Blog do Vinicius
 

A meta de inflação tinha de cair. Não caiu

O governo manteve hoje a meta de inflação em 4,5% para 2011. O Banco Central queria 4%. Lula, como se sabe, teme que uma meta reduzida em 2011 leve o BC a apertar as cravelhas dos juros em ano de eleição, em 2010.

Há enorme discussão, mesmo entre economistas ditos "ortodoxos", sobre o nível adequado da meta. Uns dizem que a rigidez de vários preços na economia dificulta a redução da meta. Alguns dizem que manter a meta elevada, em 4,5%, no fim das contas apenas aumenta expectativas de inflação, o que acaba por impedir a queda dos juros.

Pode ser. Mas talvez fosse adequado pensar o problema sob outro aspecto. Reduzir a meta de inflação com taxas de juros de 15% ao ano é uma coisa. Com juros a 9%, a conversa muda de figura _de patamar. Difícil comprimir a taxa de juros (e, mais importante, a taxa de juros real), sem criar a perspectiva de que a inflação vai cair ainda mais. Obviamente, há muitos outros problemas no caminho da política monetária _a indexação ainda extensa na economia (como é o caso de aluguéis e de preços de serviços públicos, juros tabelados (como os da poupança) etc. Mas, dado o patamar atual da Selic, é mais difícil reduzir juros sem ter como meta uma inflação mais baixa.

Não era preciso nada radical. Apenas dar o sinal de que a meta de 2011 seria 4,25%. Que a de 2012 seria 4%. Por aí. Do modo como ficamos, vamos criar um piso para queda da Selic.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h17

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O grande pacotão de Lula e 2010

 
 

O grande pacotão de Lula e 2010

O governo ofereceu centenas de bilhões em créditos e subsídios e evitou crise pior; mas, agora, conta começa a ficar pesada. Esse foi o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

O governo completou ontem o seu pacotão, que vem se desenrolando desde o ano passado. Grosso modo, o plano anticrise de Lula teve os seguintes vetores:

1) Subsídios ao consumo de bens duráveis e materiais de construção, entre outros, via redução de impostos (IPI, IR, IOF etc);

2) Criação de novas linhas de crédito, que financiaram os empréstimos concedidos por bancos públicos, os quais sustentaram o crédito quando a banca privada se encolheu;

3) Transferência maciça de fundos do Tesouro e "paraestatais (FAT, FGTS) para o financiamento dessas linhas de crédito, fundos que são subsidiados e, assim, subsidiam as empresas que tomam o crédito, em especial as grandes, clientes do BNDES;

4) Criação de fundos garantidores de crédito a fim de destravar os empréstimos. Muitos desses fundos, "fiadores" de empréstimos, são bancados por recursos públicos. Além de destravar o crédito, tais fundos reduzem as taxas de juros dos tomadores, dada a garantia;

5) Liberação de compulsórios (dinheiro que bancos têm de deixar parado no Banco Central) a fim de destravar o crédito; 6) Uso do dinheiro das reservas internacionais do BC a fim de fornecer crédito para empresas exportadores, para reduzir o custo do crédito dessas empresas, e para auxiliar o refinanciamento de dívidas de empresas no exterior.

O plano funcionou, evitou uma recessão muito pior, mas começa a ficar exagerado. Além de gastar demais no que não deve, a arrecadação diminui devido à crise. A dívida pública cresce. Chegamos ao limite (se é que não passamos deles, com subsídios exagerados à grande empresa). Para piorar, o governo parece que não está inclinado a melhorar seu comportamento fiscal no ano que vem, ano de eleição. E, é provável, parte desse pacotão de medidas de Lula faça parte de seu grande acordão, do grande pacto luliano, de fundo político, com vistas a 2010 também.

Trechos:

"Desde o início da crise, o governo federal ofereceu cerca de R$ 96 bilhões em créditos extras a taxas de juros e outras condições especiais, sem contar os R$ 100 bilhões de crédito extra do Tesouro Nacional para o BNDES e o programa ‘Minha Casa, Minha Vida‘, que mal engatinha. Os subsídios fiscais diretos, as reduções de impostos, devem chegar a R$ 22 bilhões no final do ano. A redução do compulsório, o dinheiro que os bancos devem deixar parado no Banco Central, chegou a uns R$ 90 bilhões.

A medida mais impressionante de ontem foi o aumento do subsídio do Tesouro (de impostos) para todas as empresas que tomam dinheiro do BNDES, que recebeu R$ 100 bilhões extras do governo neste ano. Sobre esse dinheiro, o governo vai cobrar do banco estatal só a TJLP (a taxa ‘básica‘ do BNDES, 6% ao ano). O custo para o governo arrumar esse dinheiro é de, no mínimo, uns 9%, 10% ao ano."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h01

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Desonestos e charlatães, demagogos e embusteiros

Enojado com políticos? Está fora de moda. Ou sempre esteve na moda. Os americanos também estão na mesma. Mas, ao menos, mandam alguns deles para a cadeia. Leia abaixo texto traduzido do blog de Floyd Norris, principal colunista de finanças do "New York Times", citando outro jornalista, no caso H. L. Mencken, a respeito de políticos, num texto de 1934.

O post de Norris, "Mais as coisas mudam...", pede ironicamente aos americanos que não fiquem deprimidos com os escândalos políticos americanos de agora (faz tempo que são assim, mas parece que já foi pior: "Antigamente, as coisas eram piores, mas foram piorando", como dizia Paulo Mendes Campos). Não é um consolo, mas dá para se divertir com os adjetivos de Mencken:

*

"Tem sido um mau ano para governadores, que seguem de perto os banqueiros, que tiveram um ano ainda pior.

