-sal

Sem investimento adicional, a oferta de petróleo vai cair mais de 9% ao ano, vai dizer a Agência Internacional de Energia em seu relatório anual. O diário britânico "Financial Times" adianta parte do relatório em sua edição de quarta-feira, mas o texto já pode ser lido aqui.

O modelão da exploração do petro-sal sai em novembro, diz a ministra Dilma Roussef. E, pelo andar atual da carruagem, deve ser o de partilha. Os contratos de partilha têm grande potencial de rolo. Nesse modelo, as empresas extraem o petróleo e os ganhos são "rachados" com o governo, depois de descontados custos etc. Os complicadores: 1) Calcular os custos das empresas; 2) As empresas não vão se preocupar muito em serem eficientes, já que os custos serão descontados; 3) O governo terá de criar uma estatal com gente para calcular tudo isso e ainda tomar conta do petróleo, vendê-lo etc.

Tem toda a cara de ser um modelo de baixa eficiência e cheio de oportunidades de corrupção (quem vai fazer as contas dos custos?).

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 23h23

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Consumidor entra em depressão e Bolsas surtam

Um índice de confiança do consumidor americano caiu ontem para níveis vistos apenas em recessões. Trata-se do índice calculado pelo Conference Board, que questiona cerca de 5 mil domicílios e, segundo os conhecedores, costuma captar o sentimento das famílias no que diz respeito às perspectivas de encontrar emprego. Não se trata de um bom indicador antecedente de gastos do consumidor, mas sua baixa para a casa dos 40 coincidiu com as últimas cinco recessões americanas. O indicador divulgado ontem marcou 38, o menor de sua história de 41 anos.

Mas o Dow Jones teve a segunda maior alta em pontos da história. Alguém deve lembrar aí das manchetes "medo de recessão derruba Bolsas", certo? "Mentiras, mentiras malditas e estatísticas".

Enfim, por que as Bolsas surtaram? Os entendidos dizem que: 1) Houve mais sinais de degelo no mercado de crédito (o juro interbancário cai há doze sessões seguidas) e o Fed começou a "descontar duplicatas", como diz Maria da Conceição Tavares. Isto é, começou a comprar "commercial papers", notas promissórias, de empresas, o que reduziu um pouco o custo do financiamento mais cotidiano das firmas (capital de giro); 2) Mais esotérico, dizem que grandes fundos de investimento estão recompondo suas carteiras antes do final do mês. Isto é, precisam colocar mais renda variável (ações) no portfólio, dadas as estratégias de investimento que têm de seguir; 3) O Fed vai cortar juros na quarta. Hum. Todo mundo sabia disso ontem e anteontem.

Vai saber o que aconteceu.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 22h54

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As estradas de Serra e o boi de piranha

O governo de São Paulo amanhã vai fazer o papel de boi de piranha na crise de crédito, versão Brasil. Com a cara e a coragem vai licitar o resto das estradas importantes do Estado: Ayrton Senna, Carvalho Pinto, Raposo Tavares, Dom Pedro. As empresas podem ter de gastar uns R$ 5 bilhões nos próximos 18 meses, entre o custo da outorga e investimentos iniciais (sim, deve haver dinheiro do BNDES).

Até agora, parece que só a CCR e a Triunfo vão morder a isca. O governo espera que outras seis empresas entrem na disputa. Pode ser que apareçam ainda a EcoRodovias e a OHL, a espanhola que no ano passado levou estradas federais oferecendo preços de pedágio chocantes. A CCR e a Triunfo (que administra rodovias, portos e concessões de energia) não levaram nada naquela rodada de privatizações de estradas de Lula. A CCR, da Andrade Gutierrez e da Camargo Corrêa, administra a NovaDutra, a AutoBan, a ViaOeste e a RodoAnel.

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 20h54

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A república dos bancos centrais

A república dos bancos centrais

A quem interessar possa, Bradford DeLong escreve na "American Prospect" de outubro uma curtíssima e inteligente história política dos bancos centrais nos EUA e no Reino Unido: "A República do Banqueiro Central". Sim, parece chato, mas não é, não. DeLong é um economista da Universidade da Califórnia (Berkeley), ex-subsecretário assistente do Tesouro no governo Clinton, um tipo meio "slob" mas divertido, que chama McCain de desonesto para baixo e não tem papas na língua em geral (costuma desancar jornalistas com frequência em seu blog, em posts como "a espiral da morte" de tal ou qual jornal). O blog de DeLong: http://www.j-bradford-delong.net/movable_type/

Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h38

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Juro da Islândia é de dar inveja ao BC

A Islândia aumentou sua taxa "básica" de juros para 18%. Jogou o Brasil para o segundo lugar no ranking mundial. A Romênia, a ponto de ir à breca, ameaça a vice-liderança brasileira. O risco maior é de o Banco Central do Brasil ficar com inveja _das taxas de juros. A Islândia, em si mesma, não existe. É uma espécie de Uruguai com desconto de 90%, um paraíso fiscal para britânicos e empresas mafiosas russas. Era também uma espécie de disneylândia da igreja liberal-hayekiana. Agora está tão derretida como a lava de seus vulcões.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 13h36

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O eleitor e o cão que salivava

Houve mais prefeitos reeleitos este ano porque as prefeituras arrecadaram mais dinheiro, dizem politólogos e comentaristas do gênero. Os prefeitos tinham mais dinheiro para gastar e, assim, foram mais bem avaliados e, portanto, a taxa de reeleição foi maior, seria o argumento. Hum, hum.

Bem, para começar, a taxa de reeleição nem foi tão maior (uns 67% contra 58% em 2004). Mas passemos.

Vamos concordar, a princípio, que o eleitor seja um cão pavloviano e salive votos pela reeleição quando o prefeito de sua cidade gasta mais dinheiro. Para que a hipótese pareça um pouco razoável, são necessárias ao menos as seguintes condições:

1) As prefeituras que arrecadaram mais gastaram mais;

2) Os gastos dessas prefeituras foram destinados a realizações que são do agrado do eleitor;

3) O eleitor associa o aumento de gastos nessas realizações à ação do prefeito;

4) O eleitor distingue tais realizações municipais de outras, talvez até mais importantes, bancadas pelo governo do Estado ou pelo governo federal;

5) O voto do eleitor não é orientado por qualquer outro sentimento que o de ver mais realizações da prefeitura, realizações sempre decorrentes do aumento de gastos, gastos por sua vez sempre decorrentes do aumento da arrecadação.

Bem, o item "1" ainda não pode ser verificado com base em fatos. A verificação dos itens "2" e "3" demandaria pesquisa específica ou ao menos uma estatística geral que relacione a natureza dos gastos com o gosto do eleitor. O item "4" demandaria uma complexa pesquisa qualitativa. Mas "2", "3" e "4" poderiam ser hipóteses menos frágeis se houvesse uma série estatística razoável de eleições e reeleições: seriam quantificados os gastos de natureza "visível" para o eleitor e seria testada uma associação de tais gastos com o resultado da eleição. De resto, seria ainda preciso encontrar o "limiar" de gastos indutores de voto: o prefeito não apenas tem de gastar mais como precisa gastar o suficiente para agradar ao eleitor. Mas nem existe série estatística comprida o bastante para que tal hipótese possa ser checada (foram feitos alguns estudos do gênero, para a eleição de 2004, mas de baixa qualidade, má qualidade entre outros motivos devida à inexistência de dados bastantes). O item "5" não se sustenta, dada a avaliação de centenas de resultados de eleições, pelo Brasil e pelo mundo afora.

A tese da arrecadação é um chute, talvez até um chute ponderado ("educated guess"), mas um chute como qualquer outro. De resto, ainda está para ser provada a tese de que o eleitor é um cão pavloviano que responde automaticamente a estímulos: um ser que não reelabora as informações que recebe nem cogita alternativas.

Por fim, para lembrar uma "evidência anedótica" e paralela, mas significativa: depois de 1999, a nota de avaliação de FHC jamais voltou aos altos níveis registrados nos anos de bom crescimento de seu primeiro governo. A popularidade de FHC não voltou a tais níveis mesmo no ano de 2000, em que o PIB cresceu rápido. Alguma coisa se "quebrou" na relação de FHC com o eleitorado depois de 1999. Pode ter sido a desvalorização chocante do real de 1999 (coisa que o presidente prometera não fazer), pode ter sido a instabilidade econômica, pode ter sido o cansaço com a figura do presidente. Sabe-se lá. Mas não parece haver relação estável e necessária entre bem estar econômico e popularidade política. Não parece também razoável acreditar que, necessariamente, "se há mais obras municipais, então há mais votos para o prefeito no poder".

