Blog do Vinicius
 

Câmbio: de volta para o futuro

 
 

Câmbio: de volta para o futuro

A coluna de hoje na Folha é um comentário crítico sobre a vacuidade das discussões sobre o câmbio: não se discutem alternativas técnicas ou políticas, os argumentos de lado a lado são fracos e a coisa acaba se resumindo a lobbies. Assinante lê a íntegra do texto aqui.

Trechos:

"Talvez o aspecto mais crítico do debate seja o seu vazio político. Para começar pelo mais óbvio: a política do BC não mudará pelo menos até 2011, afora catástrofes. A partir daí, imagine-se que venha José Serra ou Dilma Rousseff. Dilma nada fala sobre BC. Mas, dada a sua extração política e o que já disse sobre economia, parece mais próxima de Serra do que do "mainstream". Serra diz horrores sobre os BCs desde FHC.

Mas Serra e/ou Dilma vão nomear um BC "exótico", pelo padrão de hoje? Ou vão reduzir a autonomia do BC? Isso feito, o que farão da política fiscal de modo a evitar besteira geral na política econômica? Pisar fundo no freio dos gastos públicos? Mexer na Previdência? Uma política industrial e/ou comercial revolucionariamente "agressiva"? Qual o "mix" de políticas da alternativa? Mistério."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h49

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Coluna Vinicius Torres Freire | PermalinkPermalink #

Mantega evita encrenca com o BC

O ministro Guido Mantega, da Fazenda, acabou não arrumando encrenca com o Banco Central a respeito de câmbio. Em audiência no Senado, disse apenas que haverá compras de dólares para manter um bom nível de reservas internacionais, mas que o governo não pretende interferir na política cambial [do BC]. Disse ainda que a valorização do real é reflexo tanto de uma baixa do dólar no mercado mundial como do aumento da confiança dos investidores no Brasil. Ou seja, Mantega parece não querer batalha a respeito do câmbio.

O ministro estimou que o crescimento do PIB brasileiro deve ficar entre 3% e 4% em 2010. A íntegra dos quadros apresentados pelo ministro em sua apresentação pode ser vista aqui.

Frases:

"A confiança no país nos ajuda a sair mais rapidamente da crise... Houve saída de capitais nos meses passados por conta da crise e o balanço de pagamentos ficou negativo, porém já demos uma virada no mês de maio e já temos saldo financeiro positivo juntamente com saldo comercial positivo."

"Hoje, o país tem uma solidez macroeconômica e pode fazer política anticíclica, que significa reduzir juros, em vez de aumentá-los, como também de elevar o crédito, ao contrário de cortá-lo. E assim também pode ser feito na política fiscal, sem precisar subir impostos, mas reduzi-los, mantendo os programas sociais e também os investimentos públicos. Essa tem sido a sistemática que permite ao Brasil atenuar os impactos da crise, fazendo com que ela seja de mais curta duração aqui do que em outros países."

"Os novos protagonistas no cenário internacional são os países emergentes _o Brasil entre eles_, que apresentam dinamismo econômico maior, contas públicas e externas mais equilibradas, recursos naturais abundantes e modernizaram sua estrutura produtiva."

 "Podemos ver o reflexo disso [das medidas anticíclicas do governo] na retomada do fluxo de capital, no aumento da disponibilidade financeira, na recuperação do preço das commodities e no ingresso de investimentos na Bolsa de Valores."

"Temos ainda, como a China e a Índia, um grande mercado consumidor que ainda pode crescer muito. Por essas razões, acreditamos que o Brasil sairá mais rapidamente da crise e poderá ocupar posição privilegiada no mercado econômico internacional."

(Com informações da Agência Senado e da Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Fazenda)

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Terceiro mandato de Lula vai à Câmara

Ninguém diz que acredita em terceiro mandato para Lula, mas que a proposta existe, existe. O deputado federal Jackson Barreto (PMDB de Sergipe) disse hoje cedo que apresentaria nesta tarde à Câmara a proposta de emenda constitucional (PEC) que permite um terceiro mandato presidencial. Barreto conseguiu 192 assinaturas de apoio à PEC. Precisava de 171. Não quer dizer muita coisa. Assinar PEC não custa nada.

A PEC prevê que, no segundo domingo de setembro, os eleitores votariam para referendar ou não a mudança, que permite duas reeleições consecutivas para presidente, governadores e prefeitos. A PEC precisa ser aprovada no Senado e na Câmara, duas vezes, até setembro. É pouco tempo.

O líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza, de São Paulo, diz que o partido vai fechar questão contra a PEC. O líder do governo na Câmara, Henrique Fontana, do PT do Rio Grande do Sul, também disse que Lula é contra a PEC.

(Com informações da Reuters e da Agência Câmara de Notícias)

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Mixuruca por aqui, esquisito por lá

 
 

Mixuruca por aqui, esquisito por lá

Foi bem medíocre a alardeada recuperação do crédito em abril. O estoque de crédito cresceu 0,45% de março para abril _havia crescido 1,1% de fevereiro para março. O volume de empréstimos novos para as empresas caiu. Em um ano, o aumento do estoque de crédito ainda está em 22%, mas caindo num ritmo que, se constante, resultará em alta de apenas 3% no final do ano. Este foi o tema da coluna de hoje na Folha, que também trata do aumento dos juros de 10 anos nos EUA, na contramão do que pretende o Fed. Assinante poder ler a íntegra da coluna aqui.

Trechos:

No Brasil: "Bancos estatais continuam a responder por 80% do aumento do estoque de crédito (e por 78% do incremento do estoque de crédito para o setor privado). Antes da crise, de janeiro a setembro de 2008, a fatia dos estatais era de 34%. Note-se que o novo peso dos estatais não se deve a uma atuação incrementada do BNDES."

Nos EUA: "Mas os "juros longos" continuaram a subir, o que influencia outras taxas do mercado, como a de financiamentos imobiliários (o que ajudou a azedar o mercado, ontem). Isto é, os juros de longo prazo sobem enquanto o banco central dos EUA, o Fed, quer mantê-los ao rés do chão, pois a recessão ainda vai longe, apesar da propaganda."

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 14h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Coluna Vinicius Torres Freire | PermalinkPermalink #

Indústria ainda se arrasta, estima Ipea

A produção industrial de abril deve ter recuado 14% (ante abril de 2008), segundo estimativa do Ipea para o dado da Produção Industrial Mensal do IBGE. De março para abril, a indústria teria crescido 1,8% (mês a mês, os números anteriores foram de 2,1% em janeiro, 1,9% em fevereiro e 0,7% em março). No acumulado do ano (janeiro a abril contra o mesmo período de 2008), a estimativa é de queda de 14,5%. Nos 12 meses terminados em abril, a indústria teria recuado 3,8%. É por onde ela deve terminar o ano: queda de 4% em relação a 2008. Se vier algo melhor, é lucro.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Máquinas em parafuso

 
 

Máquinas em parafuso

A indústria de máquinas e equipamentos mecânicos foi uma das mais afetadas pela crise, ao lado da metalúrgica e dos produtores de máquinas e equipamentos elétricos. Já vinha apanhando por causa da valorização do real em 2008. Depois, mergulhou devido ao colapso das exportações de bens manufaturados e à queda geral do investimento. Os resultados de abril, divulgados hoje, mostram que o faturamento, as exportações e o número de empregos do setor de máquinas voltaram a cair, depois da discreta melhora de março. A coluna de hoje na Folha antecipava este resultado e comentava os pleitos da Abimaq, a associação do setor. O assinante poder ler o texto da coluna aqui.

As dificuldades da indústria de máquinas não vem de hoje. Mas o esvaziamento do setor pode se tornar um problema ainda maior diante da perspectiva de o país aumentar ainda mais suas exportações de recursos naturais (comida, grãos, combustíveis), tendência que deve ser reforçada com o início da exploração do petróleo do pré-sal. Sem indústria metal-mecânica e de máquinas, nos tornaremos importadores maciços de produtos industrializados, cortando empregos de ponta e enfrentando valorização cambial excessiva decorrente dos superávits com matérias primas. É preciso começar a resolver essa ameaça agora.

Trechos:

"De setembro a abril, ao lado da indústria de metalurgia e de máquinas e equipamentos elétricos, a de máquinas e equipamentos foi a que registrou o maior baixa da produção, segundo o IBGE -mais que o dobro do recuo médio mensal da indústria.

