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EUA e Brasil: dobradinha de BCs

 
 

EUA e Brasil: dobradinha de BCs

Como infelizmente previsto, o BC reduziu o ritmo de corte de juros, entrando na onda do "pior pode estar ficando menos pior", como o fez também o Fed, o BC dos EUA _foi o tema da coluna de hoje na Folha, que pode ser lida na íntegra aqui, pelo assinante. Vai ser, obviamente, difícil discutir a decisão do BC agora _os argumentos tendem a ser inconclusivos. Mas o que se dirá do BC, e o que o BC dirá ao público, se chegarmos ao final do ano com inflação abaixo da meta e expectativas sob controle para 2010? Quem paga os custos da marginal, mas ainda assim razoável, queda do produto, ou do custo extra da dívida pública? Quão "responsabilizável" o nosso BC é para responder pelo excesso? Está aí o problema: não é.

Trecho:

"Os povos dos mercados ligaram mesmo para o que o Fed disse: a economia parece encolher mais devagarzinho. Quer dizer: o pior estaria passando (assim mesmo: condicional com gerúndio). O Fed disse que não vai aumentar o volume de compras de títulos públicos e privados, o que tem feito a fim de injetar dinheiro na economia, pois a taxa de juros foi a zero e, assim, entrou provisoriamente em coma como instrumento de política monetária. Ou seja, o Fed vai manter a torrente de estímulo monetário, mas não vai aumentá-lo.

No Brasil, onde a desgraça é bem menor, o governo também segurou a peteca, evitando recessão feia. Mas a Confederação Nacional da Indústria avisou ontem que teve o pior início de ano em uma década. A Associação Brasileira de Supermercados contou também ontem que o volume de vendas no primeiro bimestre deste ano caiu em relação ao início de 2008. Sim, o faturamento subiu 2,1% neste trimestre (ante 2008). Mas, no início de 2008, subia a 10%."
 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h56

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Dengue tipo 4, porcos no espaço, gente lunática

 
 

Dengue tipo 4, porcos no espaço, gente lunática

Este blogueiro deu um passeio ontem por farmácias de uns bairros centrais de São Paulo (de Pacaembu, Higienópolis e região da avenida Paulista até o Centro Velho). As pessoas correram para comprar antissépticos e remédios pesados para a gripe (antivirais). Uma demência. Um breve relato está na coluna de hoje na Folha, que pode ser lida na íntegra aqui pelo assinante.

A dengue é uma epidemia grave no Brasil, que atingiu quase 600 mil pessoas no ano passado, em todo o país. Mas não fazemos carnaval parecido com o que tem sido feito com a gripe que apareceu no México. Hoje mesmo, minha colega Afra Balazina relata na Folha que pesquisadores da USP confirmaram a chegada ao Brasil do vírus da dengue tipo 4. Isto significa o seguinte, como escreveu Afra: "Com mais de um tipo de vírus circulando, aumenta a possibilidade de um mesmo paciente se reinfectar, contraindo dengue hemorrágica, a forma letal da doença". O assinante pode ler a reportagem de Afra Balazina clicando aqui.

Trata-se de um vírus da dengue que pode ter vindo diretamente da Ásia, em vez de transitar pela América Central e Caribe, como é o padrão, informa a reportagem. Mas o vírus da gripe dita "suína" passou pelos Estados Unidos, pela Europa. É mais chique, certo?

Trecho da coluna de hoje:

"Em 2008, apenas a dengue hemorrágica matou 223 pessoas no país. Quase tantas quanto as mortas por outra sensação gripal que não decolou, a aviária (desde 2003, no mundo inteiro).

A cidade de São Paulo não é das mais afetadas pela dengue. Nuns anos têm 500 casos, noutros 800. Noutros anos, uma dúzia. Mas já houve microssurtos até no rico Pacaembu e na região da rua Oscar Freire, onde uma bolsa pode custar o preço de um carro e as pessoas andam em carros que custam um apartamento. Porém não houve comandos de erradicação de potinhos de água parada nem um surto de vendas de raquetes elétricas para matar mosquitos. Lembram-se das raquetes elétricas? Viraram moda no verão de 2008, quando o Rio teve uma epidemia violenta, os hospitais desceram a um nível ainda pior de colapso e as Forças Armadas armaram barracas na rua para atender doentes."

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h49

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Epidemia de porquinhos trapalhões

Depois de José Serra (vide post abaixo), a nobre senadora Serys Slhessarenko, do PT do Mato Grosso, dá mais uma contribuição ao debate suíno sobre a gripe mexicana. Está certo que o chamar a gripe de "suína" é uma porcaria conceitual, mas a senadora do Mato Grosso engrossou. Acha que batizar a gripe de "suína" é uma "tentativa de terrorismo": "gripe americana ou mexicana _que se dê o nome que quiser. Acabam sempre dando um nome de um animal aqui, no Brasil... Para dificultar questões comerciais."

Sim, o porco, esse animal nativo das selvas brasileiras, tão típico das nossas terras como a jabuticaba, a mandioca e o tamanduá, tão exclusivo do Brasil como a ignorância.

"Hat tip" para meu colega Silvio Navarro, do "Painel" da Folha, que me alertou para o discurso da nobre senadora.

 

 
 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h40

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Serra: "afasta de mim esse porco!"

"Ela é transmitida dos porquinhos para as pessoas só quando eles espirram", disse o governador de São Paulo, José Serra, sobre a gripe mexicana, dita "gripe suína". Serra estaria com febre, com a cabeça quente ou baixou um espírito de porco no governador?

A gripe dita "suína" é humana, demasiado humana. Num dia remoto, ela deve ter passado de um bicho para humanos, e daí o caldo genético do vírus sofreu transformações etc. Mas a gripe mexicana só é um risco porque é TRANSMITIDA ENTRE PESSOAS. Atualmente, o risco maior de que ela passe, em massa, de porcos para humanos só vai aparecer quando a gripe atingir, digamos, PALMEIRENSES, para fazer a brincadeira meio boba das torcidas paulistas.

Serra ainda ajeitou a declaração, publicada hoje na Folha, mas a emenda apenas embaralhou o soneto de pé de porco quebrado: "Portanto, a providência elementar é não ficar perto de porquinho algum, mesmo não tendo a gripe suína no Brasil. Ela pode ser transmitida de pessoa a pessoa, mas não temos nenhum caso registrado ainda".

Porca miséria.

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h23

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Brasil: tá frio ou tá quente?

A economia está saindo do fundo do poço? A brasileira parece que está. Pelo menos do poço em que fomos metidos em dezembro. Mas estamos saindo do poço como aqueles personagens de filme de terror: subindo muito devagar, suando, nos agarrando às pedras com as unhas, num lugar cheio de escorpiões, e levando uns tombos. Abaixo, um "tá frio, tá quente" do dia de hoje.

  • Minério da Vale: cai muito. A produção de minério de ferro da Vale caiu 37,1% no primeiro trimestre de 2009 (em relação ao primeiro de 2008). A empresa fechou algumas minas menos produtivas.
  • Indústria paulista: maior recessão desde 2003. A atividade da indústria paulista caiu 13,1% em março de 2009, diante de março de 2008. Em relação a fevereiro, subiu um tico, 0,5%. São os dados do Indicador de Atividade Industrial da Fiesp, divulgados hoje. No primeiro trimestre de 2008, queda de 14,9% em relação ao início de 2008, o pior número desde 2003, quando a série começou. O indicador acumulado em 12 meses é de baixa de 1,7%,. Ou seja, se o "ano" tivesse terminado em março, a indústria teria encolhido 1,7% em São Paulo. O Nuci, o nível de utilização da capacidade instalada, caiu de fevereiro para março, de 77,6% em fevereiro para 76,7% em março. As fábricas estão bem ociosas. Em março de 2008, o Nuci estava em 82,7%. De bom, o índice de expectativas, o Sensor, ficou no azul no início de abril.
  • Gás: subiu "na margem", vazou todo, no ano. O consumo de gás natural subiu 3% de fevereiro para março. Bom? Bem, melhor do que nada. Mas caiu 32,5%, se comparado março de 2009 a março de 2008. Muito ruim.
  • Crédito e vendas: meio cheio, muito vazio: as consultas aos serviços de proteção ao crédito do país caíram 5,5% (março de 2009 contra março de 2008), segundo dados da Rede Nacional de Informações ao Crédito (Renic), divulgado hoje pela Associação Comercial de São Paulo. O indicador mensal, de fevereiro para março, melhorou bem, com alta de 19,7%, mas é volátil demais para ser levado ao pé da letra. No caso da comparação trimestre x trimestre, a queda foi de 12,4% ante o início de 2008.

Resumo da ópera diária

: o pior não piora, mas melhora muito devagar, de um fundo do poço muito fundo.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h11

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Porcos com asas

 
 

Porcos com asas

A epidemia do medo da epidemia de gripe que surgiu no México é o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. O vírus dito "suíno" contagia mais a imaginação do que pessoas, isso mesmo no Brasil de endemias como a dengue e das mortes por tiros. Como somos frequentemente contagiados pela massa de informação da mídia do mundo rico, pestes ainda virtuais, mas que atingem EUA e Europa (uma raridade), nos causam mais alarme que as nossas antigas pragas.

Morremos ainda de malária, febre amarela, dengue e outras doenças primitivas; nessa caso, as vítimas são reais e próximas. Mas ficamos alvoroçados com a ameaça remota de doença entre "brancos de olhos azuis", assim como damos mais atenção a massacres, genocídios e terrorismos que ocorrem, raramente, no "Norte rico", não dando a menor bola para as mortandades africanas ou asiáticas.