Mas antes que você fique muito deprimido com o estado de coisas da política americana, considere o texto abaixo, escrito em 1934 por H. L. Mencken e reimpresso no ‘Times’ durante a campanha presidencial de 1980, com o título ‘Por que ninguém ama um político?’

‘Ao lado dos sequestradores, os políticos parecem ser os homens mais impopulares desta grande República. Ninguém realmente confia neles. Para tudo o que fazem em geral é atribuído um motivo ignóbil. O país fica sempre feliz ao vê-los humilhados...

No que diz respeito aos governadores, eles são tão abjetos que há sempre dois ou três dos 48 sendo impichados, e há sempre um ou dois à beira de ir em cana. Nos últimos 15 anos, não menos do que 20 governadores foram acusados de crimes evidentes, e quatro ou cinco foram presos. Os demais, embora talvez honestos o bastante, são na maioria apenas demagogos e embusteiros. Seria difícil encontrar qualquer outra categoria de homens supostamente respeitáveis com uma incidência tão alta de desonestos e charlatães.’"

*

Por falar nisso, quando José Sarney será apeado do Senado, com sua parentela e sua clientela? Quando serão cassados os serviços de manutenção do coronelato do Maranhão? Idem para Renan Calheiros. E os tantos similares.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 23h00

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Madoff doaria cestas básicas no Brasil

Bernie Madoff pegou 150 anos de cadeia por causa da sua pirâmide. Está certo que era uma pirâmide egípcia, de US$ 60 bilhões. Mas, no Brasil, que criminoso financeiro pega ao menos 150 dias de prisão? Ou ao menos 150 dias de "serviços sociais" forçados? Alguém acredita que o mercado financeiro brasileiro é mais limpo do que o americano?

Quem quebrou ou avariou bancos no Brasil, nos últimos 20 anos, foi condenado a quê? Os bancos quebraram sozinhos, por força gravitacional? Banco Nacional, Banespa, Banerj, Bamerindus, Banestado, Santos etc etc? E aqui não tem informação privilegiada no mercado de capitais? Alguém aí sabe de alguém que se estrepou de verdade?

Escrito por Vinicius Torres Freire às 22h14

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O BC daqui e os de lá: cautela e ainda crise

O Banco Central anunciou agora de noite que vai prorrogar por 90 dias o incentivo que deu aos grandes bancos comprem carteiras (empréstimos) de bancos menores. No momento mais agudo da crise, em outubro, alguns bancos menores correram simplesmente o risco de quebra. Não conseguiam captar, enfrentavam saques. Foi uma espécie de corridinha bancária, cuja história ainda não foi bem contada (e é muito difícil de apurar. Quem vai contar que quase quebrou?).

Na época, de modo um tanto titubeante, o BC foi liberando compulsórios: permitia aos grandes bancos recolher menos dinheiro de compulsório (dinheiro que fica parado no BC) caso comprassem carteiras de crédito dos bancos menores. Os menores, assim, ficavam com dinheiro em caixa, não precisavam esperar o retorno de seu investimento de longo prazo (o crédito que concederam). Tal seca de crédito nos bancos menores foi um dos motivos das agruras das empresas menores e do mercado de carros usados (que, por sua vez, movimenta parte do mercado de novos).

O incentivo à compra de carteiras dos bancos pequenos vai, pois, até setembro. O BC estima, então, que a situação deve ter se normalizado até lá. Mas, por via das dúvidas, parece acreditar que a situação ainda não se normalizou.

Não está sozinho nisso. Na reunião dos banqueiros centrais na Suíça, esta semana, todo mundo estava muito cauteloso. Temem nova recaída na crise, depois que passar o efeito dos estímulos fiscais (dinheiro do governo). E ainda dizem que os bancos estão ou bichados (com muitos créditos podres) ou ainda em desalavancagem (isto é, reduzindo o volume de empréstimos em relação ao capital).

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h52

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O pacotão de hoje: bilhões de subsídios

Subsídio, muito juro subsidiado para empresas, foi o essencial do pacote anticrise divulgado hoje pelo governo Lula. Em algumas linhas de financiamento, a taxa de juros real do BNDES cai a zero (isto é, descontada a inflação, a taxa mais baixa, de 4,5%, é zero, dada a expectativa de inflação para este e para o próximo anos). De resto, o governo não vai cobrar mais do que 6% de juros sobre o dinheiro (R$ 100 bilhões) que vai emprestar ao BNDES (o governo capta dinheiro a pelo menos 9%, 10% ao ano). Logo, o custo do empréstimo do BNDES para empresas vai cair também. As maiores empresas são as maiores tomadoras de dinheiro do BNDES.

Mais comentários amanhã.

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h41

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Gasto público em ritmo de eleição

 
 

Gasto público em ritmo de eleição

Lula começa a dar primeiros sinais de que governo faz contas públicas pensando nos votos da eleição de 2010. Este foi o tema da coluna de domingo na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui, que também adiantava alguns dos itens de mais um capítulo do pacote anticrise, divulgado hoje.

Por exemplo, adiantava a coluna: "De resto, as medidas de apoio à indústria de máquinas e equipamentos devem prever um subsídio do Tesouro, que compensaria assim a redução dos juros do BNDES para a compra de bens de capital. Não está claro se haverá algum benefício fiscal para o setor. Pode ser que a TJLP (‘juros do BNDES’) caia."