As importações de bens de capital cresceram 24% no acumulado de 12 meses até abril (em quantidade); as exportações caíram 7,7%. Entre os componentes do PIB (pela ótica da demanda), o investimento, que inclui máquinas e equipamentos, foi o que levou o maior tombo no trimestre final de 2008. Não deve ter sido diferente no início de 2009. O subsetor de máquinas para a indústria de bens de consumo é o que mais apanha, segundo a Abimaq.

As empresas ligadas à Abimaq já demitiram cerca de 20 mil dos 250 mil trabalhadores que chegaram a empregar, no pico, em outubro de 2008. Segundo a associação, o salário médio dos trabalhadores do setor é o dobro da média dos rendimentos das seis regiões metropolitanas onde o IBGE levanta dados."

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h10

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Coluna Vinicius Torres Freire | PermalinkPermalink #

Homer Simpson visita Angra 2

Funcionário deixa porta aberta e material radioativo contamina 4 em Angra 2

da Folha Online

Um funcionário que fazia a limpeza de um equipamento em uma sala de descontaminação da Usina Nuclear de Angra 2, em Angra dos Reis (RJ), esqueceu uma porta aberta e houve circulação de material radioativo, segundo a Eletronuclear (Eletrobrás Termonuclear S/A). Quatro pessoas que estavam próximas ao local foram contaminadas por urânio e passaram por descontaminação. O fato ocorreu às 16h15 do último dia 15.

Na ocasião, após o acionamento do alarme de radiação na ventilação da usina, foi deflagrado preventivamente um ENU (evento não usual) em Angra 2. A prefeitura afirmou que não houve danos ao ambiente.

Quatro trabalhadores foram contaminados em níveis abaixo de 0,1% dos limites estabelecidos em norma para os trabalhadores, de acordo com a Cnen (Comissão Nacional de Energia Nuclear). A equipe de proteção radiológica iniciou os trabalhos de descontaminação (lavagem do corpo, das mãos e do uniforme). Na sequência, os trabalhadores passaram pelos portais da área controlada da usina e nenhum alarme foi acionado. Com isso, a descontaminação ficou confirmada.

Após avaliação das condições radiológicas da usina e das consequências do vazamento, ficou constatado que não houve impacto para o ambiente, para os trabalhadores da usina e para a população, segundo a Eletronuclear.

De acordo com a Cnen, os trabalhadores que foram submetidos à radiação também foram encaminhados, para exames complementares, para o Centro das Radiações Ionizantes de Mambucaba. Os exames confirmaram não haver nenhuma contaminação.

A liberação ao ambiente foi de cerca de 0,2% dos limites estabelecidos pelo conselho, portanto, não significativa. O sistema de filtragem de ar que tem a função de bloquear a saída de radioatividade através da chaminé funcionou adequadamente, segundo a Cnen.

De acordo com o conselho, esse vazamento é classificado na escala internacional de eventos nucleares (INES) da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) como nível 1 (anomalia ou desvio operacional) numa escala que vai de zero até o nível 7.

Para a Sape (Sociedade Angrense de Proteção Ecológica) o acidente é grave. A organização afirma que a Defesa Civil do município foi avisada somente no dia 18, três dias após a ocorrência. A Eletronuclear afirma que a comunicação foi feita no mesmo dia do vazamento.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 23h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O real forte e os juros que sobem nos EUA

Um instantâneo do presente declínio do dólar poderia ser o gráfico abaixo, que mostra a variação do rendimento ("juros") dos títulos de três meses e de papéis de dez anos do Tesouro americano, em 2009 (a taxa dos papéis de três meses está no eixo "y" da esquerda; a de dez anos, no eixo da direita). Os investidores começaram a se desfazer de uma parte de seus títulos longos (grosso modo, a venda dos papéis reduz seu preço, o que eleva a taxa de juros). Dada a queda da percepção de risco (entre outros motivos), os investidores se arriscam a procurar rentabilidade (e em parte se protegem de uma eventual debandada dos títulos americanos, que inundam o mercado). Isto é, tiram dinheiro do colchão seguro dos papéis do Tesouro americano, e assim também vendem dólares: vão para as Bolsas, inclusive as "emergentes", vão para commodities etc.

A tendência de alta dos juros (e de saída do dólar) começou a ficar evidente em meados de abril, quando o governo americano divulgou com sucesso a história de que os bancões americanos não estariam assim tão quebrados (isto é, quando o governo Obama vazou os tais "testes de estresse"), quando o mercado passou a acreditar que não haveria mais estatização de instituições financeiras, quando pareceu haver indícios de uma recuperação chinesa (e, portanto, de alta de consumo de commodities e de melhorias na condição econômica de alguns emergentes) etc.

Entre outros motivos, afora a relativa solidez da economia brasileira, foi por isso que o real subiu.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Uma novidade boa nas contas externas

O país agora parece precisar de menos ‘sacrifício‘, no lado das contas externas, a fim de enfrentar uma crise. Os dados de hoje do Banco Central são mais um indício dessa tendência, que vinha se desenhando faz uns dois anos, mas agora parece se confirmar, dada a crise e o resultados das contas externas de abril.

O Brasil teve superávit nas contas externas (transações correntes) em abril, mas não é esse o ponto aqui (trata se de indicador muito pontual e, enfim, nem sempre conta corrente positiva é, em si, um dado positivo). O que importa é a mudança da composição dessas contas.

O déficit externo (déficit em conta corrente) caiu de US$ 13,3 bilhões nos primeiros quatro meses de 2008 para US$ 4,9 bilhões em 2009. Cerca de 75% desse "ajuste", da redução do déficit, se deveu a redução do déficit da conta de serviços e rendas. As remessas de lucros e dividendos foram de US$ 5,3 bilhões neste primeiro quadrimestre, contra US$ 12,4 bilhões no início de 2008, uma queda de 57,3%. E daí?

Na conta corrente entram, basicamente, o saldo do comércio exterior (exportações menos importações), a conta de serviços (fretes, viagens internacionais, royalties etc), de rendas (remessas de lucros e dividendos, pagamentos de juros) e transferências unilaterais (uma conta pequena, que inclui por exemplo a remessas de trabalhadores no exterior para suas famílias aqui).

Na conta de rendas, quanto maior a participação de remessas de lucros e dividendos em relação a remessas de juros, melhor (em termos de ajuste aos ciclos econômicos). A remessa de lucros cai em períodos de crise; a de juros, muita vez não. Ou seja, se o país está muito endividado, em ciclos de crise (de escassez de financiamento externo) a situação piora: a remessa de juros depende do tamanho da dívida, não do ciclo de atividade econômica. A remessa de lucros, por outro lado, tende a cair nas crises (as empresas estrangeiras lucram menos etc). Como ocorre agora.

Também importante, quanto pior a composição das contas externas (quanto maior a participação de despesas externas que não diminuem durante as crises, como juros de dívida), maior tem de ser o "ajuste" pelo lado do consumo (pelo lado da balança comercial: de exportações e importações). Isto é, o país em tese tem de gerar superávits brutais no comércio exterior, reduzindo em muito as importações e aumentando as exportações (o que, claro, reduz o consumo doméstico).

Além do mais, outra boa notícia foi a quase manutenção do nível de investimento estrangeiro direto (o IED, investimento dito "na produção"): no acumulado de 12 meses, recuou apenas um pouco, de US$ 41,6 bilhões em março para US$ 41,1 bilhões em abril. Ou seja, parece haver confiança externa na recuperação da economia brasileira.

Enfim e em suma: o Brasil tem menos dívida externa e mais investimento produtivo estrangeiro. É uma situação mais equilibrada. A crise continua ruim, decerto. Mas sofreríamos ainda mais se a situação fosse a inversa: se o rendimento do capital estrangeiro fosse mais atrelado a dívida do que a investimento. É um progresso.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h27

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

BC abre mais dados sobre câmbio

O Banco Central anunciou hoje que passará a divulgar semanalmente o volume total de suas intervenções no câmbio. Até agora, era preciso estimar tais valores ou esperar pela divulgação oficial dos dados, com um mês de atraso. É um progresso na transparência e na interpretação das atitudes da autoridade monetária.

Até 22 de maio, o BC comprou US$ 2,4 bilhões no mercado _o fluxo de câmbio voltou a ficar positivo. De janeiro a abril, o BC havia vendido US$ 1,2 bilhão _o capital estava saindo (ou deixando de entrar).

Abaixo, a íntegra do comunicado do BC:

"NOTA À IMPRENSA

Brasília Com o objetivo de aperfeiçoar o processo de divulgação de dados e aumentar a transparência das informações disponíveis sobre as operações no mercado interbancário de câmbio, o Banco Central passará a informar semanalmente o volume de suas intervenções no mercado de câmbio à vista. As operações do Banco Central no mercado de câmbio à vista, no mês de maio, somam US$ 2,408 bilhões até o dia 22.