Trecho:

"Estamos doentes de hipocondria? Há risco de comer porco? Sim, claro: se o animal estiver vivo, falar e tossir no nosso rosto enquanto tentamos comê-lo em um eventual trem contaminado da Cidade do México.

Decerto, vírus agora têm asas e viajam continentes em horas; as pestes do passado levavam meses para ir de Istambul a Veneza. Cientistas dizem que, se brincarem em serviço, as pestes gripais podem se tornar assassinas rapidamente.

Mas, por ora, mais evidente e curiosa é a rapidez do contágio midiático, em especial no Brasil, em que a Bolsa caiu mais porque produzimos commodities (nossos "infecciosos" minérios, grãos e carnes). Há brasileiros preocupados com o risco de viajar para os viróticos Canadá e EUA. O que é uma dengue hemorrágica tipo "n" perto de um vírus "suíno", certo? Malária deve ser fichinha; morrer de tiro em São Paulo, Rio ou Recife, também. O medo talvez venha do fato de que as pessoas temerosas pensem viver em mundos murados da quarentena social."

 

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h55

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Ação estatal evitou pânico no Brasil

 
 

Ação estatal evitou pânico no Brasil

Subsídio ao consumo, crédito de bancos estatais, ajudas do BNDES e dinheiros vários do BC evitaram colapso recessivo. Esse foi o tema da coluna de domingo na Folha, texto que o assinante pode ler na íntegra aqui. O mergulho nas vendas das montadoras de veículos, de alguns bens duráveis mais caros, a queda na exportação de produtos industrializados e mesmo o risco de quebra de um banco pequeno, em conjunto, poderiam ter se tornado uma bola de neve, criando um círculo vicioso difícil de parar, que conduziria rapidamente a uma recessão profunda. Medidas do governo Lula evitaram o alastramento do pânico e do início da explosão do desemprego que se verificou entre dezembro e janeiro. Isto não quer dizer que já nos livramos do risco de recessão. Mas foi contido um colapso horrível e desnecessário da economia, graças a algumas medidas certeiras do governo Lula.

Trecho:

"O emprego ainda cai em relação a 2008, mas em ritmo menor (dados do IBGE, vide gráfico). Mas o IBGE cobre apenas seis metrópoles. Não conta agruras do Centro-Oeste e do Sul dos frigoríficos, por exemplo; de Minas, Rio e Pará de minérios e siderurgia; do interior paulista exportador de aviões e da abalada indústria metal-mecânica, de calçados etc. No caso do trabalho formal, dados nacionais, março ficou num modesto azul; mas em março de 2008 foram criados 171 mil empregos a mais.


O desemprego industrial ainda vai contagiar serviços e comércio. O estímulo fiscal à indústria não deve ajudar tanto daqui por diante. Em março, a indústria deve ter crescido de 1,5% a 2% ante fevereiro, mas recuado 8,5% ante março de 2008. Nesse passo, no final de 2009 a indústria terá crescido nada sobre 2008. A queda do valor das exportações industriais está em 30% (até meados de abril; e em 18% para o total das exportações)."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h00

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Bancos privados nacionais secaram o crédito

 
 

Bancos privados nacionais secaram o crédito

Foram os bancos privados nacionais os maiores responsáveis pela baixa do crédito depois da explosão da crise. Esse foi o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. Sem a atuação dos bancos estatais, o estoque de crédito teria encolhido muito, e a recessão no Brasil seria agora muito feia.

Trecho:

"De janeiro a setembro de 2008, antes da explosão da crise, a banca privada de capital nacional respondia por 47% do aumento médio mensal do saldo de crédito. Os privados de capital estrangeiro ficavam com 18%. Os bancos estatais ou "públicos", com os 35% restantes.

De outubro de 2008 a março deste ano, tal proporção mudou radicalmente. Os bancos públicos passaram a responder por 82% do aumento médio mensal do saldo de crédito; a participação da banca privada nacional caiu daqueles 47% anteriores à crise para 8%. A da banca estrangeira caiu de 18% para 10%.

Em março, a situação era quase a mesma. Os estatais foram responsáveis por 80,5% do aumento do saldo de crédito, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h44

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A crise e os primos americanos

 
 

A crise e os primos americanos

A coluna de hoje na Folha trata do impacto da crise na demografia americana, segundo os dados novos do Censo deles. Assinante lê a íntegra do texto aqui.

Trecho:

"Pois bem, os americanos jamais se mudaram tão pouco desde 1962, dizem dados do Censo americano de 2008 revelados ontem: 12% dos americanos se mudaram em 2008, contra 20% em meados dos anos 1980. O número de mudanças interestaduais é o menor desde o final da década de 1940. O número de imigrantes em 2008 também foi o menor em mais de uma década. É a crise: imobiliária, de empregos (em baixa ou exportados para a Ásia).
A migração americana agora ficou mais "brasileira": desempregados, pobres e negros se mudam mais."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h10

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FMI na contramão dos EUA

 
 

FMI na contramão dos EUA

Homem do Tesouro de Obama revive otimismo do mercado sobre bancos, mas o FMI prevê perdas ainda mais tenebrosas. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, reportou ontem a uma comissão do Congresso que a "vasta maioria" dos bancos de seu país têm capital suficiente para enfrentar a crise (o que se vai saber, com algum detalhe, no dia 4 de maio, quando forem divulgadas as auditorias em 19 bancões americanos). Mas o FMI relatou também ontem que os bancos americanos, japoneses e, principalmente, europeus, vão ainda precisar levantar muito capital para cobrir as perdas que devem ter até o final de 2010). Parece haver uma contradição forte aí. Este foi o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

Trechos:

"O FMI prevê que os bancos americanos devem dar como perdidos mais US$ 550 bilhões em 2009 e 2010 (de um total potencial de perdas de US$ 1,6 trilhão de 2007 a 2010). Preveem que os bancos precisariam de mais US$ 275 bilhões de capital, dada a estimativa "grosseira" de lucros retidos para o período e uma volta a um nível de alavancagem de 25 -isto é, essa seria a razão de ativos ("empréstimos") sobre capital ("dinheiro próprio"), anterior à crise. Para uma alavancagem de 17 (média de meados dos anos 90), precisariam de mais US$ 500 bilhões.

Numa carta ao comitê de supervisão do Congresso, Geithner disse que sobraram US$ 135 bilhões do pacote de socorro de US$ 700 bilhões (aprovado ainda no governo Bush, o "Tarp"). Pelas contas do FMI, Geithner vai ficar sem fundos."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h25

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O PIB per capita nos anos Lula

Mais uma da série das contas do Amir Khair, agora sobre a evolução do PIB per capita no Brasil (onde sempre se superestimou o crescimento nos anos do "nacional-desenvolvimentismo", bem mais modesto quando se leva em conta o aumento da população, enorme naquela época).

Khair, engenheiro, consultor de finanças públicas, foi secretário das Finanças da Prefeitura de São Paulo no governo de Luiza Erundina, então no PT (1988-92).

"Caso possa interessar o quadro abaixo resume a evolução média anual do PIB, população e PIB per capita para três períodos:

a) 1901 a 1980 (crescimento)

b) 1981 a 2003 (estagnação) e

c) 2004 a 2008 (retomada).

A partir de 2009.........?

Evolução média anual do PIB e PIB/capita

Período

PIB

População

PIB/capita

1901 a 1980

5,67%

2,42%

3,17%

1981 a 2003

1,99%

1,80%

0,18%

2004 a 2008

4,71%

1,19%

3,48%

Fonte: dados básicos IPEA - elaboração: Amir Khair

Escrito por Vinicius Torres Freire às 20h51

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Risonhos, mas nada francos

 
 

Risonhos, mas nada francos

Mercado desconfia de lucros de bancos e vê economia frágil; Bolsa fica ainda mais arriscada neste mês de balanços nos EUA. Como previsto, o período de balanços nos EUA, os resultados esquisitos dos bancos (com lucros e, ao mesmo tempo, previsão de muitas perdas), mais a perspectiva da divulgação das auditorias nos 19 bancões, no começo de maio, faz com que a volatilidade volte a aumentar nos mercados financeiros. Este é o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

Trecho:

"Pode se descobrir que o governo terá de colocar mais dinheiro nos bancos ou subsidiar injeções privadas de dinheiro. Pode ser que o governo pegue as ações preferenciais que detêm nos bancos e as converta outra vez em ordinárias, o que reduz a fatia e o valor dos atuais acionistas.

Mas não parece que vão voltar os terremotos do final de 2008. Afinal, o governo americano despejou muito capital nos bancões, que emprestam com garantias do Tesouro, captam dinheiro a taxas baixíssimas e emprestam a taxas proporcionalmente muito altas. Embora a economia encolha, cai mais devagar. Porém, os bancos ainda estão atolados de papéis podres, e as empresas pagam caro para captar dinheiro. Confirmam-se as perdas crescentes dos bancos com o cidadão e com a firma que simplesmente não conseguem pagar suas contas, pois não têm emprego ou vendem menos."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h34

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Brotos no fundo do poço do túnel

 
 

Brotos no fundo do poço do túnel

Falta luz e sobra metáfora no fim da picada das explicações de economistas sobre o atual estado da Grande Recessão. Foi o tema da coluna de domingo na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. A melhora no mercado de ações e o fato de alguns mercados de dívida nos EUA terem ressuscitado provocou uma onda de otimismo em algumas praças. Outros viram uma "melhora na piora": a economia americana cai, mas cai a taxas decrescentes (mais devagar). Isso até meados da semana passada, quando apareceram alguns indicadores em queda ainda acelerada.