Na semana passada, Lula rejeitou as propostas de cortes de gastos sugeridas por seus ministros, como o adiamento do reajuste dos servidores. Também ficou incerta a volta do superávit primário ao nível do ano passado. Até o Fundo Soberano pode entrar na roda a fim de cobrir insuficiências na receita de impostos e evitar, assim, cortes de despesas em ano eleitoral. O problema é o aumento da dívida pública, decorrente dessas atitudes.

Como dizia a coluna "...o endividamento extra dificulta outra vez a tarefa de melhorar o prazo/perfil da despesa pública (alongar a dívida e gastar menos com juros), de reduzir mais a taxa de juros ou, quase quimera, reduzir a carga de impostos (ou melhorar a sua distribuição, via reforma tributária). Seriam tarefas mais factíveis se a dívida baixasse à casa dos 30% do PIB."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h37

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Banca estrangeira segura crédito

 
 

Banca estrangeira segura crédito

A expansão do estoque do crédito doméstico está num ritmo equivalente a um terço do que era nos meses de 2008 anteriores à crise (setembro de 2008). O crédito novo para empresas caiu pelo segundo mês seguido. Os bancos nacionais privados voltaram a emprestar um pouco mais, superando de novo os bancos públicos. Mas a banca privada estrangeira segura os empréstimos (o estoque caiu em quatro dos cinco meses até maio, com exceção de março). Ontem, o BC divulgou o balanço das operações de crédito de maio.

A massa de rendimentos, o total dos rendimentos do trabalho, cresce agora a 3% _o ritmo era de 10% em agosto de 2008. A população ocupada estagnou nos últimos três meses. São os dados da pesquisa mensal de emprego para seis grandes regiões metropolitanas, que o IBGE divulgou ontem.

Não é uma catástrofe, mas mostra que a recessão ainda está roendo a economia brasileira. Em alguns setores, saímos do fundo do poço (como o poço muito fundo da produção industrial, em dezembro). Em outros, o elevador ainda está descendo, caso da massa salarial. No crédito, o elevador saiu do subsolo, em fevereiro, mas está meio emperrado pouco acima do térreo.

Este é o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler aqui.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 14h48

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Lula sobre o Senado: tantas coisinhas miúdas

Lula voltou a defender Sarney. Sarney diz que está sendo "perseguido" porque defende Lula. Disse ainda, hoje: "Não quero transformar as coisas no Senado numa crise institucional. Ali no Senado todos têm maioridade e sabem o que acontece. Que tomem decisões e resolvam."

O que Lula quer dizer com "não quero transformar as coisas no Senado numa crise institucional"? Há uma crise institucional, é óbvio, queira Lula ou não, no seu delírio imperial boquirroto.  Lula, desse modo, apenas piora a crise. Torna-se cúmplice de Sarney.  Tolera a bandalha oligárquica. Como FHC fazia com ACM.

Lula, de resto, pegou mais uma vassoura para ajudar senadores a empurrar o lixo para debaixo do tapete (ou melhor, sabendo como são as coisas no Senado, é provável que um "ato secreto" tenha sido baixado para contratar varredores, com salários superfaturados). Lula chamou a bandalha do Senado de "coisas menores".

"Acho que uma, duas ou três denúncias estão numa fase de apuração. Apura-se e toma-se uma medida. O que você não pode é um país com tantas coisas para a gente descobrir e pensar e a gente ficar um mês inteiro com coisas menores que o TCU pode investigar. Não conheço contas secretas."

Para piorar, diz que o TCU está aí para investigar "coisas menores". O TCU cuida das contas da União. Para Lula, coisas menores.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h48

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A crise argentina no Brasil

A crise da indústria exportadora brasileira é, em parte importante, argentina. A tese, obviamente muito mais bem fundamentada e exposta do que essa formulação jornalística, é do economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central no governo Lula, ora no Santander, em estudo divulgado hoje.

Schwartsman foi um dos primeiros economistas a apontar o efeito importante da queda das exportações industriais na baixa da atividade econômica brasileira no trimestre final de 2008 e no lento ritmo de recuperação em 2009.

A Argentina é o destino de cerca de 8% a 9% das exportações brasileiras, mas responde por cerca de 16% das exportações de manufaturados (fatia que já foi maior). Schwartsman observa que "as exportações brasileiras para a Argentina são muito diferentes da média" das nossas vendas para o exterior, "consistindo em grande parte de produtos sofisticados, com cadeias de produção longas e complexas". Apesar do tombo, a fatia das vendas brasileiras no mercado argentina se manteve constante desde a crise, segundo as contas do economista (isto é, se houve protecionismo argentino, tal atitude não chegou a distorcer o padrão anterior do comércio, em termos quantitativos).

Escrito por Vinicius Torres Freire às 20h59

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Polícia para o golpe no Senado

 
 

Polícia para o golpe no Senado

Um Poder da República era (aliás continua sendo) manipulado pelo conluio de altos burocratas com senadores. Estão cortando, a muito custo, algumas cabeças da burocracia, mas os senadores estão apenas tentando desviar o foco: tratar a coisa como mero problema administrativo e se livrar de punições. Para evitar tal coisa, é preciso que o Ministério Público e PF entrem a fundo nesse caso.