Escrito por Vinicius Torres Freire às 23h07

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Os bancos e a loucura cambial das empresas

Saiu a prévia do balanço do Itaú. Dado nível de exposição do banco a possíveis calotes de empresas que apostaram de modo abilolado no câmbio, não se pode dizer nem de longe que o Itaú tenha sido o maior responsável por oferecer o videogame financeiro às empresas _ou o Itaú conseguiu, em menos de três meses, repassar grande parte do risco de mico para outras instituições financeiras, o que não parece muito razoável.

Funcionários de quatro grandes empresas que perderam muito com a brincadeira haviam dito reservadamente a este blog que as empresas para as quais trabalham não tinham feito seus negócios cambiais malucos com bancos brasileiros. Não diziam com quem tinham feito suas operações, mas observavam que, "no mercado", se apontava o dedo para bancos estrangeiros (sete, nem todos anões). Os bancos estrangeiros, em especial os menores, por sua vez gostavam de apontar o dedo para um bancão brasileiro cujo "nome começa com uma vogal". Não parece ter sido o Itaú. Nem o Unibanco. O Bradesco, que começa com uma consoante, nem entrou nessa confusão irresponsável.

"Mentiras, mentiras malditas e estatísticas".

Escrito por Vinicius Torres Freire às 23h03

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Derivativos: besteira e maldição da moda

Na praça midiática tem muita gente dizendo que essa ou aquela empresa "tem posições em derivativos" como se tal coisa fosse uma moléstia da peste ou um pecado mortal. Tudo por causa do videogame cambial alucinado com que algumas diretorias financeiras se divertiam a valer (até que suas empresas valessem pouco, por perderem tanto dinheiro).

Trata-se de uma ridicularia atroz.

Quase toda operação de proteção contra flutuações de juros, moedas, preços, caixa e até contra flutuações do tempo (sic, de temperatura e ventos) é feita por meio de derivativos, e é irresponsável e inepta a empresa que, tendo meios de fazê-lo, não se protege recorrendo a tais instrumentos financeiros. Nas "posições em derivativos" do gênero papai & mamãe, digamos, nem há meios de perder dinheiro, afora o despendido com o custo operacional da transação. Logo, seria um motivo de elogio à prudência o fato de uma empresa "ter posições em derivativos". Chega de besteira, gente.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 23h02

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Os PMDBs ganharam

Os PMDBs ganharam. Qualquer o sentido que se dê à afirmação, é verdade. Logo, é uma verdade que não diz muita coisa. De mais significativo sobre a vitória dos PMDBs, pode-se dizer que os serviços prestados pelo PMDB tendem a ficar mais caros. Mas os comentários políticos da temporada não observam é que os PMDBs ganharam mesmo quando a vitória foi de legendas com outro nome de fantasia (PSDB, DEM, PT, tanto faz).

Em primeiro lugar, "os PMDBs ganharam" significa o óbvio, faz tantas eleições: a confederação de sublegendas do partido vai dirigir várias prefeituras, mais que antes. Venceram, pois, as sublegendas desse partido que não é nada além de uma falta assumida de substância política (afora a politicalha barata).

No Rio, venceu o PMDB de Sérgio Cabral e Eduardo Paes, ex-PV, ex-PFL, ex-PSDB, ex-antilulista, ex-inimigo do mensalão, ex-tudo e ex-amigo da "ética" (vide a panfletagem repulsiva contra Gabeira). Paes, esse rapaz macunaímico mas sem graça que rastejou diante do ex-desafeto Lula por um prato de lentilhas bichadas.

A sublegenda fluminense do PMDB ora é lulista. A parte do PMDB paulista que venceu em São Paulo é de Orestes Quércia _é a sub da sub da sublegenda. Parte do PMDB, pois, tornou-se serrista, aliada do PSDB, e fez a vice-prefeita de Gilberto Kassab, do DEM.

O PMDB de Minas ligado a Newtão Cardoso queria ser lulista, mas bateu-se contra a aliança de Aécio Neves com uma sublegenda do PT (a do prefeito Fernando Pimentel, que não é a de Patrus Ananias, que é ministro de Lula). Aliás, Aécio comanda uma sublegenda do PSDB e não é antilulista, mas pós-lulista.

O PMDB de Geddel ganhou na Bahia, com João Henrique, contra o PT do governador Jacques Wagner. Geddel Vieira Lima é ministro de Lula, de quem foi inimigo. Ao lado de nomes como Jader Barbalho e Eliseu Padilha, Geddel engrossava a "nata", digamos, do PMDB governista nos tempos de FHC.