De mais objetivo, é possível sim perceber na maior parte dos indicadores ou uma redução no ritmo de piora ou, pelo menos, piora em ritmo regular.Mas as avaliações da conjuntura são muito confusas e contraditórias, esse o tema da coluna.

Trecho:

"A recuperação deve ser anêmica, [mas] a enorme ação global nos livrou de uma Grande Depressão. O pior ficou para trás? Segundo nossas projeções, sim! Mas a Grande Recessão ainda vai durar. O PIB mundial deve voltar a crescer no terceiro trimestre de 2009. No G10 [europeus ricos, EUA, Canadá e Japão], no último trimestre." De Manoj Pradhan, economista do Morgan Stanley."

"As coisas ainda estão piorando [nos EUA]... O máximo que se pode dizer é que há sinais esparsos de que as coisas estão piorando mais devagar. Algumas das boas notícias não convencem. As mais positivas vêm dos bancos. Mas alguns desses balanços parecem bem esquisitos." Do Nobel Paul Krugman em sua coluna no "New York Times", de quinta, 16. "

Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h24

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Lula abre as asas sobre nós

 
 

Lula abre as asas sobre nós

 

Entre medidas certeiras ou só politiqueiras, governo cria tanto um programa anticrise como um plano de campanha. Esse é o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

A redução do superávit primário do governo central, anunciada na quarta-feira, não tem nada a ver com "medidas anticíclicas". A receita federal de impostos cai. O governo Lula havia contratado aumentos de gastos correntes (como salários do funcionalismo). Não teria como pagá-los sem reduzir a "poupança", o superávit primário do governo. Ou então teria de cortar investimento.

Mas o governo Lula tem tomado um número impressionante de medidas, certeiras ou apenas politiqueiras, de incentivo a setores empresariais, governos regionais etc. Deixando de lado o mérito dessas iniciativas, é importante notar que elas têm imenso efeito político. São muitos e variados setores atendidos, sociais e econômicos (para não dizerem que não comentei as medidas certeiras, ou outro delírio conspiratório qualquer, por favor ler um post sobre o assunto, aqui).

 

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h57

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Lula, "o cara", no "South Park"

Lula apareceu no desbocado e politicamente incorreto desenho animado americano "South Park". Segundo relatos, apareceu retratado de maneira nada realista: Lula não fala nada no desenho que retrata a vida de quatro garotos, famílias e entorno da jequíssima cidade de "South Park". É possível assistir ao desenho clicando aqui.

Abaixo, segue relato sobre o episódio, feito pela Folha Online.

"No episódio que foi ao ar nesta quarta-feira (15), nos Estados Unidos, intitulado "Pinewood Derby", Stan mata um alienígena tido como perigoso. Em seguida, a polícia espacial aterrissa na cidade e pergunta pelo alienígena.

Reprodução
Presidente Lula (à esq.) aparece como um personagem na série animada
Presidente Lula (à esq.) aparece como um personagem na série animada "South Park"; no episódio que foi ao ar ontem (15) nos EUA

O pai de Stan, que está conversando por telefone com diversos líderes mundiais, entre os quais Lula, questiona se alguém viu o alienígena.

Nesse momento, a tela se divide em quatro, mostrando vários políticos que negam ter visto a criatura. O presidente Lula aparece nesse momento no canto inferior direito, sentado com a bandeira do Brasil ao fundo.

A polícia espacial explica que o alienígena é procurado por roubar milhões em dinheiro do espaço, que é logo encontrado pelos personagens. Eles mentem sobre desconhecerem o paradeiro do dinheiro.

A partir daí, o pai de Stan começa a controlar e dividir o dinheiro entre os países do mundo. Diante da ameaça da Finlândia de revelar a verdade à polícia espacial, as demais nações resolvem acabar com o país nórdico.

Em uma nova visita da polícia espacial, os personagens voltam a mentir, com a exceção de Stan. É nesse momento que Lula volta a surgir, desta vez no canto inferior esquerdo da tela, acompanhado de dois assessores. Para manter a história mentirosa, ele solta a fala: "Sem mudanças".

Outros líderes mundiais também podem ser identificados, como o presidente da França, Nicolas Sarkozy, a chanceler alemã, Angela Merkel, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, entre outros.

No fim, a polícia espacial revela que o caso do alienígena procurado não passa de um teste para ver se um planeta é confiável o suficiente para se juntar à Federação dos Planetas."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h38

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Mais delírios do fanatismo lulista

Como de costume, comentários sobre o governo Lula mais uma vez atraíram a ira entre desinformada e fanática do lulismo cego _é uma praga deste universo dito virtual, mas realmente muito carregado de militâncias, seitas e idolatrias.

Como não é possível responder a tantas mensagens, muitas de fato irrespondíveis, gostaria de lembrar apenas que neste blog e na coluna que escrevo na Folha já foram publicados muitos comentários meus sobre as medidas do governo Lula que, em tese ou declaradamente, tratam de atenuar a crise econômica. E, em resumo, se disse o seguinte a respeito das mais importantes (ninguém é obrigado a acompanhar a modesta coluna, mas, se vão despejar sobre o colunista um besteirol fanático em molho de delírio conspiratório, seria recomendável ao menos saber o que se escreve por aqui):

Pareceu correto que o governo tenha, por exemplo:

1) Aumentado e muito os fundos do BNDES;

2) Reduzido o IPI dos veículos, contendo a bola de neve da crise;

3) Lançado o pacote habitacional (com seus subsídios para os mais pobres), embora tardio e com defeitos tais como o de ignorar a própria política habitacional discutida no âmbito do governo;

4) Liberado dinheiro das reservas internacionais para atenuar a asfixia de crédito externo para empresas brasileiras;

5) Criado garantias para empréstimos de bancos menores, os quais financiam negócios como a venda de carros usados e as pequenas e médias empresas.

Porém, aumentar o gasto público corrente em ano de crise (aumentos de salários, gastos com a máquina, financiamento de prefeituras ineficazes e perdulárias etc), não ajuda a conter a crise, deteriora as contas públicas, impede a redução da dívida pública (que custa caro e tira dinheiro de outras finalidades mais úteis), dificulta a redução da taxa de juros etc.

Ter dívida grande com um custo de financiamento alto é uma tolice. O gasto corrente, de resto, no geral apenas transfere dinheiro de um lado para outro, sem efeitos sociais ou econômicos relevantes, quando não transfere dinheiro de mais pobres para pessoas mais bem ajeitadas na vida.

Jamais se condenaram aqui coisas como o Bolsa Família. O aumento do salário mínimo, em si e a depender do reajuste, pode ser conveniente e socialmente relevante, desde que existam meios de financiar a Previdência (que tem seus reajustes, na maior parte, vinculados ao do salário mínimo).

Quanto à redução do superávit primário, o governo apenas está ajeitando seu aumento de gasto à uma arrecadação de impostos menor. Não é para aumentar o investimento, o que seria útil com ou sem crise. Mas o governo investiu em 2008, diretamente, cerca de 1% do PIB. Não deve ser muito diferente este ano. Mas reduziu seu superávit em 0,75% do PIB. Enfim, está reduzindo a poupança para pagar reajustes e outros gastos que, no mínimo, deveriam ser adiados em anos de crise.

 

 

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h24

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"O emprego e a virada do ministro"

 
 

"O emprego e a virada do ministro"

O Brasil ganhou ou perdeu empregos formais em março (empregos registrados em carteira, sob a CLT, segundo os números computados pelo registro Caged, do Ministério do Trabalho)? Foram "criados" 34 mil empregos em março, foi o destaque geral, do governo inclusive (isto é, esse foi o saldo, o número de empregados, menos o de demitidos). Mas, em março de 2008, o saldo foi de 206 mil empregos formais. Este foi o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

Trecho

"De janeiro a março de 2008, o país criou 612 mil empregos formais a mais do que no primeiro trimestre deste ano. Ou seja, 2009 está num vermelho-sangue escuro em matéria de emprego formal.

As indústrias ligadas à produção de veículos, de material de transporte e metalúrgica são dois dos três subsetores que, proporcionalmente, mais demitiram no primeiro trimestre (o outro foi a indústria de materiais elétricos e comunicações)."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h04

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O primeiro pacote eleitoral de Lula

O governo Lula continuou ontem a anunciar o seu primeiro pacote eleitoral para 2010. Trata-se das medidas que desde o início da semana têm sido baixadas com o objetivo de ganhar votos por meio de política politiqueira.

A primeira medida politiquenta havia sido o despacho de dinheiro federal para as prefeituras, que gastaram demais e ora reclamam da queda de repasses federais obrigatórios, que são vinculados à receita de impostos (IR e IPI).

Ontem, soube-se que o salário mínimo vai subir de R$ 465 para R$ 506,50 _ou, pelo menos, é o que o governo propôs. Aumento de 9%, maior que a inflação, que deve ficar em 4%. Num ano em que o PIB deve crescer em torno de zero.

Lula vai reduzir o superávit primário do governo central de 2,15% do PIB para 1,4% do PIB. Diz que é para poder manter o nível de investimentos. É cascata. O governo investiu, diretamente, cerca de 1% do PIB no ano passado. A redução de 0,75 ponto percentual do superávit é para acomodar aumentos de gasto corrente, a maior parte com reajuste de servidores.

Na pauta dos favores, há negociações para dar mais dinheiro a governadores. E renegociações malandras de dívida do setor privado com o governo, coisas estimuladas ou mesmo amplificadas por esses desclassificados do Congresso.

Se o dinheiro do reajuste do funcionalismo e outros aumentos de gasto corrente fosse jogado de um helicóptero sobre as favelas e sertões do país, o gasto seria socialmente mais útil e teria mais efeito na contenção da crise.