Após a divulgação da PTAX diária, o Banco Central informará o volume dos negócios interbancários de câmbio do dia. A divulgação da PTAX e dos boletins intermediários permanecerá inalterada, mas não haverá atualização dos registros no decorrer do dia na transação PCOT 700. O Banco Central considera que essa atualização não mais se justifica tendo em conta que vários provedores de informação fornecem cotações online para o mercado em geral.

Os avisos sobre início e taxa de corte dos leilões de câmbio continuarão sendo divulgados na PCOT 700, bem como outros fatos relevantes de interesse do mercado de câmbio. O novo formato de divulgação entrará em vigor a partir de amanhã, dia 27 de maio, preservando a continuidade no fornecimento dos dados.

O Banco Central reafirma sua disposição de sempre buscar maior transparência operacional e de informação, ressaltando, mais uma vez, o seu compromisso com o câmbio flutuante."

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h26

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O bolo de rolo da eleição

 
 

O bolo de rolo da eleição

Debate no país se enreda mais e mais em picuinhas relativas à eleição de 2010 e divisão final das boquinhas. Esse é o tema de hoje da coluna na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

Trechos:

"Entre as prioridades de Lula no Congresso estavam a reforma tributária, a reforma das agências reguladoras, a mudança da lei de licitações e a lei que limita os gastos do governo com salários de servidores.

Não se esperava quase nada da conversa de reforma tributária, dadas as divisões regionais e políticas, mas a mudança nos impostos acabou de ser exilada para o reino das fadas com a queda da receita de impostos. No lugar da reforma, houve favores do federal governo para prefeitos, favores de cunho eleitoral.


Os Estados não levaram quase nada, além de alguns créditos. Como caíram também os repasses referentes ao imposto sobre combustíveis, os governadores, do PSDB em especial, ajudaram a criar o caldo de cultura que deu na CPI da Petrobras."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 10h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Coluna Vinicius Torres Freire | PermalinkPermalink #

Um guarda-chuva nas cataratas: câmbio

 
 

Um guarda-chuva nas cataratas: câmbio

Há escassas possibilidades de o Brasil conter, no curto prazo, a nova onda de valorização do real em relação ao dólar (valorização que não é tão grande se comparada a de uma cesta de moedas de países com os quais o Brasil tem grande intercâmbio comercial). A nova queda do dólar é global, relacionada à baixa da percepção geral de risco financeiro, à procura de rentabilidade e ao excesso de emissão de dívida nos EUA. Afora controle do fluxo de capitais (o que é um problema, mesmo que apenas na "entrada"), as demais alternativas ou são inviáveis e/ou improváveis: seria necessária uma intervenção brutal, "chinesa", no câmbio, e/ou uma queda brutal de juros. Não vai rolar.

Esse foi o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

Trecho:

"O dólar agora perde valor em parte devido ao refluxo da onda de pânico que se levantou em setembro de 2008. Indicadores importantes de risco caíram ao nível mais baixo em quase um ano (volatilidade de Bolsas, "spreads" sobre juros básicos, taxas interbancárias etc.). Baixou o medo de novas catástrofes financeiras. O dinheiro grosso do mundo, que em 2008 fugiu para o colchão seguro dos títulos americanos, agora quer rentabilidade, pois os "Treasuries" ainda rendem quase nada.
O dólar cai também porque os EUA têm de financiar um déficit público de 13% do PIB e vão inundar o mercado de títulos do seu Tesouro."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Coluna Vinicius Torres Freire | PermalinkPermalink #

Dilma sobe, mas ainda longe de Serra

Começam a sério as apostas na corrida de cavalos da sucessão de Lula. Abaixo, seguem resultados da pesquisa Vox Populi.

Dilma passou Ciro no mais provável dos cenários da eleição de 2010 (com Serra e Heloísa Helena candidatos) e praticamente empata com Ciro numa disputa sem Serra (Aécio sendo o nome do PSDB).

Em relação à pesquisa anterior, Serra perdeu pontos em todos os cenários. Mas o tucano governador de São Paulo bateria Dilma por 48% a 25% num "confronto direto" e exclusivo entre os dois.

A pesquisa Vox Populi foi encomendada pelo PT e realizada entre os dias 2 e 7 de maio deste mês (e em parte antecipada pelo Painel da Folha na edição de quinta-feira).

 

Cenário 1

Ciro (PSB): 23%

Dilma (PT): 21%

Aécio (PSDB): 18%

Heloísa Helena (PSOL): 10%

Brancos e nulos: 18%

 

Cenário 2

Serra (PSDB): 36%

Dilma (PT): 19%

Ciro (PSB): 17%

Heloísa Helena (PSOL): 8%

Brancos e nulos: 19%

 

Cenário 3:

Dilma (PT): 25%

Aécio (PSDB): 20%

Heloísa Helena (PSOL): 16%

Brancos e nulos: 40%

 

Cenário 4:

Serra (PSDB): 43%

Dilma (PT): 22%

Heloísa Helena (PSOL): 11%

Brancos e nulos: 24%

 

Cenário 5:

Serra (PSDB): 48%

Dilma (PT): 25%

Brancos e nulos: 37%

 

Rejeição

Heloísa Helena (PSOL): 17%

Aécio (PSDB): 13%

Serra (PSDB): 12%

Dilma (PT): 11%

Ciro (PSB): 9%

Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h25

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Capitalismo de compadres nos EUA

 
 

Capitalismo de compadres nos EUA

Tanto os americanos denunciaram o "capitalismo de compadres" ("crony capitalism") nos países de Terceiro Mundo e no Leste Asiático. Agora, eles mesmos estão mergulhados no compadrio de Estado e grande finança, com o objetivo de salvar um sistema financeiro podre e incompetente, como ficou claro no resultado e na divulgação dos "testes de estresse" ao qual foram submetidos os 19 maiores bancos americanos (os testes eram espécies de auditorias com o objetivo de verificar a capacidade dos bancos de resistir a mais baixas na economia; foram realizadas pelos reguladores financeiros americanos, liderados pelo Fed, a pedido da secretaria do Tesouro). Este, em suma, o argumento de Sin-ming Shaw, em artigo publicado hoje no jornal "Valor". Sin-Ming é presidente fundador de um fundo de hedge e de um de "private equity".

O financista argumenta que os "testes de estresse" foram quase pura fraude e lembra, como se sabe, que até o "...'Wall Street Journal', geralmente o mais estridente chefe de torcida dos mercados financeiros, desacreditou abertamente a integridade dos testes". Sin-Ming diz que o governo Obama sabia que os bancos estão podres, mas não poderia dizê-lo, tanto para evitar uma corrida bancária como, como consequência, evitar a estatização dos bancos.

"Nacionalizar bancos teria exigido rejeitar os caciques de Wall Street por terem administrado as suas firmas de modo tão incompetente", escreve Sin-Ming. Mas o governo Obama preferiu protegê-los. "Eles [os banqueiros] conseguiram se retratar como vítimas de um incêndio incontrolável em vez de cúmplices de um incêndio premeditado". O financista acusa Tim Geithner (secretário do Tesouro) e Larry Summers (principal conselheiro econômico de Obama) de "compartilharem a cultura de Wall Street como protegidos de Robert Rubin", ex-secretário do Tesouro de Bill Clinton, da cúpula do Citigroup. "Nenhum destes homens viu qualquer dificuldade em aceitar a lógica absurda dos banqueiros".

É pau puro e correto o artigo de Sin-Ming.

 

 

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Artigos & Idéias Notáveis | PermalinkPermalink #

Desemprego nos EUA passa o da Europa

 
 

Desemprego nos EUA passa o da Europa

"Por muitos anos, o desemprego nos Estados Unidos era mais baixo do que na Europa Ocidental, um fato frequentemente citado por quem argumentava que a flexibilidade do sistema americano (no qual é mais fácil tanto demitir como contratar do que em muitos países europeus) produzia mais empregos. Este não é mais o caso. O desemprego nos Estados Unidos subiu para níveis médios europeus, e parece provável que vai ultrapassá-los quando forem divulgados os dados internacionais para abril". [Nota do Blogueiro: na verdade, já últrapassou].

A observação, aliás muito boa, é do principal colunista de finanças do "New York Times", Floyd Norris, publicada na edição de hoje do jornal (para ler na íntegra, em inglês, clicar aqui).

A evolução do desemprego na Europa dos 15 (os quinze países da primeira configuração do bloco) e nos Estados Unidos é mostrada no gráfico abaixo. As metodologias de cálculo do desemprego são diferentes, mas os dados do gráfico são os da série harmonizada pelo Eurostat (instituto europeu de estatística), na variação trimestral.