Esse é o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

Trechos:

"Mais importante, eram [os atos de bandalha no Senado] benefícios políticos num sentido maior e mais grave: um grupo de burocratas que servia de esquadrão de apoio à cúpula dos senadores, àqueles que mandam na casa faz 15 anos. Por meio de favores e, aparentemente, chantagens desse grupo de burocratas, a cúpula do Senado manipulava recursos financeiros e administrativos a fim de manter seu poder na Casa, sobre a bancada parlamentar e, assim, sobre parte da República. Além de privatizar bens públicos para benefício diretamente pessoal, o conluio de senadores de cúpula com a burocracia eternizada no comando administrativo do Senado servia à manipulação institucional."

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h28

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O túnel do tempo da crise, ilustrado

O Fed de Nova York publicou em seu site duas linhas do tempo que pontuam as medidas tomadas nos EUA e no resto do mundo a fim de conter a crise financeira. É um trabalho bastante didático, preciso e que pode nos ajudar a refrescar a memória sobre o tema, além de auxiliar pesquisas. Abaixo, uma imagem reduzida das linhas do tempo (a versão original não cabe no formato deste blog). Abaixo, seguem os links para cada linha do tempo, em formato PDF. A página do Fed de NY que introduz o assunto (e dá os links para cada linha do tempo) está aqui. Abaixo, segue a versão reduzida da linha do tempo.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 20h57

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Uma história do saque do Senado

 
 

Uma história do saque do Senado

Oligarcas da miséria, antigos e arrivistas, chantageiam os governos federais e estão na base da crise parlamentar. Esse é o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

Trechos:

"Por um lado, há os oligarcas mais ou menos tradicionais do Nordeste, que em geral sobraram no PFL-DEM. De outro, há a nova oligarquia que emergiu nos anos 80, com as vitórias do PMDB, as quais levaram ao poder figuras da pequena classe média (e daí para baixo), que acabaram por fazer carreira e fortuna na política: Quércias, Barbalhos, Rorizes, Rezendes, Geddeis, ao que se somaram Renans e similares, eles mesmos senadores ou "donos" de bancadas.

O poder de vários desses "quadros" dominantes foi reforçado com as doações de rádios e TVs, intensificada quando José Sarney presidia a República. Além do mais, a fragmentação partidária reforça o poder do PMDB, esse partido dito sem rosto mas que reúne a parte mais pujante do empreendedorismo político nacional, digamos. Antes do PT, o PMDB foi um grande instrumento político de ascensão social.

Vindos na maioria dos Estados mais miseráveis (Maranhão de José Sarney, Alagoas de Renan Calheiros, entre outros) ou quase em estado de natureza (os ex-territórios, caso de Romero Jucá), tais senhores detêm alguns oligopólios políticos. Têm razoável controle sobre o eleitorado local, dependente do Estado. Trocam favores com o presidente e com os candidatos a presidente da República do "Sul" rico. Não é por outro motivo que Lula, mas também todos os presidentes pós-ditadura, os tolera ou mesmo os defende."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h00

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Algumas boas notícias. E más também

Mesmo com números reforçados pela recuperação de créditos, o resultado da Previdência Social de maio foi razoavelmente bom. O déficit ainda está crescendo a feios 10,4% (no acumulado do ano, contra o mesmo período do ano passado. Mas em abril era de 14%. Grosso modo, a situação do emprego e empresas não está piorando mais.

Os números sobre emprego do Dieese também não são para festejar, mas são outro indicador de resistência do mercado de trabalho. Era razoável esperar uma deterioração adicional, que bateria na renda, que refletiria no comércio, estendendo um pouco mais os efeitos da crise, que explodiu feiamente na indústria.

Antes do estouro da crise, no semestre anterior ao setembro de 2008, o crescimento do número de ocupados estava crescendo em torno de 5% (ante o mesmo mês do ano anterior). Em dezembro, a taxa caiu para 3,8%. E março de 2009, para 1%. Em maio, ainda ficou em 1,1%. Mas a taxa de crescimento parou de cair. E não ficou no vermelho (os dados dizem respeito às regiões metropolitanas de BH, Porto Alegre, Recife, Salvador, SP e ao DF).

O rendimento médio cresceu 1,1% em abril de 2009 (ante abril de 2008). A massa de rendimentos cresceu mais: 2,6%.

Estamos andando muito devagar. Mas não estamos regredindo.

Isso quanto ao emprego.

Energia em baixa

Mas há sinais preocupantes ainda em outras áreas. A arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no Estado de São Paulo caiu 7,1% em maio (ante maio de 2008, em termos reais).

O consumo de energia elétrica no país caiu 4,4% em maio (ante maio de 2008). No acumulado do ano, a queda é de 2,7%.

No caso do consumo industrial, a queda foi de 12,4% (em maio), de 11,5% (no acumulado de 2009 contra 2008) e de 3,6% (nos doze meses até maio). Tudo ainda muito ruim.

Enfim, os indicadores em geral ainda apontam para crescimento zero do PIB em 2009. Mas a resistência do mercado de trabalho e do consumo doméstico talvez indique que pode haver alguma surpresa mais positiva, mais adiante no ano.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h45

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Engenheiros, taxistas e emprego

 
 

Engenheiros, taxistas e emprego

Emprego formal novo na indústria continua em baixa; serviços e final da temporada agrícola sustentam mercado. A coluna de hoje na Folha trata da lentérrima, aliás quase inexistente, recuperação do emprego na indústria, o que se pode notar pelos dados do Caged (Ministério do Trabalho, registros de empregos com carteira assinada), divulgados ontem. O assinante pode ler a íntegra do texto aqui.