Isso para nem falar da pirataria de dinheiro público, como a que vemos no Congresso, nas licitações fraudadas, nos superfaturamentos, nas verbas para ONGs bandidas etc etc.

De mais sério, o governo diz estudar a criação de um fundo garantidor, um seguro, para empréstimos que micro, pequenas e médias empresas tomam em bancos, o que pode reduzir o custo do dinheiro.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 20h52

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"A porteira aberta e o mata-burro"

 
 

"A porteira aberta e o mata-burro"

O governo Lula está abrindo as porteiras do gasto público com o objetivo declarado de manter o PIB crescendo a 2%; mas começa a parecer que, além de abrir porteiras, Lula pode também abolir o mata-burro e liberar gastos à matroca. Como confirmado hoje e comentado na coluna de ontem na Folha, o governo liberou a Petrobras de contribuir para o superávit primário. Mas também dá dinheiro a prefeitos gastadores, renegocia dívidas com o setor privado e negocia "ajuda" a Estados, vai baixar o imposto de mais bens de consumo etc. Ao mesmo tempo que tenta combater a recessão com medidas corretas, Lula começa a embaralhar no pacote de medidas "anticíclicas" iniciativas que tem claro vetor eleitoral, como a compra de votos dos prefeitos.

Assinante lê a íntegra da coluna de hoje na Folha aqui:

Trecho:

"O superávit primário do governo central foi de 1,93% nos 12 meses até fevereiro; o do setor público, de 3,43%. Normalmente, o superávit cai ao longo do ano. Ainda assim, o resultado não foi ruim.

Mas há incerteza sobre a receita de impostos deste ano, por ora estimada em projeções oficiais otimistas sobre o PIB de 2009. Há despesas para ainda entrar na conta do governo, como reajustes de servidores. Quanto desse esforço resultará em contenção da baixa do PIB? O IPI dos veículos teve algum efeito; o plano das casas populares é uma hipótese, se andar. O resto dos gastos tem efeito escasso ou nenhum. Tende a ser mais política politiqueira."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h15

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Sinais de esperança, brotos verdes etc

"Temos visto possíveis ("tentative") sinais de que o agudo declínio da atividade econômica podem estar desacelerando", disse hoje Ben Bernanke, presidente do Fed, sobre os EUA. O "nivelamento da atividade é o primeiro passo na direção da recuperação". Bernanke se diz "fundamentalmente otimista".

Pelo que Bernanke diz, depreende-se que:

1) A economia continua a encolher;

2) Parece, mas é apenas uma possibilidade tentativa (a palavra existe em português), que a taxa de declínio possa ser agora menor (ou, para quem gosta de matemática: que a segunda derivada deve mudar de sinal; que os EUA chegaram ou estão para chegar a um ponto de inflexão);

3) A economia dos EUA ainda precisa chegar ao fundo do poço (ainda não chegou ao seu "mínimo"). Talvez o fundo do poço seja alcançado no segundo semestre, na avaliação das próprias autoridades econômicas dos EUA;

4) Quando chegar, aí ainda passará algum tempo; ninguém, nem Bernanke, sabe quanto tempo;

5) Depois de chegar a esse "mínimo", ainda levará um tempo para a produção voltar ao patamar de 2008, que já não foi muito bom.

Essa declaração, como outras de Bernanke, tem sido vendida como afirmação de que o "pior já passou". O pior não piorou, digamos idioticamente, o que já é alguma coisa, mas é só isso: os EUA não parecem se dirigir a uma depressão. Mas isso ainda bem ruim.

Barack Obama, por sua vez, voltou hoje a falar em "sinais de esperança" ("glimmers of hope") no futuro da economia.

Pode ser que ele esteja vendo coisas, até coisas reais. No mesmo discurso de hoje, disse: "Esta recessão severa ainda vai causar mais desemprego, mais despejos e mais dor antes que acabe".

Por ora, sabemos de coisas assim:

1) Houve novo recuo nas vendas do varejo americano (queda de 1,1% ante fevereiro). O varejo vendeu menos de tudo, com exceção de comida e remédios. No atacado, voltou a deflação, sinal de demanda fraca. No entanto, o "sinal de esperança" do varejo americano no primeiro trimestre é que o resultado foi muito melhor do que o desastroso final do ano passado;

2) Por falar em demanda fraca, a razão entre estoques e vendas ficou em 1,43 em fevereiro, segundo dados oficiais (Departamento do Comércio). Há uma ano, a razão estava em 1,29. Ou seja, as empresas ainda estão com mais estoques do que o "normal", mesmo depois de meses de recessão e tempo para ajustes;

3) Na apresentação do seu balanço, a Philips disse que o primeiro trimestre foi pior do que o quarto trimestre de 2008, e que o segundo trimestre de 2009 tem sido tão ruim quanto o primeiro. O "sinal de esperança" veio da Johnson & Johnson: o lucro trimestral caiu, mas apenas caiu _não virou prejuízo. A Intel disse agora pouco que as vendas de computadores chegaram ao "fundo do poço" no primeiro trimestre. Não especificou se as vendas ficarão por aí mais algum tempo. Mas é um "sinal de esperança".

Mas Obama e Bernanke parecem infinitamente mais razoáveis que as autoridades brasileiras. Lula disse ontem que "50% da crise é pânico". É? Pão quente do forno das notícias ruins: a produção de aço (bruto) no Brasil caiu 42% no primeiro trimestre de 2009 (ante 2008). Em março, a queda era ainda de 41,5% (ante março de 2008).

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h42

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Emprego industrial, só no canavial

A indústria paulista continua estagnada no que diz respeito a empregos. Trabalho novo, só na agroindústria da cana. Quando a indústria paulista ainda se arrastava, em 2006, antes da recuperação, os empregos também só apareciam, desculpem a contradição aparente, no campo.

O emprego industrial caiu 0,2% de fevereiro para março (nos dados com ajuste sazonal).

Na comparação março 2009 x março 2008, a queda foi de 5,3%.

No primeiro trimestre, o emprego industrial encolheu 2,7% (em relação ao início de 2008).

Um índice da FGV que tenta antecipar o resultado da indústria paulista (Sinalizador Industrial) subiu 6,2% de fevereiro para março. Ante março de 2008, houve ainda queda, de 5,4% (mas em fevereiro o tombo havia sido de 17,5%).

Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h48

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Eleição 2010: compra de votos de municípios

Como era previsível, Lula mandou seus economistas soltarem dinheiro para os municípios, que se queixam de perda de receita. Diminuíram os repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), o equivalente a 23,5% da receita federal com IR e IPI, obrigatoriamente enviada às cidades, em cotas mensais. Os repasses caíram porque caiu a receita federal de impotos, por causa da crise (e, em parte menor, devido à desoneração do IPI e do IR).

Sim, a receita caiu, em relação a 2008. Mas, em termos nominais, era de R$ 40 bilhões em 2007 e foi de R$ 51,3 bilhões em 2008 (alta de 28,25%, para uma inflação de 5,9% de 2008 sobre 2007). Outros repasses também tem aumentado (a esse respeito, ver o post "Dinheiro para as cidades cresceu muito" e a coluna "Uma grande compra de votos"). Ou seja, os municípios acham que faz parte da natureza a receita crescer indefinidamente. Aliás, municípios que muitos deles não têm receita, não cobram IPTU ou ISS em suas cidades (muitas vezes porque não querem), gastam demais em burocracia etc.

Agora, o governo Lula deu uma "indexada" nos repasses, e pretende mantê-los no mesmo nível do verificado em 2008. Isto é, o governo chancela o aumento crescente de gastos permanentes dos governos municipais (caso não sejam permanentes, podem ser temporariamente suspensos. É o que todo mundo deveria fazer em períodos de crise). É um disparate em si mesmo e, para piorar, ajuda a difundir a impressão de que o governo "liberou geral" e relaxa o controle de gastos.

Enfim, é um jogo político: trata-se de comprar os votos dos prefeitos, cabos eleitorais de 2010. Não é por menos que Dilma Roussef teve papel decisivo na liberação de dinheiro para as cidades. 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h25

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"A Bovespa e os bancos americanos"

 
 

"A Bovespa e os bancos americanos"

Balanços e auditoria de bancos nos EUA podem detonar dias de "realização de lucros" e volatilidade na Bolsa até maio. Esse é o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

Trecho:

"Quem se ocupa das idas e vindas da Bolsa no curtíssimo prazo já se pergunta até onde vai o atual estirão do Ibovespa. Por curtíssimo prazo entenda-se o período que vai até maio. Não há meios de prever o que será da Bolsa nem no "longo prazo" (no Brasil, um ano), que dirá daqui a dois meses. Mas, até maio, estão agendadas notícias que podem balançar o coreto.

...

Enfim, sejam "bons" os balanços de bancos, maquiados ou não, quem comprou no boato venderá no "fato", derrubando a Bolsa? Por quanto tempo?"


 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h12

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Um trimestre perdido, mas despiora

Saíram alguns dos principais indicadores que permitem uma estimativa mais ou menos confiável da atividade industrial de março (aqueles números setoriais de março que apontam o que deve ter sido a produção industrial medida pelo IBGE para março, que sai mais tarde).

O tráfego de veículos pesados nas estradas cresceu 0,6% sobre março de 2008 (o número é calculado pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias, ABCR, e pela consultoria Tendências). A carga de energia cresceu 1,32%, segundo dado do Operador Nacional do Sistema (ONS, que controla os despachos de energia pelo país). O volume de vendas de papelão ondulado caiu 2%, também sobre março de 2008 (dado da Associação Brasileira de Papelão Ondulado, ABPO). A Anfavea havia informado que a produção de veículos caíra 4%, na mesma base de comparação.