Hipóteses levantadas por Norris para explicar a história: "Primeiro, parece que as redes de proteção em muitos países da Europa Ocidental permitira que as pessoas mantivessem seus empregos durante a crise. Na Alemanha, programas do governo auxiliam empresas a pagar seus trabalhadores, por exemplo, mantendo-os empregados... Outro fator pode ter sido o fato de que muitos países europeus não viveram um ‘boom’ econômico recentemente, o que os deixou menos vulneráveis a cortes provocados pela recessão."

Norris observa também que a dispersão das taxas de desemprego na Europa dos 15 são enormes: de 2,8% na Holanda a 17,4% na Espanha.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Artigos & Idéias Notáveis | PermalinkPermalink #

Ilusões de ótica, de ética e oposição

 
 

Ilusões de ótica, de ética e oposição

A oposição fez marolinha com a "marolinha" de Lula. Depois tentou fazer onda com a história da poupança, mentindo e não discutindo a sério o problema. Agora, vem com a CPI da Petrobras. Mas, assim como entrou de modo raso nestes assuntos, deixou alguns deles de lado assim que a história não colou na dita opinião pública. Porém, crise econômica ainda é assunto sério (e seus efeitos sociais ainda vão piorar, embora não catastroficamente); o caso da poupança e de outros investimentos populares é sério (e já foi esquecido); uma CPI da Petrobras sempre foi necessária, mas os "trabalhos" vão se limitar a chantagens (por parte do PMDB) e de tentativas, de parte a parte, de encontrar um ou outro papelório comprometedor de uso político fácil, e mais nada.

Por falar em empresa estatal, também pede uma comissão de investivação ou supervisão o caso do BNDES. O bancão estatal de desenvolvimento é um dos dois ou três principais formuladores de políticas públicas, usa dinheiro público para exercer suas funções (dinheiro subsidiado, aliás), se move no universo dificil da relação Estado-empresa e, de resto, acaba de ajudar empresas estropiadas na lambança dos derivativos cambiais.

Porém, a oposição não se ocupa de nada disso. Fica apenas na chacrinha midiática, se tanto.

Esse foi o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

Trecho:

"Mas, entre outros reveses, a oposição começou dividida mesmo na proposição da CPI. O PSDB queria morder, e o DEM, por vício e rabo preso históricos, quer assoprar. Para entornar o caldo, o maior beneficiário da CPI pode vir a ser o PMDB, que passa a dispor de um novo instrumento de chantagem contra o governo Lula.
Tanto a crise econômica como a poupança e a Petrobras, para nem falar da associação do BNDES com empresas quebradas em aventuras cambiais ou da lerdeza do investimento público (PAC), são assuntos sérios demais para serem abandonados pela oposição, que "ama ou deixa" tais problemas ao sabor de marolas e modas midiáticas."

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 14h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Coluna Vinicius Torres Freire | PermalinkPermalink #

A nova política da crise econômica e Dilma

 
 

A nova política da crise econômica e Dilma

O mundo político está em vidrado em rever e repensar estratégias para a eleição de 2010. Ao menos, repensa cenários. Projetos de engenharia política e de casuísmos se tornaram o centro das prévias do debate eleitoral, isso num ano de crise econômica. A doença da ministra Dilma Roussef foi o detonador da mudança de foco. Mas por que a candidatura Dilma assumiu papel tão central? Por que são tão escassas as candidaturas alternativas, mesmo na oposição?

Os escândalos no PT, a fraqueza da oposição, a ruína moral do Congresso, o descrédito da maioria dos partidos e a escassez de novas lideranças políticas na nova geração são algumas das explicações plausíveis. Mas também houve uma mudança de fundo.

Houve uma mudança social relevante no país _uma distribuição de renda um pouco melhor e transferências sociais que criam um colchão amortecedor de conflitos. Ademais, o grande empresariado é aliado de Lula, que por meio de fundos paraestatais, bancos públicos e, em especial, do BNDES, ajuda o grande capital a se reorganizar para enfrentar o mercado mundial (entre outros auxílios). Não há, na prática, oposição "social" ao governo Lula, oposição que poderia reorganizar o quadro político e criar novas candidaturas. Esse é o tema de hoje da coluna na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

Trecho:

"Porém, mesmo que se confirme em 2009 a pior recessão desde Collor, a crise sobrevém depois de três anos de crescimento bom. Ainda mais importante, ocorre num período de crescimento mais bem distribuído da renda e na vigência do maior colchão social já visto no país.

A "rede de proteção social" poderia ter suscitado uma divisão política no país (considerem o caso de muitos vizinhos da América do Sul, Argentina inclusive). Mas a rede de proteção social faz parte de uma política conservadora: de manutenção das "reformas" (mesmo na geladeira) e de normalidade econômicas (ou de "quase ortodoxia").
[Ademais] Lula prossegue a reorganização da propriedade do grande capital iniciada sob FHC."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 14h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Coluna Vinicius Torres Freire | PermalinkPermalink #

O gene estatal da grande empresa

 
 

O gene estatal da grande empresa

Entre as maiores exportadoras brasileiras, quase todas as empresas são estatais, ex-estatais com participação do BNDES e/ou de fundos de pensão de estatais e múltis que se beneficiam do fato de o Brasil ser um grande produtor de commodities agrícolas, fruto da pesquisa estatal para a criação de uma agricultura tropical. A observação vem a propósito da provável entrada do BNDES na Brasil Foods (Perdigão + Sadia), empresa que também tem grande participação paraestatal, via fundos de pensão de uma estatal (Previ). Este é o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

Trechos:

"A lista das maiores empresas exportadoras do Brasil revela muito do que foi e ainda é a formação e a propriedade do grande capital no país. As três líderes na exportação são ou foram estatais, criadas pelo Estado quando não havia investimento privado em seus setores: Petrobras, Vale e Embraer (se algumas dessas empresas vieram a se tornar monopolistas ineficientes, ou quase isso, é outra história).

Certamente a capacidade empresarial privada transformou dinossauros estatais em empresas de ponta. Outras empresas da lista acima, muitas delas familiares, foram socorridas pelo Estado quando tropeçaram ou precisaram crescer. Mas, examinando o ranking da exportação, veem-se genes estatais em quase todos os pedigrees da grande empresa nacional -e até no das múltis."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h48

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Coluna Vinicius Torres Freire | PermalinkPermalink #

Ainda o empreguinho

O resultado do emprego formal em abril foi ainda mais fraco se levados em conta os dados "dessazonalizados", segundo o palavrão dos economistas. Isto é, os dados ajustados, descontados efeitos típicos do período: enfim, da série "limpa" de ruídos periódicos. Segundo os economistas do Santander, o saldo de empregos formais dessazonalizado de abril foi de -69 mil vagas; segundo os economistas do Bradesco, de -72,6 mil vagas.

Como também escreveu este colunista-blogueiro, o pessoal do Santander observa que "a aparente recuperação, no entanto, se deve a questões sazonais: em abril, é comum que o setor industrial retome as contratações, principalmente porque começa a colheita e a industrialização da cana-de-açúcar". "Assim, o dado reforça nossa visão de que o ajuste no mercado de trabalho ainda não acabou", diz o Relatório Diário de Economia e Mercados do Santander.

"Para o restante do ano, acreditamos que o saldo [de empregos formais] será de 300 mil vagas, com viés de alta para esta estimativa", diz o relatório diário do Bradesco. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, acredita em saldo de 1 milhão de empregos.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h38

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Desemprego ainda deve subir

 
 

Desemprego ainda deve subir

Os números do emprego formal ficaram no azul. Melhor que ficar no vermelho. Mas alardear apenas o número positivo, como o faz o trepidante ministro do Trabalho, Carlos Lupi, é fazer propaganda política. Assim como é pessimismo politicamente enviesado ignorar a evidente melhora em relação ao saldo do emprego nos três primeiros meses do ano _no primeiro trimestre, foram-se embora quase 58 mil empregos. Isto posto, o balanço do emprego formal indica outra vez que a economia engatinha depois de um tombo violento. Mais uma vez, apenas despiora.

Esse foi o tema da coluna de hoje na Folha, que pode ser lida aqui pelo assinante.

Em resumo, a economia "cria" empregos formais no menor ritmo em uma década. Na verdade, o desemprego está aumentando (há mais gente procurando emprego e não encontrando trabalho).