Quase todas as candidaturas a prefeito de capital foram baseadas em misturas adúlteras de tudo e de qualquer coisa que há na adulterada política brasileira. Uma mixórdia, pois, parecida ou mesmo idêntica à do PMDB "tout court". Logo, essas candidaturas, seja qual for o nome do partido, são todas "PMDBs" também. Os PMDBs vencem, de qualquer maneira.

A respeito, leiam também o sempre elegante e preciso comentário de Jânio de Freitas: "Nem partidos nem políticos". Sobre a degradação democrática, leiam a coluna de Elio Gaspari: "Giannotti teme uma crise da democracia". As duas saíram na Folha de domingo.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h50

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Quando a banca gosta de banco estatal

Alguém por aí ouviu críticas da banca privada à medida provisória que autoriza a Caixa e o BB irem à feira de bancos e empresas alquebrados? Muxoxos contra a presença "enorme, desnecessária e indesejada" de bancos estatais no mercado brasileiro? Jeremiadas contra o estatismo?

Este colunista acha que a medida provisória abre portas para bandalheiras (assinante lê mais aqui). Mas a banca privada não se queixou disso. Emitiu apenas uns grunhidos contra a permissão enfim agora legal para o Banco do Brasil levar a Nossa Caixa (e já acionaram seus empregados parlamentares no Congresso para derrubar a medida). De resto, a banca está quieta, assim como grandes gestores de fundos, muitos deles mal das pernas, "analistas" de mercado etc etc. Agora é "legal" ter BNDES, BB, Caixa?

Escrito por Vinicius Torres Freire às 02h06

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Rodrik: caldo vai engrossar nos emergentes

Rodrik: caldo vai engrossar nos emergentes

Dani Rodrik, da Escola de Governo de Harvard, acha que o caldo vai engrossar ainda mais para os emergentes, agora que, segundo ele, o mundo rico teria chegado ao fundo do poço (no caso da crise financeira, não da "economia real"). Os pacotões de ajuda do mundo rico teriam demarcado uma linha entre ativos de risco e os ainda mais arriscados _o dos emergentes. O mundo emergente, diz o economista, vai tentar imitar as medidas do mundo rico (como o Brasil vem fazendo), mas não tem dinheiro para tanto e, mesmo os que têm reservas monstro não terão sucesso nos socorros. Leia mais aqui

Escrito por Vinicius Torres Freire às 22h28

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Para Economist, Brasil cai mais

O Brasil deve crescer apenas 2,7% no ano que vem, com riscos maiores de crescer ainda menos. É a previsão da Economist Intelligence Unit na edição publicada hoje de sua "Perspectiva Global" (bimestral). Seria a volta à média medíocre do último quarto de século. Mais preocupante é a queda forte no crescimento do comércio mundial (vide os dados na tabela abaixo). E a previsão de que os EUA terão sua primeira contração do PIB desde 2001 (na recessão desse ano, os EUA ainda cresceram 0,8%).

Para a unidade de pesquisa econômica do grupo que edita a revista "The Economist", o preço do barril de petróleo em 2009 fica, na média, em US$ 75. Os juros americanos cairiam quase nada (de 1,5% para 1,25%) e os do BCE tombariam de 3,75% para 2,75%. O câmbio do dólar pelo euro ficaria em US$ 1,36, mais ou menos como agora.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 22h18

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Briga de foice de bancos e empresas

Está cada vez mais pesado o clima entre empresas que fizeram aplicações malucas em câmbio e os bancos que as ofereceram nos dias risonhos e francos do dólar a R$ 1,50, R$ 1,60. Tem ameaça de ir à justiça nos Estados Unidos e ameaça de denunciar bancos estrangeiros a reguladores americanos (o que não faz muito sentido, mas tem ameaça). Bancos estrangeiros dizem que dois bancos brasileiros (um bancão, um médio) é que seduziram empresas para as apostas mais arriscadas e loucas no câmbio baixo. Quatro empresas brasileiras grandes e que tiveram prejuízo feio, porém, só acusam estrangeiros e não mencionam o bancão brasileiro que atuou pesado na oferta de derivativos doidos de câmbio. A coisa está feia, com ameaças de "ir para o pau" e de "botar no pau", nesses termos. Há mentiras por todo lado.