Desde fevereiro, tais indicadores vêm mostrando tímida reação "na margem", mês a mês (com exceção de veículos, que teve alta maior, mas sobre uma base de comparação catastroficamente baixa). Isso, em suma, quer dizer, que a produção industrial cresce timidamente num patamar muito baixo. Porém, de dezembro de 2008 a fevereiro passado todos esses números haviam sido negativos, na comparação anual. A coisa despiorou um pouco, em março. Mas a produção deve ter ficado ainda bem abaixo daquela verificada em março de 2008.

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h39

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"Fé, esperança e caridade"

 
 

"Fé, esperança e caridade"

A coluna de domingo relata alguns dos infortúnios dos americanos com os despejos e a falta de moradias no país mais rico do mundo, e duvidas sobre o otimismo de Obama. Assinante lê a íntegra do texto aqui.

Trecho:

"Americanos pobres se mudam para casas vazias pelo despejo da crise imobiliária. Muitos dos ocupantes ("squatters") recebem para tanto apoio de associações de sem-teto e movimentos de direitos civis. Uma das associações mais radicais, o "Take Back the Land" ("Tome a Terra de Volta"), só de negros, tem como símbolo um punho fechado sobre um mapa verde da África e propõe ações parecidas com as do MST. A "Coalizão Nacional dos Sem-Teto" diz que há mais de dez grupos nacionais que auxiliam as "ocupações"."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h01

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"Juros, BB e o BBB de Lula"

 
 

"Juros, BB e o BBB de Lula"

Forçar a barra para baixar os juros em bancos estatais é uma das medidas recentes que mostram a desorientação do governo. Foi o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui

O governo havia tomado boas medidas para conter a avalanche da crise: subsidiar casas para pobres, emprestar a empresas dólares das reservas, garantir o crédito de bancos menores, colocar mais dinheiro no BNDES. Mas o caso do BB, a distribuição de dinheiro público via renegociação de dívidas e achar que o IPI reduzido pode fazer mágica em todos os setores, tudo isso parece desespero e politicagem.

Trecho:

"O governo quer forçar BB e CEF a emprestar mais e a juro menor. Desde outubro de 2008, início da crise, a fatia dos bancos públicos no total de crédito subiu. Até então andava em torno de 34%. Agora está em 37%. É uma mudança forte. Os estatais têm mais gás?

O governo imagina que, se BB e CEF emprestarem mais, a custo menor, tiram mercado dos bancos privados, que seriam obrigados a reagir. Os bancos privados já abriram mão de mercado em troca de rentabilidade e de segurança. De quanto teria de ser o avanço de BB e CEF para a banca privada emprestar mais e a custo menor? Os estatais, como qualquer banco, têm fundos limitados e não podem ficar no vermelho. Mas correriam mais risco de "seleção adversa": de dar mais empréstimo a mais gente sem condição de pagá-lo, risco que os bancos privados tentam evitar."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 22h10

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Dinheiro para cidades cresceu muito

Amir Khair mostra o forte aumento do repasse do Fundo de Participação dos Municípios (inclusive em valores per capita), na tabela abaixo.

Numa coluna na Folha e neste blog, argumentei do mesmo modo, com dados diferentes:

"Ajudar, sem mais nem menos, as prefeituras a cobrir rombos não faz sentido social, incentiva descontroles financeiros e deve causar mais rombos na conta do governo federal. Tanto oposição como governo estão inventando meios de compensar a perda de arrecadação de prefeituras, que viram cair o repasse do Fundo de Participação dos Municípios. Mas os municípios são ineficientes e estavam gastando, por conta, o equivalia apenas a uma alta provisória de arrecadação. Agora que os aumentos fortes de receita do ano passado caíram, querem que o governo federal pague as contas. Não dá. Pelo menos, não dá em regra, nem facilmente. Esse foi o tema da coluna de domingo na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui."

Khair, engenheiro, consultor de finanças públicas, foi secretário das Finanças da Prefeitura de São Paulo no governo de Luiza Erundina, então no PT (1988-92).

Escrito por Vinicius Torres Freire às 20h53

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Bolsa, confusão global e o bico da galinha

De junho de 2008 a janeiro deste ano, os estrangeiros tiraram R$ 25,9 bilhões da Bovespa (saída líquida: entradas menos retiradas). Em fevereiro e março, o saldo ficou positivo em R$ 2 bilhões, segundo dados da corretora Geração Futuro. Os estrangeiros ficaram com cerca de um terço da Bolsa nos últimos 12 meses (mas já foram 50%). Logo, seu retorno ainda tímido ajudou a tirar a Bolsa do patamar enjoado de 37 mil pontos. A baixa na taxa de juros "básica" no mercado deve ter dado força à migração para a renda variável (ações).

Enquetes com investidores estrangeiros indicam que o mercado brasileiro, por ora, parece um dos mais atrativos, em meio ao desastre geral pelo mundo. Ao que parece, os investidores estrangeiros decidiram rearrumar suas carteiras para o primeiro trimestre e vieram para cá. O fluxo será contínuo? Quem tivesse tal informação, não a daria; talvez nem a vendesse.

O fato é temos visto "febres terçãs" no mercado. Pelo menos a cada rodada trimestral de balanços americanos, as Bolsas corcoveiam e acabam tombando. A partir de meados deste mês, começa a nova temporada de febre e volatilidade, indas e vindas que já duram mais de ano e meio. Mesmo que esta temporada de balanços seja mais tranquila, com as Bolsas americanas não perdendo muito ou ficando estáveis, isso ainda não deve ser garantia de "fundo do poço". Ao menos a julgar pela opinião de muito analista e economista de peso.

Há sinais de que a economia americana piora mais devagar ("cai a taxas decrescentes"), indício de que o fundo do poço da economia real estaria próximo. Assim, reza a lenda, os mercados estariam como sempre antecipando a chegada ao fundo do poço e aproveitando para comprar papéis ainda baratos. Porém, dizem tais analistas e economistas, a promessa de retomada breve da economia pode ser uma ilusão: haveria um calombo medíocre de indicadores melhores, com mais quedas à frente.

A bicada da galinha

Essa é a conversa. Mas mercados são tão previsíveis como o local onde uma galinha vai dar a próxima bicada, quando está ciscando. De resto, ainda ninguém sabe o que será do plano de "recuperação" da banca americana. Estão permitindo que bancos maquiem seus balanços (dando cabo da marcação a mercado para muitos ativos), o governo promete subsídios pesados para a liquidação de ativos tóxicos etc. Logo, há uma oferta de injeção de droga na veia. Pode ser tudo "fake", mas a mágica pode sustentar uma corrida altista no mercado.

Mas pode dar tudo errado, pode ser que descubram novas podridões bancárias, pode ser que o desemprego e novos calotes abram mais buracos nos bancos, pode ser que o truque da equipe de Obama não funcione etc etc. E o caldo pode entornar de novo. Portanto, o ambiente é ainda o de mais cautela do que a habitual quando se trata de Bolsa.

Complicadores brasileiros

E, para complicar, é bom pensar em alguns dos fatores que ajudam a levar a Bovespa para cima e para baixo:

1) O Ibovespa é pesadamente influenciado por preço de commodities e correlatos: Petrobras, Vale, siderurgia etc. O preço das commodities costuma variar com as indas e vindas do dólar: se o dólar cai, se o mercado percebe risco de inflação do dólar e coisas assim, tende a haver uma valorização das commodities, como o petróleo. Então, sobe a Petrobras, sobe o Ibovespa _em geral, não se trata de lei;

2) Mas piora nas perspectivas da economia "real" do mundo também influenciam o preço de commodities. Logo, resultados ruins do PIB mundial ou perspectiva de demora na recuperação global derrubam as commodities. Logo, Petrobras, Vale e siderúrgicas etc caem, derrubando o Ibovespa _em geral, repita-se, não se trata de lei;

3) Uma recuperação mais rápida da economia brasileira pode trazer mais investidores para cá, assim como a queda dos juros leva mais gente a trocar renda fixa por renda variável (ações). Mas tremeliques econômicos lá fora determinam mais o Ibovespa que os nossos "fundamentos econômicos" (a saúde da economia real e das contas públicas).

Portanto, além do sobrenatural de almeida e do aleatório, os fatores que influenciam a Bolsa podem ter peso diferente a cada momento. Por fim, estamos falando aqui apenas do Ibovespa. Para quem lida com ações específicas (e não com o índice e com fundos), a avaliação é ainda mais complicada.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h39

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Comida ainda cara, indústria barata

IPCA: baixo, mas alimentos ainda caros

A crise (desemprego) deve ter corroído a popularidade de Lula, decerto. Mas a persistência de aumentos no preço médio da comida de pelo menos 10% (taxa anual), desde agosto de 2007, deve estar batendo no humor das pessoas de renda mais baixa, que gastam muito da renda com comida. Em junho do ano passado, o aumento anual chegou a 16%. Vide gráfico abaixo.

O IPCA, o índice "oficial" de inflação, foi de 0,2% em março. No acumulado de 12 meses, o IPCA ainda está em 5,6%. Tende a ficar abaixo da meta de 4,5% no final do ano, mas baixa lentamente. Alimentos e bebidas ainda pesam muito no índice e, em 12 meses, a inflação nesse grupo ainda está em estratosféricos 9,3%. A de serviços, em 6,8%. Sem alimentos & bebidas, a inflação em 12 meses estaria em 4,6%. Na meta.

 

Indústria: baixa

O nível de emprego caiu na indústria, de janeiro para fevereiro, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI) anunciou ontem. É o quarto mês de baixa. A capacidade ociosa continua em patamar muito baixo, mais de cinco pontos percentuais abaixo do registrado em fevereiro de 2008 (queda igual à de janeiro). O faturamento real caiu 10% em relação a fevereiro de 2008.