Trechos

"Depois de cinco meses, a indústria parou de cortar vagas (o saldo foi de 183 vagas). Bom. Mas de janeiro a abril de 2008, o saldo da indústria foi de 229 mil empregos; no fraco de 2005, foram mais 131 mil empregos. No primeiro quadrimestre de 2009, a indústria cortou 147 mil vagas.

Pontualmente, note-se que a safra da cana, entre outras culturas, deve ter incrementado o número de empregos, em especial em São Paulo. Em abril, a indústria paulista teve saldo de 19 mil contratações, segundo dados da Fiesp. O saldo foi positivo porque as usinas contrataram 28 mil trabalhadores; os demais setores demitiram 9.000 trabalhadores.

Agropecuária, serviços e governo evitaram alta maior do desemprego formal (o comércio dá pequeno sinal de recuperação). Aumentos do mínimo, transferências sociais, subsídios ao consumo de carros, material de construção e eletrodomésticos parecem ter ajudado a manter o nível de renda e evitado o pior."

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Coluna Vinicius Torres Freire | PermalinkPermalink #

Lixando a poupança popular

 
 

Lixando a poupança popular

Na política, o debate sobre o imposto sobre a poupança parou no populismo da oposição, que faz propaganda enganosa a respeito da mudança realizada pelo governo Lula (mudança, por sua vez, proposta às pressas, atrasada e feita quase de improviso).

A oposição está preocupada com as economia populares? Não. Não discute a remuneração do FGTS, que faz anos perde da inflação. O FGTS está encolhendo. A oposição está preocupada com o custo altíssimo das taxas de administração cobradas sobre fundos de investimento (em especial daqueles fundos nos quais os poupadores com menos dinheiro aplicam)? Não. A chacrinha sobre a mudança nas cadernetas é apenas uma picuinha oportunista que não discute a sério os problemas de remuneração da poupança (coisa que o governo federal também não faz). Enfim, estão se lixando para os problemas reais. Esse foi o tema da coluna de domingo na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

Trechos:

"Fundos de investimento em renda fixa mais populares, com taxas de administração alta e rendimento pior, estão pagando mais ou menos a mesma coisa. Pode haver CPI da Petrobras. Vai haver CPI das taxas de administração dos bancos?

No ano passado, o dinheiro guardado no FGTS perdeu da inflação, como quase de costume. Quem não investiu parte do FGTS em ações da Petrobras ou da Vale tem perdido dinheiro. Desde 2003, o dinheiro parado no FGTS encolheu 3%, em termos reais. O FGTS paga apenas 3% de juros mais uma taxa chamada TR. No ano passado, isso deu menos de 5%. A inflação foi de quase 6%."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h39

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Coluna Vinicius Torres Freire | PermalinkPermalink #

Oposição está se lixando

 
 

Oposição está se lixando

Como hienas a catar restos de carniça, a oposição se dedica a morder o governo com picuinhas. O caso da poupança é apenas um deles, mas sintomático. É fácil bater no governo por motivos sérios, inclusive no caso da mudança nas cadernetas. Mas DEM, PSDB e PPS se aferram à picuinha mais populista, terrorista e mentirosa neste caso. Este é o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

Trechos:

"[Os partidos de oposição] reclamam ainda que o governo não "mexeu com os bancos" (só com os "poupadores"). Ótimo: ficaram então com a oportunidade de criar uma CPI das taxas bancárias. Esses líderes e partidos tão financiados pela banca (assim como os do governo) vão investigar, digamos, a existência de um oligopólio maléfico nas finanças?

Essa gente "se lixa". A oposição critica a gastança do governo e aprova aumentos de gastos propostos por Lula; aprovou a enésima anistia para sonegadores de impostos. Mas reclama que Lula não quer ver dinheiro saindo de fundos (que financiam a dívida pública) porque o governo gasta demais.

...

Fundos públicos são utilizados à larga em fusões de megaempresas, via BNDES, mas o Congresso não dá um pio sobre tais negócios. Aliás, nem se move para rediscutir os fundos oriundos de poupança forçada (FGTS, FAT), que datam alguns da ditadura e que rendem pouco para o trabalhador. Não se mexem, apenas se lixam para a opinião pública."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Coluna Vinicius Torres Freire | PermalinkPermalink #

Entenda o projeto de mexida na poupança

 
 

Entenda o projeto de mexida na poupança

Para quem vai pagar imposto, mudou alguma coisa, claro, para pior. Mas a mexida na poupança, por si só, ficou longe de evitar que a rentabilidade da caderneta supere a de muito fundo de investimento. A poupança só deixa de ficar interessante para aplicações muito grandes e, mesmo assim, em casos extremos de queda da taxa de juros ‘básica", a Selic (aquela definida pelo Banco Central a cada mês e meio). Esse foi o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. Abaixo, seguem algumas observações mais práticas.

Mas, para tomar alguma decisão a respeito do que fazer com o dinheiro, ainda é preciso esperar definições do governo. O imposto sobre a poupança só começa a valer no ano que vem (caso a mudança seja aprovada pelo Congresso). Porém, o governo disse ontem que vai mudar também a tributação sobre fundos de investimento (de renda fixa, DI), sobre CDBs e Tesouro Direto. Hoje, tais aplicações pagam imposto de 15% a 22,5%, a depender do prazo do investimento. O governo diz que pode reduzir o imposto para 15%, mas até agora não deu maiores esclarecimentos de como e quando o fará. Além do mais, disse que a mudança do imposto sobre fundos etc valeria apenas para este ano.

Logo, as mudanças divulgadas ontem por si só não alteram o cenário para quem tenha dúvida entre aplicar em fundos, CDBs e Tesouro Direto, por um lado, e poupança, de outro.

Para o ano que vem, a coisa muda. Caso a tributação sobre fundos etc continue a mesma de hoje, ainda pode valer a pena aplicar em caderneta de poupança, em especial para os pequenos aplicadores. Mas muita atenção: ficou mais difícil decidir, é preciso fazer mais contas, na ponta do lápis. Porém, os pequenos aplicadores em geral só têm à disposição fundos com rentabilidades piores e taxas de administração muito altas (mais que 1,5% é muito alto). Como o imposto sobre a poupança só vai chegar a 10% do rendimento em caso de queda forte da taxa básica de juros, a Selic, é provável que o pequeno investidor ainda ganhe se deixar seu dinheiro na poupança.

Para dar um exemplo, segue a tabela abaixo. Na coluna da esquerda, estão valores hipotéticos de saldo da caderneta de poupança. Nas colunas seguintes, está o imposto a pagar para cada faixa da Selic (o imposto aumenta se a Selic cai) e para cada valor na caderneta de poupança.

No exemplo abaixo, está se considerando que o contribuinte estará na faixa superior da alíquota do IR em 2010 (isto é, com rendimento igual ou superior a R$ 3.743,19 mensais, que paga 27,5% de IR. A depender da faixa de renda, o imposto muda). Na segunda tabela, mostra-se o imposto efetivo (o realmente pago sobre o rendimento), ignorando-se, para simplificar, o rendimento da poupança derivado da TR, que está tendendo a zero.

Recorde-se ainda que o IR sobre a poupança só será pago na declaração de renda a ser feita em 2011. Apenas para aplicadores maiores, com saldo superiores a R$ 349 mil, haverá recolhimento na fonte.

Atenção: esta tabela serve apenas de referência, para uma determinada faixa de renda, que paga uma determinada alíquota de IR. Como as variações são quase infinitas, não é possível exemplificar mais casos, de maneira relevante. Enfim, lembre-se: este é apenas o projeto do governo, cujo texto legal nem está pronto. Por enquanto, nada mudou.

Por último, espero obviamente que a tabela esteja correta. Mas, como ela foi elaborada com base apenas nas declarações do governo (e documentos informais), antes de ser publicado o texto do projeto de lei, pode ter havido algum erro de interpretação. O blogueiro, obviamente, está aberto para receber críticas, comentários e correções.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Coluna Vinicius Torres Freire | PermalinkPermalink #

O mercado bebeu e ficou de ressaquinha

O mercado ficou de ressaca esta semana. Ficou de ressaca porque havia voltado a beber e porque não acredita nas próprias lorotas que alardeia sobre "brotos verdes", "esperança cintilando", recuperação econômica, "fundo do poço" etc.

Não que o ambiente econômico tenha voltado a piorar, a apontar uma catástrofe _nada disso, nem de longe. Simplesmente os investidores sabem muito bem que exageraram na dose da recompra de ações, que ficaram súbita e rapidamente caras nesse "rally".