Trechos:

"Entre empregados e demitidos, o saldo de empregos industriais de maio foi 700 (ante 36.701 em maio de 2008). O resultado geral apenas aparentemente bom, 131 mil empregos a mais (sem ajuste sazonal), deveu-se ao setor de serviços e à temporada de contratações agrícolas (que se encerra em agosto).

Os dados espelham os do PIB. O "valor adicionado" (crescimento de fato) da indústria de transformação caiu 12,6% em relação ao início de 2008. O dos serviços cresceu 1,7%, no total. Serviços de informação, finanças e "outros serviços" cresceram entre 5% e 7%. "Outros serviços" são aqueles do dia a dia: educação, saúde, reparos e manutenção, alimentação etc. Em educação e saúde, foi contratada mais gente do que em 2008 (de janeiro a maio). Fora finanças, todos os demais serviços estão com saldo positivo no ano, apesar de inferior ao de 2008. No caso da indústria, foram perdidos 146 mil empregos em 2009. Tal crise, de resto, pressiona os salários dos empregos restantes para baixo."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h01

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De volta

Como os eventuais leitores podem notar pelo post abaixo, este blogueiro voltou à ativa, depois de outra pausa forçada para reparos e manutenções _do próprio blogueiro. Muito obrigado pelas mensagens de apoio.

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 14h26

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O BNDES é amigo da motosserra?

Luciano Coutinho critica ação de procuradores contra vacaria que pasta na ruína amazônica, mas problema é mato por lá. Esse foi o tema da coluna de domingo na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. O BNDES criticou a coluna, em carta ao jornal. A carta publicada na edição de hoje da Folha pode ser lida no final deste post.

O BNDES financia a expansão dos grandes frigoríficos nacionais; financia fusões e aquisições no setor. É sócios das maiores empresas do negócio. As maiores empresas ainda não criaram sistemas para rastrear a origem dos bois que compram; aliás, nenhuma empresa está livre do risco de comprar produtos derivados de bois criados em meio à bandalha. Mas ninguém liga muito; ou não ligava, até a ação do Ministério Público Federal. 

Na Amazônia, onde o rebanho nacional mais cresce, a situação é de anarquia: além de os rebanhos ocuparem terras em situação ilegal, desmata-se para acomodar a vacaria, há trabalho escravo (residual, mas há), grilagem, jagunçagem etc. Os procuradores federais do Pará e, em breve, os do Mato Grosso, pretendem dar um basta na bandalha. Mas o BNDES continuou a se associar, sem mais, a tais empresas. Agora, que o caldo está entornando, avisa que vai "dar o maior apoio" a medidas para melhorar o rastreamento dos bois. É uma vergonha.

Por fim, a área de relações públicas do BNDES age como de costume: um czar da burocracia diz o que quer (caso de Coutinho criticando procuradores do Pará). Sai a notícia da declaração do czarete. O burocrata não reclama. Quando é criticado por falar o que quer, a máquina de relações públicas reage. É um clássico.

Trechos:

"Luciano Coutinho, presidente do BNDES, pode passar por aliado da motosserra e da vacaria que pasta nas ruínas da Amazônia. "Lamentavelmente, o Ministério Público iniciou ação que não tem fundamento", disse. Tratava de procuradores federais do Pará que acusam fazendas, frigoríficos e outras empresas de criar bois e vender carne e derivados em área de desmatamento ilegal, entre outro pepinos.

Os procuradores ameaçaram multar e processar os revendedores do que dizem ser subprodutos do desmatamento, acusação partilhada pelo Ibama. Assim, Pão de Açúcar, Wal-Mart e Carrefour, entre outros, interromperam a compra de produtos das empresas acusadas. Se Coutinho sabe dos erros dos procuradores, deveria torná-los públicos.

Os procuradores do Pará têm documentos que indicam irregularidade nas terras das empresas acusadas: embargadas, griladas, multadas por crimes ambientais e trabalho escravo. Advogados das empresas acusadas já negociam "termos de ajustamento de conduta" com o Ministério Público. O governo do Pará se ofereceu para intermediar as negociações. Problemas, pois, há."

A carta do BNDES:

"O colunista Vinicius Torres Freire utiliza-se de uma frase do presidente do BNDES fora do contexto e desenvolve todo um raciocínio equivocado em seu artigo "O BNDES é amigo da motosserra?". Inquirido por um jornalista sobre o que achava da possibilidade de o BNDES ser réu em ação do Ministério Público do Pará sobre supostas irregularidades por parte de frigoríficos, Luciano Coutinho afirmou que considerava lamentável incluir o banco no processo e que o BNDES não compactuava com ações contrárias ao meio ambiente.
Se o colunista tivesse procurado a assessoria de imprensa do banco, poderia ter recebido a transcrição da entrevista e obteria a informação de que o BNDES irá anunciar em breve medidas no sentido de incrementar a rastreabilidade bovina, reiterando o seu compromisso incontornável com o desenvolvimento ambiental e social da Amazônia."
FÁBIO KERCHE, assessor da presidência do BNDES (Rio de Janeiro, RJ)

Escrito por Vinicius Torres Freire às 14h18

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Forfait

O blogueiro está fora por alguns dias, para reparos e manutenção.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 10h20

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Juros em alta na praça do mundo rico

Desde a semana passada, os mercados financeiros estão colocando em seus "preços" uma probabilidade maior que 50% de que o Fed, o BC americano, aumente os juros ainda antes do final deste ano. Estudiosos da escrita cuneiforme e dos hieróglifos do Fed acham, porém, que é remotíssima a possibilidade de o Fed elevar a meta da sua taxa básica, hoje entre 0 e 0,25% ao ano, além do mais acompanhada de "quantitative easing", a compra de papéis públicos e privados com o objetivo de dar liquidez ao mercado de títulos e crédito privado e de reduzir a taxa de juros dos papéis mais longos do governo americano. Afinal, a recessão ainda é feia nos EUA, com desemprego crescente, menos horas trabalhadas, salários caindo e crédito escasso.