Isto significa que a massa salarial da indústria deve cair e que não vai haver retomada de investimento tão cedo.

IGP-M: muito baixo

Outro sinal de indústria fraca, saiu hoje a primeira prévia do IGP-M, de abril: "deflação" de 0,53%. Um dos componentes desse índice da FGV, o de preços no atacado industrial (IPA industrial) caiu ainda mais 1,19%. Está sobrando produção.

Safra: baixa

A produção agrícola deve cair uns 6,5%, segundo o IBGE. Para piorar, tende a ser uma safra menos menos produtiva. Caiu muito a compra de insumos agrícolas. Para a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a safra cai menos, mas ainda cai: 4,5%.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h04

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"Navalha nas carnes"

O agronegócio exportador foi um dos grandes avariados pela especulação com o câmbio (com "derivativos tóxicos"). Ganharam dinheiro enquanto a aposta deu certo. Quando a maré virou, tomaram prejuízos enormes. Na prática, tinham transformado suas tesourarias quase em fundos de hedge especializados em câmbio. Fazendo só uma posta, e aposta direcional, e aposta sem limite de perdas. Em resumo, estavam vendendo opções (ou fazendo coisa assemelhada), coisa que só instituição financeira sabe fazer _e só instituições financeiras conseguem fazê-lo diversificando riscos.

As empresas quase quebraram e fazem fila na porta do BNDES, que já ajudou a baratear a fusão Votorantim-Aracruz, e pode ajudar os negócios entre Sadia e Perdigão e o da compra da Santelisa pelo grupo Dreyfus. O BNDES também deve ajudar os frigoríficos.

Esse é o tema da coluna de hoje na Folha, que assinante pode ler na íntegra aqui.

Trecho:

"A Santelisa é uma grande empresa. Ainda não está certo se o BNDES vai colocar mais dinheiro no negócio, via participação ou empréstimos (o banco já é sócio da Santelisa). Não se sabe se e em quanto o BNDES vai baratear o negócio, como o fez nos casos Votorantim Aracruz e Oi Brasil Telecom.

Mas é bem difícil estimar o rendimento real das operações do banco, pois é difícil estabelecer um padrão de referência de ganhos "econômicos e sociais" ou o rendimento de investimentos alternativos. É um desperdício "econômico e social" deixar que grandes empresas quebrem. O problema é o da propriedade de perdas e ganhos. O dinheiro do BNDES, o emprestado ou o aporte de capital, é sempre o mais barato da praça."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h05

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Sachs: como um banco pode roubar os EUA

 
 

Sachs: como um banco pode roubar os EUA

"O plano Geithner-Summers é ainda pior do que se imaginava", diz o economista Jeffrey Sachs a respeito do plano de compra subsidiada de papéis podres lançado pelos economistas de Barack Obama. Diz que o pacote pode transferir centenas de bilhões de dólares do contribuinte para os bancos.

O texto está no Huffington Post e pode ser lido clicando aqui.

Sachs chuta abaixo da cintura. A primeira hipótese do economista é que os bancos vão simplesmente roubar o dinheiro oferecido pelo governo. Uma das pernas do plano permite que um fundo "público-privado" compre dívidas podres dos bancos: o governo empresta até 85% para financiar a compra e entra com 7,5% da aquisição. A parte "privada" da parceria entra com 7,5%. Sachs diz que o braço de um banco pode vender os papéis para um outro ramo da holding financeira: pode vender para si mesmo, e a preços superfaturados. Digamos que absolutamente superfaturados, no caso de papéis que não valem nada.

O braço da holding que comprou os papéis, financiado pelo governo, daria calote e não pagaria nada. O braço da holding que vendeu os papéis ficaria com 92,5% do valor da venda de papéis que não valiam nada. No final das contas, a holding ficaria com dinheiro vivo, 92,5% do valor nominal do papel que, no mercado, não valeria nada. O Tesouro americano perderia um monte.

Em tese, pelo que foi revelado do pacote, é possível que tal coisa aconteça. Mas não é possível que o pessoal do Obama seja tão idiota ou tão picareta a ponto de permitir uma coisa dessas.

Paul Krugman levou a sério a hipótese de Sachs, em seu blog. "Não está claro se existe um mecanismo para policiar tais negócios. E a sensação de que o governo [Obama] está muito próximo de Wall Street continua a crescer", diz o economista Nobel e colunista do "New York Times".

Mas Sachs levanta outras hipóteses mais razoáveis de rolo, que muita gente já viu. Um banco não precisa comprar papéis podres de si mesmo. Pode combinar com outro banco e fazer uma operação casada (ainda assim muito evidente) _seria como dois senadores brasileiros combinarem de um contratar a mulher do outro a fim de evitar acusações de nepotismo.

Sachs diz que o sistema de liquidar bancos e dividi-los em "banco ruim" e "banco bom", como mais ou menos foi feito no Proer brasileiro, seria uma boa solução.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h50

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Nova ordem mundial de mentiras

 
 

Nova ordem mundial de mentiras

Muito bom o artigo de Marcos Nobre, hoje na Folha. O professor de filosofia na Unicamp, pesquisador do Cebrap e colunista da Folha fez uma avaliação cética no ponto sobre cúpulas e "nova ordem mundial". Assinante lê a íntegra do texto aqui.

Trechos:

"Espetáculos midiáticos como a reunião de clube do G20 servem para dar a impressão de que há algum tipo de controle sobre a situação. Indicam só muito vagamente o sentido das negociações globais por novas formas de regulação. Não apenas porque os países presentes à reunião estão tão perdidos quanto qualquer pessoa que teme por seu emprego. Também porque os mecanismos de negociação internacional disponíveis não estão à altura da crise.

O FMI só não desapareceu porque é grande demais para ser extinto. A OMC é hoje um tribunal de pequenas causas do comércio mundial. E a ONU tornou-se um gigantesco apêndice disfuncional de seu Conselho de Segurança. De seu lado, o presidente Obama insiste em ser um "cara legal". Mas em nenhum momento pretende abrir mão de que o dólar seja a moeda de referência internacional. Não pretende de modo nenhum enfraquecer a hegemonia norte-americana."

"Disclosure": Marcos Nobre é amigo de longa data deste blogueiro. Mas obviamente não é por isso que o artigo dele desta semana na Folha está aqui.

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h48

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Lula, Sarkozy e Obama, "tudo" a ver

"Em vista do estado patético da oposição socialista, é difícil ver que preço, se algum, Sarkozy pagará por seu histórico na Presidência. Mas esse estilo de governar (essencialmente uma campanha eleitoral, e não um governo) praticamente assegura que quase nada de real importância será realizado.

Em recente entrevista coletiva, o presidente americano Barack Obama comentou abominar fazer comentários precipitados sobre questões de grande relevância pública antes de ter absoluta certeza de conhecer o assunto em questão _e antes que tivesse segurança de sua opinião sobre o tema. Muitos franceses desejariam que tal autodisciplina pudesse contaminar Nicolas Sarkozy."

Lula e Sarkozy? "Tudo" a ver. O trecho acima é do artigo "Os limites do bonapartismo", de David Rieff, publicado hoje no jornal "Valor" _as frases foram negritadas por este blogueiro. Assinante pode ler o artigo na íntegra aqui.

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h31

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"A crise chega à poupança"

 
 

"A crise chega à poupança"

Depois de trimestres contínuos de crescimento, de junho de 2006 a fevereiro de 2008, a poupança teve mais saques do que depósitos, na média do primeiro trimestre deste ano. Isto é, a crise chegou às cadernetas de poupança. O saldo de captação foi positivo durante todo o estirão do crescimento do PIB. Agora, desanda. Foi o tema da coluna de hoje na Folha, que pode ser lida na íntegra aqui, pelos assinantes.

Trechos:

"As pessoas estão tirando mais dinheiro da caderneta de poupança.
Para onde o dinheiro vai? Vira "seguro-desemprego" privado? Paga contas da pequena empresa, que está faturando menos? No ano passado, durante o tumulto da explosão da crise, era comum ouvir em bancos e empresas que pequenos e médios empresários estavam sacando dos fundos a fim de pagar contas.
Sim, como dizem os economistas, trata-se de uma "evidência anedótica", e há pouca pesquisa sobre a vida dos negócios menores. Mas poupança no vermelho não parece um indício de que a vida vai bem.

Em cada mês de setembro de 2006 a março de 2008, os depósitos superaram os saques (a "captação líquida" foi positiva). Foi o período "no azul" mais longo da poupança desde 1995, o primeiro ano inteiro depois do Plano Real. Foi também o período do estirão do PIB.
Em abril de 2008, foi sacado R$ 1,8 bilhão (para um saldo, no mês anterior, de R$ 242,6 bilhões). Em março de 2008, houvera o primeiro grande remelexo visível da crise, com a quebra do banco de investimentos Bear Stearns e outras notícias assustadoras que tiveram repercussão na mídia de público mais amplo. Mas as pessoas voltaram a depositar e, mesmo em outubro de 2008, depois da explosão da bomba atômica financeira em Wall Street, o saldo negativo foi de apenas R$ 284 milhões.
Neste ano, a poupança ficou no vermelho em janeiro e em março. No ano, a "captação líquida" está negativa em R$ 582 milhões (para um saldo total de R$ 274,7 bilhões). É o primeiro trimestre de captação líquida média no vermelho desde junho de 2006. Não deve ser por acaso."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h10

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A economia despiora, devagarinho

O pessoal da Anfavea, a associação dos fabricantes de veículos, acha que vai produzir 4% menos este ano (sobre 2008). Uma projeção ruim. Mesmo com o IPI menor até junho. A projeção está baixa ou "baixada" por que não querem que o governo mude de ideia sobre o desconto do IPI? Ou estão pessimistas mesmo?