Não se trata de dizer também que o "rally" tenha sido "irracional". O governo americano disse que vai evitar catástrofes bancárias a todo custo, dá dinheiro para a banca e passa a mão na cabeça dos banqueiros _melhorou a "confiança". Como passou a haver dinheiro de sobra, cortesia do Fed, e os juros de aplicações mais seguras não estão pagando nada, então restou a alternativa de tomar um pilequinho rápido na Bolsa e, quem sabe, numas commodities.

Mas, óbvia e tardiamente, uns bancões começaram a dizer que as ações estavam ficando caras demais (nos EUA e em emergentes), dado o ambiente econômico real, lucros baixos ou prejuízos enormes. Para adicionar insulto à injúria, apareceram uns dados que fizeram os povos dos mercados e anexos caírem na real. As más notícias começaram com o péssimo resultado das exportações chinesas, que voltaram a cair mais (22,6%, abril de 09 contra abril de 08). Hoje, se soube que a produção industrial chinesa roda ainda devagar (cresce agora na casa dos 7%, contra os mais de 20% no período de bonança).

Para piorar, saíram dados ruins sobre o consumo nos Estados Unidos, notícia mais desagradável e importante de fato, pois os EUA são ainda, de longe, o centro financeiro e econômico do planeta.

O consumo americano caiu em abril e o dado de março foi revisado para baixo. Como os investidores que entraram na Bolsa americana em março já faturaram bastante, apareceu pois uma ótima oportunidade de vender e esperar o próximo fundo de vale para voltar a comprar. Simples assim, embora seja muito difícil de acreditar que apareça um vale tão fundo quanto o de março (nos EUA) ou de outubro de 2008 (no Brasil).

Assim, o S&P 500 (índice que segue 500 grandes empresas listadas nos EUA) voltou a ficar no vermelho no ano (embora tenha subido 30% desde o fundo do poço de março). 30% em dois meses não está ótimo?

Para completar o dia azedo, a produção industrial da zona do euro teve a pior queda (comparação anual) desde 1986 (desde quando há dados, pois). Caiu 2% sobre fevereiro e 20,2% sobre março de 2008. Um desastre depressivo.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h49

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Juros sobem nos EUA

Os juros para empresas "investment grade" (com bom histórico de crédito) estão subindo. Deu na Bloomberg _a íntegra, em inglês, pode ser lida clicando aqui.

"A inflação para o consumidor caiu 0,4% em março (taxa anualizada), a primeira baixa em 54 anos, e o rendimento dos títulos do Tesouro subiram para o nível mais alto em em cinco meses. Tais fatores elevaram o custo do dinheiro para empresas ‘investment grade" para 8,34%, o maior nível desde 1985, de acordo com dados levantados pela Bloomberg e pela Merrill Lynch. O declínio dos preços deve ter sido de 0,6% em abril, de acordo com 28 economistas ouvidos pela Bloomberg", diz o texto da reportagem da agência de notícias financeiras.

Ligeira deflação com ainda alta aversão a risco dá nisso: custos de empréstimos em alta para a economia real. Nesse caso, os "brotos verdes" da recuperação econômica estão morrendo congelados no inverno do crédito.

A deflação aumenta o valor real de dívidas, incentiva o consumidor a adiar compras e aumenta a taxa real de juros.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Mercados voltam a beber

 
 

Mercados voltam a beber

Comércio global leva tombos, vendas da China caem, mas mercados se embebedam com os barris de dólares do Fed. É o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

O governo americano armou uma operação para aliviar a barra dos bancos. Fez uma auditoria fajuta, vazada homeopaticamente e ajustada com os bancos, a fim de "acalmar" os "mercados". São mais medidas do pacote "tranquilizador". Some-se tais hipocrisias a medidas como: a) permitir que os bancos passem um batom em seus balanços, dando preço que quiserem a papéis podres; b) garantir que não vai estatizar nem deixar ninguém quebrar; c) despejar dinheiro na economia e garantir os empréstismos dos bancos, dando seguro a custo zero. Isso tudo (e o fato de a hipótese de depressão ter sido afastada) ajudou a minorar a "crise de confiança". Com dinheiro barato sobrando e mais "confiança", apareceu combustível e coragem para a especulação (com ações de emergentes e commodities). O mercado, pois, voltou a beber. A "correção" das Bolsas, esperada para o período de balanços, acabou não ocorrendo, pois o mercado também havia jogado para baixo suas estimativas de lucros _como os lucros das empresas vieram horríveis, mas não tão horríveis como o previsto, não houve "surpresas negativas" com o que o "rally" das Bolsas continuou mais um pouco.

Ontem, o mercado teve uma ressaquinha, pois a China, onde supostamente apareciam "brotos verdes", deu para trás: as exportações caíram muito.

Trechos:

"De resto, os juros de curto prazo continuam no zero, os de longo prazo sobem e algumas taxas de mercado não caíram -os bancos fazem dinheiro. Para completar, captam dinheiro barato, pois têm uma espécie de seguro oficial, a custo zero. Porém, o rendimento de títulos seguros (Tesouro) é quase nada.
Onde colocar o dinheiro que o Fed "imprime"? Nas Bolsas, enquanto não aparecer uma notícia ruim. Ou nem isso. Os mercados de ações não se espatifaram em março porque previam resultados de empresas ainda piores do que os divulgados. E então acharam que isso era bom."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Coluna Vinicius Torres Freire | PermalinkPermalink #

A economia de Serra e Dilma

 
 

A economia de Serra e Dilma

Governador paulista evita falar sobre economia para não arrumar problemas com Lula e o PSDB, mas dá algumas pistas. Esse é o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. A coluna relata algumas das idéias mais recentes de Serra sobre economia. Aliás, idéias bem parecidas com a de Dilma Roussef.

Trechos:

"A 'timidez' do BC ajuda a provocar nova valorização excessiva do real ('ajuda', pois várias moedas emergentes sobem), dado o 'absurdo' diferencial de juros entre Brasil e resto do mundo, o que prejudicará de novo a exportação de manufaturas. Serra acha 'absurdo' que o país tenha tido déficit externo mesmo com a grande alta das commodities.

Serra elogia Lula nas reduções de impostos sobre bens duráveis; elogia o papel do BNDES na reestruturação de grupos industriais afetados pela ciranda cambial. Diz que o BC acertou ao emprestar dólares para empresas, que ficaram sem crédito externo na crise. Mas critica o baixo investimento público e gastos com servidores, que vão ter "impactos substanciais" até os primeiros dois anos do próximo governo federal."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Coluna Vinicius Torres Freire | PermalinkPermalink #

Aquilo é que era crise

 
 

Aquilo é que era crise

A coluna de domingo na Folha é quase uma crônica, memórias da crise braba de 1983 e a de agora. A de 1983 acabou por levar ao fim da ditadura, teve quedas trágicas do PIB, desemprego gigantesco, inflação na casa dos centenas porcento ao ano e o país não contava com quase nenhum amortecedor social do gênero Bolsa Família. Assinante lê o texto na íntegra aqui.

Trechos:

"Ficaram na memória os pequenos acampamentos de desempregados. Eram tendas precárias, de plástico preto, como as "ocupações" do MST antes de o movimento "profissionalizar a gestão" (arrumar grana). As barraquinhas cobriam umas pessoas magrinhas, esfarrapadas e sem banho, que comiam alguma coisa indistinguível em latas vazias de sardinha, recicladas como tigelas.

...

Até agora, uma imagem vívida que fica desta crise é a da moça negra que aparece numa propaganda de Lula na TV. Ela diz que o governo baixou o imposto do tanquinho e do fogão; que é para todo mundo consumir e espantar a crise. Mas não há oposição. Não há greves ou protestos, aqui ou alhures."

 

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Coluna Vinicius Torres Freire | PermalinkPermalink #

A mexida na poupança e os fundos

 
 

A mexida na poupança e os fundos

O governo estuda reduzir o imposto cobrado sobre os ganhos com fundos de investimento. Pode ser uma alternativa para não mexer no rendimento da poupança. Entre outros problemas causados pelo rendimento da poupança (que é tabelado e pode acabar se tornando um piso para os juros da economia), teme-se que a baixa dos juros provoque uma migração das aplicações dos fundos para a poupança, o que poderia encarecer o financiamento e a rolagem da dívida pública. Se os impostos sobre ganhos com títulos públicos e com fundos em geral caírem, indiretamente o seu rendimento aumenta, deixando-os ainda competitivos em relação à poupança.