Com as novas normas da CVM a respeito da publicação de informações sobre derivativos, alguma coisa vai se esclarecer. Alguns bancos e empresas vão ficar com a cara no chão. E com as contas também. A não ser que inventem um jeito criativo de explicar derivativos nos balanços. Ou de cobrir a dinheirama perdida, o que está bem mais difícil.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 20h16

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Indústria cresceu 9,5%, estima Ipea

Os economistas do Ipea acreditam que a indústria brasileira cresceu 9,5% em setembro (em relação a setembro de 2007) e 1,4% de agosto para setembro deste ano. O resultado oficial do IBGE sai dia 4 de novembro. De julho para agosto, segundo o IBGE, a indústria caíra 1,3%. Contra agosto de 2007, o crescimento havia sido de 2%. Fraco.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 20h06

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Me dá um dinheiro aí

O governo não vai mais cobrar IOF sobre o dinheiro que investidores e tomadores de empréstimos trouxerem do exterior. Na prática, está aumentando a taxa de juros para não-residentes no país que aplicarem dinheiro por aqui.

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 00h53

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Uma defesa da bolha assassina

O custo do desastre financeiro americano pode ser baixo. Na verdade, trata-se de um pagamento pelos grandes benefícios da bolha de crédito e do risco desmesurado na finança. Bolhas assassinas podem, sim, ser benéficas e custar menos que os benefícios que difundiram. Essa é a tese de três economistas de universidades reputadas. O autor do blog não conseguiu concluir se era ironia ou não. Confiram.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 00h31

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Vacas, demônios e agências de risco

"Se esse negócio tivesse sido estruturado por vacas a gente ainda o avaliaria [de maneira positiva]" foi um diálogo instrutivo entre dois analistas da Standard & Poor’s (S&P) que em 2007 trocavam mensagens sobre a qualidade de títulos lastreados em hipotecas ("mortgage backed securities", MBS, um desses papéis que dependiam do pagamento de prestações da casa própria e que ajudaram a detonar a crise infernal de agora).

O diálogo foi revelado por investigadores de um comitê da Câmara dos Deputados americana. Mais detalhes no blog "naked capitalism".

A S&P é uma das três irmãs que avaliam o risco de calote de papéis de todo o universo, de países inclusive (as outras são a Moody’s e a Fitch), e davam notas máxima ao lixo tóxico que ajudou a intoxicar a economia mundial.

Outro história bonita, desta vez um comentário de funcionários da Moody’s em e-mail para executivos da agência, que reclamavam de dar boas notas para papéis (MBS) "de crédito duvidoso": pareceriam incompetentes ou que "tinham vendido a alma ao demônio em troca de dinheiro [revenue]". Mais detalhes em reportagem da Bloomberg.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 00h13

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Empresas e consumidores mais enforcados

Os dados de setembro sobre crédito doméstico devem ter sido os últimos risonhos e francos, mas já mostravam também alguns sorrisos amarelos. No caso do crédito doméstico para empresas, as concessões que mais cresceram foram as de capital de giro (financiamento operacional cotidiano das empresas) e de conta garantida (uma espécie de "cheque especial" para empresas, que é uma linha absurdamente cara).

No caso da pessoa física, em setembro o maior expansão das concessões ocorreu no crédito para a compra de veículos. Mas, nos últimos seis meses, vem caindo rápido o volume de crédito novo para financiamento imobiliário e para a compra de carros. E vem crescendo o do cheque especial e o do cartão de crédito, que também são linhas carésimas (na casa dos 170% ao ano no caso do cheque especial). O cheque especial é 39% das novas concessões de crédito, e cresce. Isso é sinal de consumidor mais apertado.

O nível de inadimplência, porém, continua muito bem comportado (melhorou, até, no último trimestre). Mas a concessão de crédito novo piorou bem de qualidade. Isso até setembro, quando os vírus da crise ainda não haviam desembarcado em massa por aqui.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 19h24

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"Não tem banco quebrando no Brasil"

"Não tem banco quebrando no Brasil", disse o ministro Guido Mantega. Ops. Autoridades econômicas não podem usar a palavra "quebrar", nem em negativas. Isso dá idéias para as pessoas, idéias que talvez elas não tivessem _como a de que bancos podem estar quebrando. De resto, é um "faux pas" e uma impropriedade, como entrar pelado em igreja, falar de corda em casa de enforcado, contar piada em enterro, chutar despachos em esquinas, cuspir no prato em que comeu etc etc, deu para entender, né?