Não obstante, desde abril o rendimento dos títulos mais longos do Tesouro (10 anos), vem subindo. De resto, em depoimento na semana passada ao Congresso, Ben Bernanke, presidente do Fed, disse que o governo americano precisa começar a pensar em como reduzir o seu já imenso e ainda crescente déficit público. Bernanke observou, a seu modo, que os mercados já vinham ficando nervosos com o tamanho do déficit e do enorme endividamento americanos, fato refletido na alta dos "juros" dos títulos americanos (que sobem, pois no mercado secundário vendem-se papéis do governo, até faz pouco tempo tidos como o único refúgio para o dinheiro em tempos de caos econômico). Tem até gente já pensando na volta da inflação (daqui a mais de um ano, ao menos, decerto). Mas o temor até março, pelo menos, era o de deflação.

Na verdade, os títulos de prazo mais curto (2 anos) agora também estão subindo, e o rendimento dos títulos do países centrais da Europa (Alemanha e Reino Unido) também está em alta, acompanhando os americanos. E daí que os "juros" subam na praça? Grosso modo, essas taxas são a referência do custo de financiamentos de longo prazo, como o crédito imobiliário, que também começa a zanzar para cima, ao menos nos EUA. Se os juros sobem cedo demais, isso pode prejudicar a recuperação econômica (que depende, entre outras tantas coisas, da liquidação do excesso de moradias à venda). Em abril, a taxa de financiamentos imobiliários de 30 anos nos EUA andava em torno de 3,8%, 4%. Agora está em 5%.

O que pode acontecer? Os Bancos Centrais podem comprar mais títulos no mercado (públicos e privados; se o Fed compra títulos, grosso modo eleva sua procura e seu preço, reduzindo seu rendimento: os "juros" caem). Ou o mercado pode corrigir seu "excesso" e voltar a comprar mais títulos do governo. Enfim, reina uma certa e por ora ainda pequena confusão no miolo da área da política monetária do mundo rico.

Pode ser apenas que as coisas (taxas e preços na finança) estejam voltando ao "normal", depois da rápida e grande depressão de preços. Mas ainda ninguém sabe de nada, "for sure".

Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h34

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Mantega: imposto de carro deve subir

 

"[A redução do IPI] termina este mês. Se você está pensando em comprar um carro, aproveite oportunidade, que os preços ainda estarão reduzidos... À medida em que a economia demonstra que está caminhando com suas próprias pernas, então poderemos tirar esses estímulos... Os setores que não estão voltando poderão ter algum estímulo adicional. Nós vamos avaliar no final do mês".

Foi o que disse hoje Guido Mantega, ministro da Fazenda. Na semana passada, esta Folha deu que o governo tendia a não prorrogar a redução de IPI sobre carros. Depois, o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, se disse contra a prorrogação do desconto de imposto Agora, Mantega diz em público tal coisa. Pode ser verdade. Ou pode ser uma tentativa de dar uma turbinada nas vendas. Mas, para quem pensa em comprar carro, é o caso de pensar em aproveitar o final da liquidação. Pelo que este colunista-blogueiro apurou, nada está definido ainda. Mas a tendência maior, no governo, é de acabar com o desconto do imposto no final deste mês.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h50

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Krugman, FMI, OCDE: recessão no fim?

O Nobel Paul Krugman, da ala dos pessimistas, disse hoje que a recessão nos Estados Unidos pode acabar por volta de setembro. Foi numa palestra na London School of Economics. "Oficialmente", os EUA estão em recessão desde dezembro de 2007 (segundo o anúncio do National Bureau of Economic Research, o instituto que data as recessões nos EUA, o comitê do carbono-14, método usado para datar objetos arqueológicos e paleontológicos, tal a demora do grupo em se manifestar).

Krugman não foi efusivo: "Parece que as coisas estão piorando em ritmo menor. Há alguns motivos para pensarmos que ela estão se estabilizando". Disse ainda que o desemprego vai continuar subindo por "longo tempo", "quase certamente", e "há muitos motivos para acreditar que a economia mundial vai permanecer deprimida por um período extenso", disso o economista.

Mas ele já foi mais pessimista. Tanto que, verdade ou não, a agência de notícias financeiras Bloomberg atribuiu a recuperação das Bolsas nos EUA, nesta tarde, às declarações de Krugman. Sim, é meio exagerado. Mas dá a medida do pessimismo krugmaniano _era esse o ponto.

A OCDE também acredita que as maiores economias do mundo comecem a se recuperar no final do ano (os países da OCDE são os da eurozona, mais EUA, Canadá e México, além de Japão e Coreia). O fundo do poço teria sido abril. Mas é "ainda muito cedo para julgar se se trata de uma recuperação durável ou temporária", diz o comunicado do boletim mensal de prévias econômicas da OCDE.

Mas, segundo o FMI, a falta de coordenação no trabalho de reforma e limpeza dos bancos europeus pode minar a recuperação da eurozona. Em seu balanço semestral da economia europeia, o Fundo diz que o sistema financeiro ainda está enfraquecido. Diz ainda que a recuperação tende a ser "lenta, e sua forma e seu momento são ainda altamente incertos".