Esse foi o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

A manchete da Folha também teve informação sobre o assunto. Segundo reportagem de Kennedy Alencar, o governo pensa em cobrar imposto de renda de aplicações na poupança, mas apenas para 5% dos poupadores (hoje em dia, apenas 4% dos poupadores têm mais de R$ 20 mil na poupança). Assinante pode ler o texto de Kennedy Alencar aqui

Trecho da coluna na Folha:

"A medida ainda está no rascunho rudimentar. Há dúvidas várias, e o governo mexe no assunto com pinças cirúrgicas. A redução de IR valeria para qualquer investimento em dívida pública (como o de bancos, fundos de pensão e outros investidores institucionais)? Valeria só para títulos do governo (ou para quaisquer fundos de investimento, que aplicam também em papéis privados)? Como evitar que a redução de IR fosse comida pelos fundos? Por fim, reduzir o IR sem a contrapartida de queda imediata da Selic tiraria recursos do caixa do governo."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Coluna Vinicius Torres Freire | PermalinkPermalink #

Disque-sexo e "que se lixe a opinião pública"

Todo mundo deve ter tido o desprazer de conhecer esse tipo lamentável, deputado federal Sérgio Moraes (PTB-RS), que relatou o processo de cassação do deputado federal do castelo cafona, Edmar Moreira, ex-DEM de Minas, agora sem partido. Ontem ao aliviar o processo do deputado do castelo cafona, esse Moraes disse o seguinte, para câmeras e microfones:

"Estou me lixando para a opinião pública. (...) Parte da opinião pública não acredita no que vocês [jornalistas] escrevem. Vocês batem, mas a gente se reelege (...) Todos nós sabemos que ele [Moreira] foi boi de piranha."

Pois bem. Segundo o que os colegas da Folha Online relatam, esse Moraes entende bem de lixo e de se lixar (os compatriotas gaúchos e de todos os Estados poderiam anotar o nome de figuras dessa laia num caderninho a fim de ajudar o país a se lixar para esses tipos, relegando-os à lata de lixo da história, seu habitat merecido): 

"Procuradoria acusa deputado de pagar ligações para disque-sexo com dinheiro público"

"O deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), relator do processo contra o deputado Edmar Moreira (sem partido-MG) no Conselho de Ética da Câmara, responde a processo no STF (Supremo Tribunal Federal) por suspeita de má utilização de um telefônico público instalado na residência de seu falecido pai, no Rio Grande do Sul. O Ministério Público Federal identificou chamadas do aparelho realizadas para disque-sexos e destinos fora do Brasil.

Parecer do Ministério Público encaminhado ao STF afirma que o deputado teria feito mau uso do aparelho no período em que foi prefeito de Santa Cruz do Sul (RS), em 1997. A denúncia tem como base contas telefônicas e documentos da CRT (Companhia Riograndense de Telecomunicações) que comprovam a instalação do telefone a pedido da prefeitura, na residência do pai de Moraes.

"Os documentos que acompanharam a denúncia comprovaram, também, que o terminal instalado na casa do pai do denunciado foi utilizado para inúmeras ligações particulares, inclusive, para outros países, tais como Guiné Bissau, Moldova, São Tomé e Príncipe, e números de conhecido conteúdo pornográfico", diz o parecer assinado pela sub-procuradora-geral da República, Claudia Marques.

José Cruz/Agência Brasil

Deputado Sérgio Moraes responde a processo no Supremo Tribunal Federal
Esse é o cara que está se lixando

A Folha Online tentou sucessivos contatos telefônicos com Moraes, mas o deputado não foi encontrado para comentar as denúncias.

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Gabeira, Suplicy, Bornhausen: geléia aérea

Dos colegas do "Congresso em Foco" (Lúcio Lambranho, Edson Sardinha e Eduardo Militão): mais um adepto da CongressoTur, Jorge Bornhausen:

"Ex-senador Bornhausen voa na cota do Congresso"

Mesmo sem mandato, ex-ministro e familiares usaram 13 passagens oficiais entre 2007 e 2008. O ex-jogador do Grêmio Renato Sá foi um dos beneficiados

 

Divulgação
Ex-senador Jorge Bornhausen cedeu cota parlamentar para a mulher, Dulce, à esquerda, e para o genro, Renato Sá, à direita

 


O ex-presidente do PFL (hoje DEM) Jorge Bornhausen utilizou a cota de passagens aéreas do Senado mesmo após ter deixado a Casa, em fevereiro de 2007. Registros de companhias aéreas aos quais o Congresso em Foco teve acesso revelam que o ex-senador usou o benefício para bancar 13 voos entre novembro de 2007 e outubro de 2008. Além dele, voaram a mulher, o genro e um funcionário do casal.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h08

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Bolsas embolsam futuro incerto

 
 

Bolsas embolsam futuro incerto

Bolsas emergentes ganham com calmaria nos países ricos e notícias ainda bem incertas de melhoras na economia chinesa. Esse é o tema da coluna de hoje na Folha, na verdade um mea culpa deste blogueiro e colunista, que acreditava que, entre meados de abril e meados de maio, as Bolsas americanas e a brasileira passariam ao menos por uma "correção", com dias de volatilidade forte, ficando, no final das contas, estagnadas no período. Mas a euforia continuou, mesmo dando o desconto pela "realização de lucros" de hoje.

Porém, o mar ainda não está para peixe: os indicadores econômicos são de ambíguos para ruins e, mesmo para os mercados financeiros, que procuram antecipar uma melhoria mais adiante, ainda são muito inconclusivos. O assinante pode ler o texto da coluna aqui.

Trechos:

"Este colunista, entre outros, acreditava que de abril a meados de maio haveria turbulência financeira devido a balanços ainda ruins nos EUA, indicadores econômicos de ambíguos a ruins e à ansiedade em relação ao resultado das auditorias que as autoridades americanas fizeram nos seus 19 maiores bancos. O resultado dos testes, homeopaticamente vazado e adaptado aos gostos da praça, ao que parece, será divulgado oficialmente hoje. Enfim, houve apenas ligeira turbulência. A avaliação do colunista foi furada.

Os balanços foram ruins nos EUA, mas sem "surpresas negativas". Os testes de estresse dos bancos acabaram por acalmar a praça. Os povos dos mercados, mais calmos, foram procurar risco rentável nas periferias mais ajeitadas do mundo. Diz-se que melhorias na China dão impulso adicional à euforia nos emergentes, em especial nos exportadores de commodities. Nota-se também que o FMI, na reunião do G20, recebeu a promessa de fundos e fez a promessa de que não deixaria emergentes menores quebrarem.

Mas quase nada mais no planeta está no azul. A atividade apenas piora a taxas decrescentes, menores, ou sobe timidamente em relação ao quinto dos infernos onde caíram. Bancos americanos e europeus ainda estão bichados, ficarão menores e por um tempo estarão sujeitos a mais controles, menos livres para criar dinheiro do nada.

O mundo ficará feliz com uma nova bolha?"

 

  

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Coluna Vinicius Torres Freire | PermalinkPermalink #

A indústria vai, mas volta, no passo do Curupira

A indústria se recupera. Mas se recupera cada vez menos, a julgar pelos dados da atividade industrial relativos ao primeiro trimestre, divulgados ontem pelo IBGE. Mês contra mês anterior, a indústria cresceu 2,1% em janeiro, 1,9% em fevereiro e 0,7% em março (vide gráfico abaixo). No caso da indústria de transformação (exclui a extrativa), houve estagnação em março: "crescimento" de 0,06% (depois de 2,1% em janeiro e 1,4% em fevereiro).
Mais setores industriais entraram no vermelho: o índice de difusão (% de setores que cresceram) caiu de 62% em fevereiro para 38% em março para . O investimento (produção de bens de capital) continuou em colapso, caindo 6,32% (depois de encolher 7,1% em fevereiro). Somados o trimestre final de 2008 e o primeiro de 2009, a queda da produção é de quase 17%, a pior desde 1990.

Praticamente apenas os setores beneficiados por estímulos estatais (subsídios ao consumo via redução de impostos, como o IPI) tiveram desempenho mais animador. Os primeiros indícios de abril (indicadores do mês que saem antes da PIM do IBGE) não são animadores, pelo menos no caso de demanda de energia e veículos.

Esse foi o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

Trecho:

"O Curupira é um gênio dos matos do Brasil -ou era. Às gerações de hoje, pode-se dizer que parece um "hobbit", aqueles rapazes nanicos de pés grandes dos filmes da série "O Senhor dos Anéis". Mas tem os pés virados para trás, cabelos vermelhos, dentes verdes e é peludo. Cria ilusões a fim de enganar os caçadores e proteger os animais da floresta: as pegadas dos pés virados criam pistas falsas. Parece estar indo para a frente, mas recua -ou o contrário. A indústria brasileira parece andar no passo do Curupira, a julgar pelos dados divulgados ontem pelo IBGE. Não se sabe bem se a atividade industrial parece recuar, mas progride, ou se parece progredir, mas volta a recuar.