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h02

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As profundezas da ignorância e da vadiagem

A "oposição" ficou irritadinha que Guido Mantega e Henrique Meirelles não tenham respondido a perguntas de economistas convidados para inquirir o ministro da Fazenda e o presidente do BC, ontem, no Congresso. Disseram que Mantega e Meirelles evitaram um "debate profundo", para o qual "não estavam preparados", pois pediram à bancada governista para vetar perguntas daqueles economistas. Então quer dizer que os parlamentares da oposição não estão eles mesmos preparados para um "debate profundo"? Com os bilhões que gastam, com os milhares de funcionários que têm, não são capazes de contratar uma assessoria técnica decente? Aliás, há técnicos capazes no Congresso. O problema é que a maioria dos parlamentares, larguíssima maioria (afora uns 30, 40), não trabalha, não estuda e não acompanha nem fiscaliza o governo como deve, por ignorância, vadiagem ou coisa pior.  

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h55

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O PT gasta e o DEM mente mais ainda

Depois do PSDB, foi a vez do DEM (PFL) lustrar a sua cara-de-pau em público. ACM Neto (DEM-BA) disse ontem que Henrique Meirelles e Guido Mantega foram ao Congresso com "conversa para boi dormir", pois não "responderam perguntas básicas" sobre "cortes públicos profundos". ACM Neto, o DEM e o PSDB então podem dizer o motivo de terem defendido, como votos e projetos de lei, o estouro "profundo" das contas públicas (aumento de servidores, do INSS, de gastos com saúde, para nem comentar a gorjeta do empreguismo, que o DEM tanto gosta de patrocinar, não é mesmo, Efraim Morais, DEM-PB?)

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h41

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"Circuit breaker" no blogueiro

O autor deste blog esteve fora de combate durante um dia e pouco, meio adoentado. Depois do "circuit breaker", espera recuperar as perdas e volta a publicar os posts. 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h10

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O PT gasta e o PSDB mente

"Não dá para acreditar no governo se não apertar os cintos", diz o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, segundo nota no site do partido. Os tucanos criticam a lerdeza do governo Lula e dizem que a crise exige cortes de gastos federais. Sim, o governo do PT encomenda gastos que vão cair na conta dos próximos muitos governos federais. Mas o faz com o apoio do PSDB e de seu companheiro de viagem, o DEM (PFL). A "oposição" votou na maciota e caladinha o aumento de 1,4 milhão de servidores públicos. Queria reajustar todos os benefícios do INSS pelo mesmo índice do mínimo (foram derrotados no Congresso). Queriam mais gastos para saúde (o assunto morreu quando o governo veio com a história da nova CMPF). Sim, o PT gasta, e o PSDB mente com enorme cara-de-pau.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 22h16

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Vai chover na horta do crédito para exportação?

O Banco Central emprestou ontem US$ 1,620 bilhão para quatro bancos, dinheiro carimbado para financiar o comércio exterior, para empresas exportadoras tomarem crédito e financiarem suas operações e para importadores financiarem suas compras. O custo (aliás, o "spread") foi inferior ao que os bancos pagavam até meados deste ano. O BC enfatizou que vai punir os bancos que não usarem tal dinheiro para financiar o comércio exterior. Bem, o BC ofereceu US$ 2 bilhões. Nos primeiros oito dias úteis de outubro, haviam sido concedidos US$ 930 milhões em adiantamentos sobre contratos de câmbio (ACCs, financiamento de exportadores). É coincidência? Os bancos vão emprestar apenas o que já emprestariam de qualquer modo? Ou os bancos vão dobrar o financiamento de ACCs registrado no início de outubro? Como saber? É uma boa pergunta para Henrique Meirelles e Guido Mantega, que vão ao Congresso.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 22h15

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Imagens do medo: um pouco melhor

Um pouco de alívio no mercado de crédito mundial _e para o nosso também, por tabela. Os juros de empréstimos entre bancos caíram, embora ainda estejam na estratosfera.

O rendimento das taxas de juros de três meses do Tesouro americano voltou hoje (terça, 20) ao nível em que estavam imediatamente antes da semana da quebradeira nos EUA (Lehman Brothers, AIG etc) _sinal de que investidores venderam tais papéis (o que aumenta seu rendimento). O gráfico mostra o rendimento dos papéis de três meses do Tesouro dos EUA, de setembro para cá.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 22h10

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Imagens do medo

A gente costuma ficar bastante impressionada com as idas e vindas da Bolsa (ainda mais se temos dinheiro lá). Mas um dos termômetros menos "pop", mas mais relevantes, do medo nos mercados financeiros pode ser visto no gráfico acima. Trata-se de uma medida indireta mas muito objetiva da paralisia geral do crédito, do medo dos maiores bancos de emprestarem dinheiro entre eles, uma medida da "aversão ao risco", que bateu nas nossas praias também. Trata-se da diferença ("spread") entre a taxa de juros média medida no mercado interbancário de Londres (Libor para empréstimos em dólar) e a de títulos do Tesouro americano (dívida pública dos EUA, no caso a taxa do Treasury bill), para prazos de três meses.