Isto é: "recuperação" será um crescimento de quanto em 2010, nos EUA e na Europa? 0,5%? 1%? Mistério.

Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h16

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Uma estranha recessão

 
 

Uma estranha recessão

Apesar de queda forte do PIB, crise se concentra na indústria. O desemprego não se espalhou muito das fábricas e da indústria extrativa para outros setores, pelo menos até agora. Os salários não caíram; pelo contrário, os salários das faixas mais baixas de renda até subiram. As contas fiscais e externas em relativa ordem ajudaram; subsídios ao consumo, rendas garantidas pelo Estado e a ação dos bancos estatais também. Ainda assim, a redução do crescimento será forte (no ano, por volta de 5 pontos percentuais). Muito melhor que os efeitos da crise não tenham se disseminado pelo mais. Mas ainda assim, esta recessão tem algo de esquisito

Esse foi o tema da coluna de domingo na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

Trechos

 

 

"Amanhã, será divulgado o já anacrônico resultado do PIB do primeiro trimestre. Tanto na comparação com o final de 2008 como com o primeiro trimestre de 2008, a queda estimada fica entre 2% e 3%. É um tombo inédito desde os anos terríveis de Fernando Collor, aquele que outro dia beijou a mão da ministra Dilma Rousseff e, aliás, foi também presidente da República, deposto por bandalheira e caos econômico.

Para 2009, há estimativas de queda de 2% do PIB (caso de economistas do Itaú). Economistas da MB Associados, do Bradesco e do Santander estimam estagnação. Os da Tendências, queda de 0,6%. Números ruins, além de muito dispersos, mas os economistas acreditam que a pior dentada na atividade econômica teria ocorrido de janeiro a abril. Porém, não é improvável que números piores sobre consumo de varejo, renda e emprego ainda apareçam daqui até o final do ano."

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Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h40

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As furadas de Ben Bernanke

Dá para acreditar em Ben Bernanke?

Do blog de Floyd Norris, colunista de finanças do "New York Times", que por sua vez recolheu as citações de Bernanke de David A. Rosenberg, economista-chefe e estrategista de empresa de gestão de recursos Gluskin Sheff, de Toronto:

"Continuamos a esperar que a economia chegue ao fundo do poço, e então comece a crescer mais adiante, neste ano".

(3 de junho de 2009)

"Informações recentes indicam que a atividade econômica continua a se expandir, parcialmente refletindo alguma resistência no gasto das famílias... Apesar de ainda existirem riscos de baixa no crescimento, eles parecem ter se reduzido um pouco".

(25 de junho de 2008)

"Neste ponto, entretanto, o impacto dos problemas do mercado ‘subprime’ na economia e nos mercados financeiros provavelmente serão limitados".

(27 de março de 2007)

"Neste ponto, além da forte criação de empregos e ainda baixas taxas de juros imobiliários, que estimulam a demanda de moradias, os dados disponíveis sobre o mercado imobiliário indicam que o setor vai passar por um esfriamento gradual, em vez de uma desaceleração aguda.

(27 de abril de 2006)

Escrito por Vinicius Torres Freire às 19h00

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Cadê o imposto da poupança?

 
 

Cadê o imposto da poupança?

Tal como o fundo soberano e o pré-sal, debate sobre tributo da poupança morre assim que a picuinha dos políticos esfria. A politização cada vez mais vulgar do debate, eleitoreiro no mais baixo nível, é o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

Trechos:

"O governo deixa como está para ver como é que fica. Não houve movimentos anormais nas aplicações financeiras (poupança ou outras). De resto, alguém avisou, "nas internas" do governo, que o imposto pode ser contestado na Justiça (e a oposição diz ter ouvido de ministros do Supremo que a tributação, tal como proposta, cairia). Porém, a oposição percebeu que a campanha "não colou" e mudou de assunto: agora trata da chacrinha da CPI da Petrobras, refrega na qual também vem apanhando. A oposição parece um jogador iniciante de xadrez, que a todo momento se imagina esperto por aplicar xeques bisonhos e reversíveis no rei adversário, o governo."

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h21

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Enxugar gelo seco: o caso do dólar

 
 

Enxugar gelo seco: o caso do dólar

O que fazer do real forte? Em maio, o Banco Central comprou pelo menos 88% do saldo cambial (diferença entre todos os dólares que entraram e saíram do país no mês), mas o dólar caiu quase 10% ante o real. A composição do fluxo não é exatamente maligna, digamos: é resultado de uma balança comercial e de investimentos diretos ("produtivos") em níveis melhores do que os esperados, de captações de empresas, de investimentos na Bolsa e, em parte bem menor, em renda fixa (dívida do governo). Ou seja, comprar muito dólar não adianta, a composição do fluxo de dinheiro nem é ruim nem seria muito afetada pela taxa de juros. A solução para o câmbio demanda propostas mais complexas. Esse foi o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

Trechos:

"Isto posto, a onda mundial que estimulava especulações e insuflava expectativas de alta do real, que deu uma tremelicada ontem, ainda parece um problema. Ou, melhor, será um problema, se continuar como vinha até segunda-feira. Uma queda "expressiva" de juros, como quer a Fazenda e parte da oposição à política econômica, resolveria? Digamos que, "tudo o mais ficando constante" (embora não fique, mas vá lá), se chegasse ao final do ano com uma Selic dois pontos menor (na verdade, tal hipótese já se torna carne de vaca entre os maiores bancos brasileiros e por conservadores economistas decanos do tucanato, por exemplo). Faria diferença? Faria diferença, dadas taxas de juros de curto prazo a quase zero no centro do mundo e variações cambiais de 10% ao mês sendo agora coisa normal? Isso talvez afetasse apenas aquela parcela dita "especulativa" do fluxo e alguma expectativa de valorização adicional do real (supondo que o mundo não sofra novos solavancos). Não parece ajudar muito, pelo menos no curto prazo."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h40

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"A Cebola", a bolha e dólar frito

 
 

"A Cebola", a bolha e dólar frito

É bolha ou não é? Ontem, o diretor do órgão regulador do mercado de futuros de commodities nos EUA disse que a explosão do preço das commodities no ano passado, concomitante à queda do dólar, foi uma "bolha" inflada por especulação. O fenômeno que temos visto desde abril, de alta forte de commodities e queda do dólar, é parecido. É bolha ou não é?

Esse foi o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.

Trechos:

"Para ajudar a desconfiança em títulos americanos e no dólar, a expectativa de inflação nos EUA voltou ontem ao nível de setembro de 2008, AC (antes do colapso). É uma expectativa de nada, 2% no médio prazo. Mas faz pouco o medo era de deflação; a expectativa de inflação de médio prazo era ZERO em dezembro. Paul Krugman, o Nobel da moda, escarnece da ideia de medo de inflação nos EUA. Mas juros de títulos americanos longos sobem, o petróleo morde a cotação de US$ 70 o barril (o dobro de fevereiro), o ouro ameaça voltar a US$ 1.000 a onça, e as moedas commodities (de países produtores) se valorizam."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h42

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Rapidinho: dólar, de baciada

Acabou de dar naqueles letreiros de pé da tela da TV Bloomberg: "Banco Central compra dólar a R$ 1,9270 cada". A graça está no "cada". Foi apenas um lapso banal ou o redator acha que, daqui a pouco, o BC vai comprar dólar a "R$ 1,927 a baciada"?

Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h02

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Oposição, "ricos", pobres e Lula

 
 

Oposição, "ricos", pobres e Lula

O prestígio do governo Lula está altíssimo em todas as categorias do eleitorado pesquisadas pelo Datafolha, segundo pesquisa divulgada no domingo passado pela Folha. Mas o nível de insatisfação é maior entre os entrevistados com renda familiar superior a 10 salários mínimos (o que não dá nem R$ 5 mil, e as família brasileira média tem entre 3 e 4 pessoas. Isto é, não se trata, de modo algum, de "ricos", em termos absolutos, ao menos). A insatisfação entre essa faixa de renda, de resto, vem crescendo desde dezembro. É um dos dados mais curiosos da pesquisa, e de difícil explicação. Esse é o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler aqui.

Trechos:

"Se a distinção dos entrevistados é feita por anos de estudo, tal fenômeno não se repete, embora o prestígio do governo cresça mais entre os que estudaram até o ensino médio.

...

A discrepância de opinião associada à renda já foi muito maior nos anos Lula. Mais "ricos" e mais pobres tiveram opinião bem parecida sobre o governo em 2003 (ano econômico muito ruim), 2004 (ano de recuperação) e na segunda metade de 2008, ano de muito bom crescimento econômico e auge dos benefícios sociais lulianos.

Considere-se um "índice de aprovação" do governo (porcentagem de ótimo/bom menos porcentagem de ruim/péssimo). A diferença de aprovação entre mais "ricos" e mais pobres andou em torno de 40 pontos em 2006. Em 2005, ficou em torno de 26 pontos. Em 2003, andava em torno de 7 pontos. No pico da popularidade do governo Lula, em novembro de 2008, em 13 pontos; agora, em maio de 2009, a diferença subiu um tanto, para 20 pontos.
2005 foi o ano do mensalão; 2006, de eleição."

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h57

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China, Bolsa Família, BC e o real

Pacto luliano de estabilidade econômica e dependência da China anestesiam o país e dificultam mudança maior. Foi o tema da coluna de domingo na Folha: tento, ali, dar um exemplo de como é limitado e, em suma, um erro, tentar pensar alternativas de política econômica sem considearr os contextos em que elas foram articuladas. Para imaginar mudanças, pois, é preciso pensar nas alterações políticas que permitem novo mix dito "técnico" de medidas econômicas.

Assinante pode ler a íntegra do texto aqui.

Trechos:

"É mais difícil isolar um Banco Central de pressões políticas de origem popular em democracias pobres. Altas de juros degradam as condições de vida, o que pode suscitar protesto político. Em economias mais arrumadas, o impacto do aperto monetário pode ser menor. Menor ainda se houver um amortecedor, um colchão social.
Programas de transferências sociais de renda, muito incrementados no governo Lula, providenciaram tal colchão. Assim, de certo modo e talvez inadvertidamente, comprou-se o relativo isolamento do BC, também chamado de autonomia.
Note-se que políticas dessa natureza eram recomendações do esquecido "Consenso de Washington", o decálogo do "perfeito idiota neoliberal", diriam petistas, que hoje comem nesse prato em que cuspiam."

 

 

Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h11

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PERFIL

Vinicius Torres Vinicius Torres Freire é colunista da Folha, onde está desde 1991. Foi Secretário de Redação do jornal, editor de Dinheiro, editor de Opinião, correspondente em Paris, editor de Ciência e editor de Educação

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