A produção de veículos ainda foi ruim no primeiro trimestre (somando tudo: automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus etc). Caiu 16,8% do primeiro trimestre deste ano ante o primeiro de 2008. Mesmo com o bom março, a produção de veículos caiu 4% em relação ao mesmo mês do ano passado. Isto é, a Anfavea está dizendo que março indica o que deve ser o resto do ano.

De qualquer modo, na comparação com o resto do mundo, uma queda de 4% vai ficar "barata". Nos EUA e Europa estamos vendo horrores como quedas de 30% a 40%. Só a China e a Índia escapam. A queda nas exportações brasileiras de carros, estimada pela Anfavea em 32% para este ano, vai ajudar a estragar a produção doméstica. O colapso global traga o país.

Quanto à astrolometria semanal: na média, os analistas financeiros ouvidos pelo Banco Central (Boletim Focus) estimam que o PIB encolherá 0,2% em 2009 (faz um mês, esperavam alta de 1,2%).

A projeção para o IPCA (no Focus) já está abaixo da meta (4,26%), e caindo. Continua a deflação no atacado, nos produtos industriais e agrícolas. Bom para a inflação, juros, para a política monetária. Mas sinal de demanda fraca, muito fraca.

Segundo pesquisa da FGV, 17,8% dos empresários acreditam que ainda têm estoques altos demais em relação à presente demanda. No dezembro de 2008, mês do colapso, essa era a opinião de 21% dos empresários. Ou seja, melhorou, mas não muito, pois dezembro foi muito horrível. E a construção civil e o pessoal de máquinas ainda estão estocados demais.

Ainda não saíram muitos indicadores coincidentes da produção industrial. Mas, por ora, com o que já saiu, daria para estimar que a produção de março ainda deve ter recuado uns 10% (em relação a março de 2008).

Para terminar num tom otimista: ok, as notícias ainda não são alentadoras, mas para quem já tem certa idade (ou é ao menos quarentão, como este colunista), as coisas não parecem tão ruins no país, dado o tamanho do desastre global. Não houve explosão da dívida pública, os juros caem em meio ao tumulto, a desvalorização do real foi controlada, não vamos ao FMI, a distribuição de renda está um tico melhor etc.

Já vimos horrores piores: 1980-83, 1990-92, 1998-99, 2001-02.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h02

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"Uma grande compra de votos"

 
 

"Uma grande compra de votos"

Ajudar, sem mais nem menos, as prefeituras a cobrir rombos não faz sentido social, incentiva descontroles financeiros e deve causar mais rombos na conta do governo federal. Tanto oposição como governo estão inventando meios de compensar a perda de arrecadação de prefeituras, que viram cair o repasse do Fundo de Participação dos Municípios. Mas os municípios são ineficientes e estavam gastando, por conta, o equivalia apenas a uma alta provisória de arrecadação. Agora que os aumentos fortes de receita do ano passado caíram, querem que o governo federal pague as contas. Não dá. Pelo menos, não dá em regra, nem facilmente. Esse foi o tema da coluna de domingo na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

Trechos:

"Oposição e governo planejam leis estrambóticas a fim de compensar a queda de receita e agradar aos prefeitos, bons cabos eleitorais em cidades pequenas. Faz sentido? É mito que a pobreza esteja associada ao tamanho do município.

Desde 1995, o total das transferências para Estados e municípios só não cresceu mais que a receita federal em um ou outro ano recessivo. A tendência é de alta forte e quase constante. Em 1995, Estados e municípios levavam 2,5% do PIB. Em 2008, devem ter levado 4,6% do PIB. No biênio bom de 2007-2008, tais transferências cresceram ao dobro do ritmo do PIB.

Os municípios reclamam que, em termos reais, o repasse do FPM caiu 6,4% no primeiro trimestre de 2009 (ante 2008). Estavam mal acostumados. Em 2008, o aumento do repasse do FPM foi de quase 20%, em termos reais. Em 2007, de 8,5%. Se reclamam é porque comprometeram a receita adicional com despesa permanente. Se não o fizeram, basta apertar o cinto. O país está em crise.

Mais despesa municipal não significa mais gasto "social". De 1985, reestreia do governo civil, a 2008, o número de municípios foi de 4.085 para 5.565: 1.480 municípios e gastos novos com burocracias. "Elites" locais, parentelas e clientelas levam o dinheiro, em gasto improdutivo.

Cerca de 77% das cidades têm menos de 25.000 habitantes. Contam com mais de 23% do eleitorado. Parece pouco, mas trata-se de um eleitorado "capilarizado". Difícil fazer campanha em todos esses 4.272 municípios. Comprar a boa vontade do prefeito pode poupar, para comitês de campanha, viagens das "caravanas da cidadania" ou coisas assim."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h21

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Algumas boas notícias, para variar

A economia ainda está em retirada, mas apareceram alguns atenuantes da desgraceira.

1) As vendas de veículos no primeiro trimestre ficaram 3% das registradas no primeiro trimestre de 2008. Não dá para saber, claro, quanto disso foi antecipação de compra devida ao temor de que o desconto do IPI fosse extinto. De resto, trata-se de vendas no mercado doméstico, não de produção.

Mas, mesmo assim, a redução de impostos foi bem sucedida e muito importante. Caso a indústria automobilística repetisse a derrocada de dezembro, haveria um pânico e a crise ganharia mais força: haveria demissões em massa, arrastando rapidamente outros setores, haveria mais pessimismo. A decisão de baixar o IPI conteve essa degringolada.

2) A carga de energia teve um ligeiro aumento ante 2008, diz o ONS (Operador Nacional do Sistema, o gerenciador privado dos despachos de energia pelo país). Não é um dado tão preciso como a carga na antecipação do desempenho da economia, mas pelo menos não foi negativo de novo.

3) O Banco Central começou a fazer leilões de dólares sem carimbar o destino dos recursos. Isso vai facilitar o financiamento de empresas (comércio exterior, renegociação de dívidas etc) e vai diminuir a pressão sobre a oferta de crédito doméstico, talvez aliviando um tico os juros para empresas.

4) A inflação do atacado está abaixo de zero no ano. Os IGP-Ms estão abaixo de zero também;

5) O déficit em conta corrente está contido.

6) Há algum interesse por ativos brasileiros _quer dizer, o interesse ressuscitou e saiu da casa dos mortos. Não é lá grande coisa e é um dado volátil. Mas a contenção do déficit externo em limites razoáveis e a volta de algum investimento em carteira evita degringoladas maiores do dólar, eliminando um problema para a política monetária (de juros, que podem, assim, ser menores).

Não, não se trata da "recuperação". Mas, até janeiro, a crise era um caminhão desgovernado descendo a ladeira, sem freio algum. O fato de ter sido represada, em parte, impediu que os fatores negativos ganhassem ainda maior impulso.

Há indicadores péssimos. A indústria no primeiro trimestre ficará muito abaixo de zero. As exportações continuam a cair à base de 20% ao mês (contra mês idêntico do ano anterior). O crédito do sistema financeiro privado encolhe (o estoque de crédito só não cai devido ao aumento de empréstimos no setor público, que não terá capacidade de "cobrir a diferença" durante o ano inteiro).

Mas, no fim das contas, apesar dos muitos mortos e feridos, se conseguiu empatar a guerra. Poderia ter sido muito pior.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h47

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"Erros, mentiras e omissões do G20"

 
 

"Erros, mentiras e omissões do G20"

A reunião do G20 poderia ter sido um fracasso, mas não foi um sucesso. As mentiras foram várias, algumas vergonhosas, e houve omissões sem vergonha.
Não há pacote de US$ 1,1 trilhão. Não houve, talvez nem pudesse haver por lá, ideia prática a respeito do que fazer da podridão bancária. Não houve acordo nem sobre como deverá ser discutido o problema de bancos que criam crises e quebram de modo transnacional, mas são mal e mal fiscalizadas e socorridas por

governos nacionais, como hoje. É o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler aqui.

Trechos:

"Prometeram punir paraísos fiscais que não abrirem as contas de bancos e clientes picaretas ("A era do segredo bancário acabou"). Vão acabar com a Suíça? Disseram ainda que vão regular as agências que dão notas para a qualidade de crédito (como S&P, Moody's e Fitch), cúmplices da mentira de que o papelório ora podre era quase à prova de calote. Não adianta nada, se não houver punição para essas agências.

Há confusão geral sobre como se chegou ao "US$ 1,1 trilhão". Há certeza sobre o fato de que não há US$ 1,1 trilhão. Houve um acordo para que os países coloquem até mais US$ 500 bilhões no FMI. Parte desse dinheiro já havia sido ofertada pelo Japão no ano passado e, para piorar, o programa começa com US$ 250 bilhões. Os EUA devem bancar parte relevante do dinheiro novo -não se sabe quanto.

Ademais, o FMI vai poder "imprimir" US$ 250 bilhões de sua "moeda" (equivalente a uma cesta de dólares, euros, libras, ienes) Houve acordo para colocar mais US$ 100 bilhões em instituições financeiras multilaterais, tais como o Banco Mundial e seus equivalentes continentais, como o BID, da América, que emprestam a países pobres.