Uma Libor muito alta indica que os bancos temem emprestar uns aos outros (quando emprestam), por medo de que a contraparte quebre, por exemplo (ou por medo de ficar sem fundos para honrar obrigações futuras). Uma taxa muito baixa para o "Treasury bill" indica o medo do investidor de colocar dinheiro em qualquer outra coisa que não seja a dívida do governo americano (quanto mais os investidores procuram tais papéis, menos juros eles pagam). Os títulos americanos são uma espécie de colchão universal _em último caso, o dinheiro foge para aplicações no Tesouro dos EUA mesmo quando elas não rendem quase nada (como foi o caso de meados de setembro).

Observem como a diferença entre essas taxas aumenta abruptamente em meados de março (quando quebrou o Bear Stearns) e ainda mais em meados de setembro (quando foi à breca o Lehman Brothers). A diferença vem caindo nos últimos dias, mas devagarzinho (devido aos pacotões de dinheiro estatal injetados em bancos). Esse "spread" (no caso apelidado de "TED spread") costuma ficar entre 10 e 50 pontos (0,10% e 0,50%) em tempos menos anormais. Mas tem ficado acima de 100 pontos desde o estouro final da crise, em agosto de 2007, e foi a 400 pontos nos dias de pânico. Quanto mais aberta a "boca do jacaré" (a distância entre as duas linhas do gráfico), maior o pânico. O "Ted spread", em suma, de certa forma mede o aperto de liquidez: quanto maior o "spread", menor a oferta de dinheiro na praça.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 19h36

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Risco de seis por meia dúzia nos bancos

O Banco Central pretendia emprestar na tarde de hoje cerca de US$ 2 bilhões para bancos, com a condição de que o dinheiro fosse destinado ao financiamento do comércio exterior. Como vão checar se o dinheiro teve esse fim? Segundo Henrique Meirelles disse em entrevista coletiva, os bancos que tomarem dólares do BC têm de mostrar que emprestaram quantidade de dinheiro equivalente por meio de operações conhecidas como ACCs (adiantamentos sobre contratos de câmbio, crédito para comércio externo). Mas, embora o volume de ACCs viesse secando, não era nulo. Como se vai saber se o banco simplesmente não vai colocar os dólares do BC na caixinha e continuar emprestando o que já pretendia emprestar?

Claro que a ação do BC acabar por irrigar o mercado de um jeito ou outro, mas não fica claro como é possível "fiscalizar" se um banco vai mesmo emprestar mais para exportadores depois de tomar dinheiro emprestado do BC. Por ora, os bancos estão muito relutantes em emprestar o dinheiro liberado dos empréstimos compulsórios (como, de resto, os bancos do mundo todo). Lula já ameaçou "recolher" esse adicional de liquidez, e Paulo Bernardo, ministro do Planejamento, disse que o governo pode reduzir a remuneração dos bancos que preferirem aplicar em papéis do governo, e não na praça (assinantes podem ler reportagem de Sheila d'Amorim sobre este assunto, na Folha de hoje).

Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h51

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Conselho de US$ 20 bilhões

Na sexta-feira, Delfim Netto e Luiz Gonzaga Belluzzo encontraram o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Os dois economistas são os decanos do "conselho dos assessores econômicos" do presidente Lula, que no Brasil é informal, ao contrário do conselho americano. Delfim e Belluzzo disseram que era preciso fazer alguma coisa, e rápido, para irrigar o crédito para exportadores, nem que fosse colocar imediatamente US$ 20 bilhões na conta do Banco do Brasil lá fora e "recomendar" que o banco oficial pusesse o dinheiro na praça, pois o financiamento do comércio externo praticamente secou no início de outubro. Ontem, o BC fez o primeiro leilão de dinheiro em dólar para os bancos, depois de duas semanas de delongas devido a prudências jurídicas _diretores e presidente de Banco Central no Brasil estão sujeitos a processos por qualquer coisinha (embora alguns não sejam condenados ou ao menos adequadamente processados, vide o caso Marka/FonteCindam, da máxi de 1999). Mas o BC pretendia "leiloar" (emprestar) apenas US$ 2 bi.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h39

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As leis da guerra e o comentário morto

Como em qualquer blog, os leitores podem enviar comentários. Como em qualquer blog, há algumas normas óbvias e elementares para participar da discussão. Basicamente, vale tudo, mas mesmo a guerra tem leis. Não vale: 1) Crime, defesa do crime, incitação ao crime: calúnia, racismo, terrorismo, pedofilia, roubo, assassinato, golpe de Estado etc; 2) Tentativas evidentes, sistemáticas e organizadas de arruinar a reputação de pessoas, empresas e outras instituições privadas e públicas; 3) Campanhas partidárias e de marketing; 4) Mensagens que contenham apenas e somente apenas insultos. Por favor, insultem com inteligência.