O saldo comercial, porém, tem crescido além da conta de todo mundo. Mas o saldo, a diferença de exportações e importações, é apenas parte da história. O saldo aumenta porque as importações despencam -25%, na média do primeiro trimestre. Despencam porque produzimos e consumimos menos. E as vendas do comércio crescem cada vez mais devagar, mês a mês." 

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Coluna Vinicius Torres Freire | PermalinkPermalink #

A fama da Febraban

 
 

A fama da Febraban

A Febraban está fazendo uma pesquisa para saber como melhorar a imagem. Pudera. Spreads, juros, tarifas e taxas de administração altíssimos estão ficando ainda mais evidentes com a queda dos juros. Este foi o assunto da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

A propósito, um leitor da coluna me mandou um e-mail a respeito, lembrando algo que eu deveria ter colocado no texto na Folha:

"Risível mesmo (para dizer o mínimo) foi a afirmação de Fabio Barbosa de que ele capta CDBs a 102% do CDI. Você poderia perguntar na sua coluna se, de hoje em diante, os mortais que se dirigirem às agências do Santander/Real e mencionarem a entrevista dele participarão deste tipo de promoção (para quem está acostumado até 85% do CDI vai ser melhor que descontão de fim de estoque das Casas Bahia e Magazine Luíza)".

Perfeito e subscrevo.

Trechos:

"A banca anda tiririca com a queixa contínua sobre "spreads" etc. Atribui ao governo e a Henrique Meirelles, presidente do BC, a responsabilidade pela deflagração da "campanha" e pela má fama mais recente.

No domingo, em entrevista a esta Folha, Fabio Barbosa, presidente da Febraban ... [disse] que o crédito dos bancos privados cresceu na crise, "em termos nominais". Bem, desde setembro, cresceu 2% (em termos reais, caiu). Nos públicos, cresceu 18%.

Mais divertido, diz que, "principalmente em setores mais sensíveis a preços", uma redução de juros nos bancos estatais faria a banca privada se mexer. A expressão divertida é: "mais sensíveis a preços". A gente imagina então que parte dos negócios dos bancos não é sensível a preços, a idas e vindas do mercado. Bancos fixariam os preços (juros) e pronto. Quando isso ocorre em outros mercados, a gente suspeita de oligopólio."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Coluna Vinicius Torres Freire | PermalinkPermalink #

Quatro anos perdidos na Europa

A Comissão Europeia vê também sinais de esperança de que o fim está próximo _isto é, o fim da recessão. Mas a recessão vai ser pior do que imaginavam: queda de 4% na União Europeia. 2010? "Crescimento" de 0,1% _ou seja, nada. Ou seja, no final de 2010, a economia da União Europeia estará no mesmo nível em que estava no início de 2007. Quase quatro anos perdidos.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Brasil: tá frio ou tá quente?

Os dados sobre carga de energia e vendas de automóveis, apesar de contaminados por fatores típicos e atípicos do período, não foram muito animadores.

A venda de carros caiu em abril, antecipa nossa colega da Folha Online, Karen Camacho. De março para abril, a venda de automóveis e comerciais leves caiu 13,7% sobre março (ou 5%, se considerada a média diária de vendas nos dias úteis) e 9,48% em relação a abril de 2008.

Era sabido que em março houve alguma antecipação de compras de carros, pois consumidores imaginavam que o desconto do IPI acabaria naquele mês. Logo, os dados de abril estão meio contaminados por esse fator. Mais importantes serão os dados de produção de veículos, inclusive dos veículos comprados exclusivamente para investimento (caminhões, ônibus). De qualquer modo, não se trata de uma tragédia. Mas é um dado para nos lembrar que a crise continua quente, embora tenha parado de ferver.

Um tanto preocupante foi o dado preliminar de outra queda da carga de energia em abril, de 2,9% (em relação a abril de 2008). Mas é preciso esperar os dados finais de consumo de energia e descontar o fato de que abril de 2009 foi um mês com mais feriados que abril de 2008.

Mas os "brotos verdes" da economia parecem um tanto murchos nesse começo de outono.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

"Defeito no vestuário": peito nu e censura

Essa é para rir _ou mais ou menos.

Lembram do caso do peito nu de Janet Jackson, que apareceu enquanto a moça fazia o show do intervalo do Superbowl, em 2004 (o Superbowl é a final do campeonato de futebol americano)? Pois é. A CBS, que transmitia o evento, foi multada por causa da breve nudez do peito da senhorita Jackson; o seio esquerdo da moça deu uma pulada da roupa. A CBS recorreu e o caso da multa foi parar na Suprema Corte. Mas a graça não é essa (aliás, isso não tem a menor graça, multa por causa de peito saltitante em transmissão ao vivo).

Hoje, o serviço de alerta de notícias do "Wall Street Journal" chamou a inopinada nudez peitoral da moça de "wardrobe malfunction" ("defeito no vestuário", mas mais engraçado em inglês porque "malfunction" dá um tom ainda mais alucinado à história", como se a moça estivesse usando um traje espacial, ou algo assim).

O serviço de alerta por e-mail do "Wall Street Journal" noticiava que a Corte Suprema dos EUA mandou uma instância inferior rever uma decisão que aliviava a multa absurda sobre a CBS. Na época do desnudamento do peito, em pleno governo Bush, os conservadores fizeram um carnaval com a história e queriam aproveitar o caso para aumentar a censura aos meios de comunicação.

O problema é que a Suprema Corte está dando apoio às medidas censoras do FCC, órgão de regulação da mídia americana. O FCC quer punir meios em que alguém solte um palavrão eventual, em transmissões ao vivo, por exemplo.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Parlamentares querem ajuda do governo para conter jorros de lama; também pode voltar a conversa da reforma política. Esse foi o tema da coluna de domingo na Folha, que teve como gancho a algo esquisita defesa que Lula fez de algumas das vulgaridades dos parlamentares. Lula parece pressionado a ajudar a atenuar a malhação do Congresso _parlamantares-chave têm dito ao presidente que a lama do Congresso pode espirrar no Executivo. Assinante pode ler a íntegra do texto aqui.

Trecho:

"Como Lula fala demais, poderia ter se tratado apenas de um lapso. Parece que não. José Sarney, o presidente do Senado, e Michel Temer, o da Câmara, têm pedido um "sinal de apoio" a Lula, segundo parlamentares com quem ainda se pode conversar. Querem algum auxílio de Lula para conter a malhação do Congresso e a decorrente barafunda parlamentar que, descontrolada, pode espirrar no próprio governo.

A lama dos fundos burocráticos do Legislativo pode afetar figuras de frente da casa grande política. Podem surgir ligações muito diretas entre burocratas caídos e parlamentares. Pode irromper a fúria do baixo clero (quase o Congresso inteiro), que quer preservar mumunhas e capilés, em defesa dos quais reage ao estilo de mandões do mato."

 

 

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Crise com gripe: o caso do México

 
 

Crise com gripe: o caso do México

A coluna de hoje na Folha comenta os problemas econômicos do México, por ora o único país onde a gripe nova, a do vírus A/H1N1, causa algum estremecimento econômico. Assinante lê a íntegra da coluna aqui.

Trechos:

Cerca de 80% das exportações de bens mexicanos vão para os EUA. A segunda maior receita "externa" do país são as remessas de trabalhadores emigrados, a maioria deles nos EUA, muitos na arruinada construção civil do vizinho do norte. Trata-se de 2% do PIB. Sem tais remessas, o déficit externo mexicano (em conta corrente) teria mais que dobrado em 2008. A terceira maior receita "externa" é o turismo, pouco mais de 1% do PIB.

O país ainda tem US$ 78 bilhões de reservas em moedas fortes e uma linha de empréstimo de US$ 47 bilhões do FMI, equivalente a mais de dois anos do déficit em conta corrente de 2008 (US$ 16 bilhões, para um PIB de US$ 1 trilhão).

O PIB do México deve encolher 3,3%, segundo a média das estimativas recolhidas pelo banco central do México em março, publicada em abril. Bancões americanos preveem queda entre 4% e 5% -sem epidemia de gripe. A previsão do FMI é de queda de 4,4% (para o Brasil, o Fundo prevê -1,3%)."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Coluna Vinicius Torres Freire | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Vinicius Torres Vinicius Torres Freire é colunista da Folha, onde está desde 1991. Foi Secretário de Redação do jornal, editor de Dinheiro, editor de Opinião, correspondente em Paris, editor de Ciência e editor de Educação

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.