O braço financeiro do Banco Mundial (IFC) deve oferecer, diz um dos anexos do "communiqué" do G20, US$ 50 bilhões para financiar o comércio mundial (empréstimos que pagam antecipadamente a produção e/ou venda de exportações). Isso nos próximos três anos e com "significativo apoio do setor privado". Por ora, os países arrumaram apenas de "US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões". Os US$ 250 bilhões do comércio são puro "wishful thinking"."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h15

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Pessimismo com angu de caroço

 
 

Pessimismo com angu de caroço

A economia daqui e lá fora começou a despiorar? Pode bem ser.  Mas se você cair do 20º degrau da escada para o 1º e então voltar ao 2º, também pode dizer que subiu. É aí que estamos, na melhor das hipóteses. A coluna de hoje trata disso. O assinante pode lê-la na íntegra aqui.

Trechos:

"Algumas da últimas notícias econômicas têm sido ligeiramente melhores do que o esperado, o que decerto aconteceria em algum momento (na média, enfim, metade das notícias deveria ser melhor do que o esperado). Na maior parte dos casos, mostra que as coisas estão piorando mais devagar, mas não seria surpreendente que nós víssemos uma alta na produção industrial dentro de alguns meses, com o fim de um ciclo de queima de estoques."
Não se trata do Brasil. Isto é Paul Krugman, o Nobel de Economia. "[Se a indústria crescer nos EUA] isso não significará que o pior já passou. Houve uma pausa no início de 1931, e muitas pessoas passaram a respirar melhor. Estavam erradas. Até agora, não há nada que indique uma virada fundamental neste ano, ou no próximo, ou, aliás, até onde a vista alcança", completa Krugman.

O nosso primeiro trimestre passou em branco no que diz respeito à "recuperação". Um ou outro indicador despiorou. Mas a produção industrial de fevereiro ficou 17% abaixo do que era em fevereiro de 2008. O estoque de crédito cresceu a 0,15% ao mês no primeiro bimestre, contra 2,3% na média de janeiro a setembro de 2008, antes da crise (ritmo insustentável, mas muito maior). O valor das exportações no trimestre inicial deste ano foi 20% inferior ao do início de 2008. De outubro de 2008 a fevereiro de 2009, o mercado formal deixou de criar 1 milhão de empregos (na comparação com o período anterior idêntico). O governo quase não tem como gastar mais sem fazer besteira maior. Inflação e déficit externo se comportaram, mas isso se deveu ao corretivo amargo da estagnação."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h43

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A era das revoltas reduzidas

Moça ferida durante manifestação em Londres. Foto Stefan Wermuth/Reuters

Havia 4 mil manifestantes "anticapitalistas" fazendo hoje um sururu no centro bancário de Londres, por causa da crise, do G20 etc. De polícia, eram 5 mil. Havia mais fotógrafos do que manifestantes mais exaltados. Os que estavam diante das câmeras, aliás.

Para a maior crise em décadas, 4 mil não parece ser um número muito animador para quem é adepto da rebelião.

Desta vez, os "anticapitalistas" (até outro dia chamados de "antiglobalistas") vandalizaram um banco, o Royal Bank of Scotland, socorrido pelo governo depois de fazer muita lambança. Até 2001, os "anticapitalistas-globalistas" quebravam janelas e luminosos do McDonald’s, coisa que jamais entendi. Quebrar lojas de sanduíches baratos? É coisa da esquerda que trata de ninharias periféricas, do "poder das marcas", que quase nada tem a dizer sobre o mundo real e se ocupa de "guerras culturais" de baixo impacto, de fóruns sociais em que fazem pajelanças, danças com índios, queimam ervas, se fantasiam de "planeta", "abraçam a floresta" e outras juvenilias.

Os "anti" alguma coisa jamais demonstraram que tinham ideia remota do pepino real. Nem mesmo vandalizaram Wall Street, nos dias da bonança ou agora. Mesmo que fosse uma atitude tola, ao menos teriam acertado o alvo. Depois de 11 de setembro de 2001, tais protestos quase desapareceram.

Um sujeito morreu nessa bobagem londrina de hoje. Seria obviamente muito melhor juntar 1 milhão de pessoas nas ruas, sem vítimas. Mas a política parece morta, e os "anti" qualquer coisa não têm nada a dizer que comova a massa comum dos mortais.

Menos noticiado, operários de uma empresa de autopeças mal das pernas, a Visteon, ocuparam três fábricas também no Reino Unido. É uma caricatura do passado, entre outros motivos porque a economia britânica faz muito deixou de ser industrial.

Um dia haverá uma revolta operária na China? Na Índia? Nos vizinhos? Como se dizia antigamente, é lá que está a "revolução".

 

Manifestantes em Londres, em protesto devido à reunião do G20, no

no centro financeiro da cidade. Foto (esq.): Ben Stansall/France Presse.

Foto (dir.): Adrian Dennis/Reuters

 Ciclista protesta contra a poluição ontem em Bogotá, Colômbia. O que tem

a ver? Ora, é também um protesto. Foto de John Vizcaino/Reuters.

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 22h36

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Bestas do apocalipse e o G20

Alemães e franceses se juntaram para amolar os americanos. A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, deram coletiva juntos para exigir (sic) "resultados concretos", normas duras para a banca global e paraísos fiscais (Suíça, Luxemburgo e cia. inclusive? Mistério).

Nada disso, claro, se resolve antes ou durante "cúpulas". Isso é só política. Mas é política. Como pode sair algo disso? Mistério. Para falar a sério de regulação firme, é preciso criar instituições internacionais com algum poder de polícia sobre instituições financeiras de base nacional, mas muito transnacionais na atuação. Ok. Então Barack Obama vai voltar para casa e dizer a Tim (Geithner), a Larry (Summers) e, pior, à banca americana, que vai ter de rolar algum cabresto internacional sobre financistas baseados nos Estados Unidos? Uhm.

Que tipo de cabresto? Considerem o cabresto frouxo da Organização Mundial de Comércio (OMC). Decerto contém as partes, evita avanços protecionistas e gambiarras excessivas no comércio internacional. É um "acordo de cavalheiros", meio furado, mas um acordo (e apenas um acordo). As penalidades da OMC são meio ignoradas e para inglês ver. No caso das finanças, um negócio assim não funciona. É preciso, primeiro, poder de fiscalização internacional efetivo, uma CVM mais um BC de fato transnacionais. Segundo, é preciso muito dinheiro para tapar os eventuais rombos _um fundo bancário internacional.

Os americanos vão aceitar tal coisa? Os banqueiros americanos, que ficaram exaltadíssimos com a limitação de bônus? A mesma banca, que até 2007, a crise já arrombando as portas, diziam que iria "continuar a dançar enquanto houvesse música", e que ninguém tinha nada a ver com isso? Considere-se, de resto, que os cabeças da equipe econômica de Obama estavam no governo Clinton, que ajudou a liberar as bestas do apocalipse financeiro.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h19

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Crise no jornalismo: o caso "Daily Planet"

Esta foi furtada do blog novoemfolha, que a viu no blog 233grados, cujo subtítulo é "el futuro del periodismo lo decides tú":

Homem à esquerda: "Por causa dos prejuízos, o 'Daily Planet' vai ser vendido para Lex Luthor... e ele vai demitir todo mundo, exceto Jimmy Olsen"

Superman: "Lois! Tenho de salvar os jornais"

Lois: "Ah, desiste, Clark, e começa a fazer um blog".

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h25

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Maionese, cocoricós e G20

 
 

Maionese, cocoricós e G20

A coluna de hoje na Folha trata dos desacordos na reunião do G20. Assinante lê o texto integral aqui.

Trechos:

"La mayonnaise va prendre" é uma expressão francesa tanto para dizer "a coisa vai engrenar" como, em contexto de maior exaltação, "o caldo vai engrossar". Nicolas Sarkozy, marido de Carla Bruni, aliás presidente da França, ameaça bater a maionese na reunião do G20, que começa amanhã, em Londres. Não é o mais importante dos tiros no concerto do G20, mas é sintomático.

A maionese caseira de Sarkozy desanda. Há o risco de a crise levar franceses em massa às ruas, o que não tem tido consequências maiores desde os anos 1960, embora tenha levado à breca um governo liberal, nas grandes greves de 1995. Enfim, nunca se sabe o que pode dar quando há franceses irados na rua. Sarkozy canta, pois, um cocoricó para a galera, tirando casquinha dos EUA.

A chanceler alemã, Angela Merkel, deve reafirmar sua oposição ao apelo de Barack Obama, que pede mais gasto público no mundo a fim de conter o colapso global. Os alemães são conservadores em juros e dívida, mas temem mesmo é ter de bancar a conta do colapso da Europa, que não tem governo unificado para fazer pacote fiscal.

O premiê japonês, Taro Aso, apoia os americanos e critica Merkel. Aso vai a Londres com aprovação de apenas 25% dos japoneses e sob o risco de governar a pior recessão no mundo rico (queda de 6,6% do PIB, diz a OCDE). O Japão tem, porém, a experiência de quase 15 anos de estagnação, fruto do estouro de uma bolha imobiliária, de uma outra na Bolsa e da reação oficial tardia à crise.

Aliás, do que vai tratar mesmo o G20? De estímulo à demanda mundial, de reforma financeira, de evitar protecionismo. Numa reunião de um dia, cheia de ruídos, na qual o "Ocidente" tentará tanto lançar mão do "ouro de Pequim" como evitar que a China atraia mais emergentes para seu lado. Em que os líderes terão de falar "urbi et orbi", por algum acordo internacional, para as ruas que querem protecionismo, para Wall Street que não quer saber de restrições etc. Vai dar certo, isso?"

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h05

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PERFIL

Vinicius Torres Vinicius Torres Freire é colunista da Folha, onde está desde 1991. Foi Secretário de Redação do jornal, editor de Dinheiro, editor de Opinião, correspondente em Paris, editor de Ciência e editor de Educação

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