Nenhum comentário será vetado devido ao seu grau de veemência ou pelo teor de suas idéias. Todos estão convidados a escrever e livres para manifestar suas objeções ou sua repulsa ao blogueiro ou a terceiras partes. Todos podem declarar suas preferências políticas ou de qualquer outra espécie, assim como suas críticas a pessoas, políticos, partidos, empresas e outras instituições. Mas campanhas evidentemente organizadas contra pessoas ou instituições serão vetadas. Comentários dessa natureza não serão aprovados, estão mortos de saída _ou na chegada (DOA, "dead on arrival").

Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h23

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Como explicar quadros a uma lebre morta

Isto não é um blog sobre economia. É um blog sobre política que deve se ocupar, no mais das vezes, de economia, notícias econômicas, idéias de economistas e, como vem a calhar ao assunto, de "mentiras, mentiras malditas e estatísticas" econômicas, para citar e parafrasear o velhíssimo bordão sobre os três tipos de mentiras.

Isto é um blog sobre política que deve se ocupar de economia porque os conflitos e as decisões mais relevantes dizem respeito à economia. Conflitos & decisões = política.

Isto é um blog sobre política porque o pensamento dominante sobre economia e a maior parte da corporação dos economistas pretende furtar as discussões econômicas do debate público ou circunscrevê-las a um curral cercado pela guilda. Esta intenção de bloquear o livre comércio de idéias tem como fundamento, digamos, a propaganda de que as alternativas (político-econômicas) não existem e de que a economia é uma ciência (o que é verdade, mas nada tem a ver com o assunto em tela: decisões políticas sobre economia). É mais difícil convencer economistas de tal coisa do que explicar pinturas a uma lebre morta.

Se tivesse a presunção de adotar um programa, o blog poderia citar a atitude que transparece num livro recente de um economista político de Harvard: "One Economics, Many Recipes" ("Uma Teoria Econômica, Várias Receitas"), de Dani Rodrik, que trata disso mesmo: contextos, história e instituições importam e determinam o destino de políticas econômicas, que podem ser variadas, ainda que a teoria econômica tenha chegado a um acordo sobre determinado problema.

Este blogueiro, porém, não vai adotar programa algum, se por mais não fosse por acreditar que, nas idéias de Rodrik, tanto ainda falta política como sobra otimismo sobre a unidade da teoria econômica. Mas, no fim das contas, não vai adotar programa algum porque isto é apenas um modestíssimo blog jornalístico. Esta primeira mensagem é apenas uma vaga carta de intenções.

De talvez mais útil, o blogueiro fará o possível para chamar a atenção para notícias que julga importantes, recolher no blog links para as melhores idéias e livros que encontar por aí, publicar artigos e "papers" notáveis, apresentar os dados mais relevantes da enxurrada de indicadores e, eventualmente, tratar de aspectos menos lúgubres da vida do que a economia: comida, alguma arte, talvez literatura.

Obrigado pela atenção dos eventuais leitores.

 "Como explicar quadros a uma lebre morta", performance de Joseph Beuys (na foto) fotografada por Ute Klophaus

"Como explicar quadros a uma lebre morta" (foto acima) foi uma "performance" do artista alemão Joseph Beuys (1921-1986). Com a cabeça coberta de mel e folhas de ouro, Beuys passeou em 1965 por uma galeria que expunha seus trabalhos. Enquanto caminhava pela exposição, o artista mostrava seus quadros a uma lebre morta que carregava no colo. Sem dizer palavra, apenas mexendo os lábios, Beuys explicava sua arte ao bicho morto. A "ação" foi fotografada por Ute Klophaus.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h28

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PERFIL

Vinicius Torres Vinicius Torres Freire é colunista da Folha, onde está desde 1991. Foi Secretário de Redação do jornal, editor de Dinheiro, editor de Opinião, correspondente em Paris, editor de Ciência e editor de Educação

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