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A agência reguladora de mercados futuros nos EUA pensa em limitar a ação de “hedge funds” e outros participantes “especulativos” do mercado futuro de petróleo e gás. Desde a explosão de bancões americanos, em setembro de 2008, se ouve dizer que haverá nova e mais pesada regulação dos mercados. Até agora, não saiu nada. Aliás, não está com cara de que vá sair alguma coisa de fato pesada, e mesmo os limites para libertinices autodestrutivas do mercado talvez não passem _vide a recepção do pacote Obama nas bancadas de “centro” e “direita” no Congresso dos EUA. Mas a Commodity Futures Trading Comission estuda limitar a quantidade de negócios que investidores podem assumir no mercado caso não tenham negócios “físicos” para proteger. Isto é, quem vai ao mercado apenas para especular sofrerá limitações. CFTC vai realizar audiências públicas em julho e agosto a fim de ouvir sugestões de como regular o mercado. O que é difícil. Como se sabe, sem “especuladores” (quem vai ao mercado apenas apostar em altas e baixas de preços, sem precisar fazer hedge “de fato”), mercados futuros funcionam muito mal: ficam sem liquidez. Sem liquidez, fica difícil “casar” as necessidades de proteção de “comprados” e “vendidos” no mercado físico. Entre outros problemas mais complicados. Não obstante, vimos como ondas especulativas podem jogar na Lua tendências de preços que iriam, talvez, apenas até o Himalaia. No ano passado, o petróleo chegou a passar de US$ 145, em meados do ano, para cair a US$ 34, em dezembro. Não há flutuações de oferta e procura que expliquem tal loucura _isto é, se caísse um cometa na Terra ou se houvesse uma Guerra Mundial, talvez. Enfim, é preciso achar um ponto de bom senso. Mercados precisam de “especuladores”, mas os mercados podem ser estropiados por eles. Se prosperar, a iniciativa da CTFC pode ser uma das mais interessantes da onda de “regulação” (se é que isso vai virar uma “onda”).
Escrito por Vinicius Torres Freire às 19h16
Mulher faz festa por ter conseguido o ingresso para o velório de Michael Jackson. Que gente é essa? 
Foto Mario Anzuoni/Reuters
Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h11
Sarney + déficit público = 2010 Na mesma semana, Lula paga apoio do PMDB com vexame extra do PT e diz que vai elevar dívida pública; tudo por 2010. Esse foi o tema da coluna na Folha de domingo. Assinante lê a íntegra aqui. Trechos:
"Lula fez o PT empenhar o resto de sua alma já muito pequena a fim de manter as graças de Sarney e Calheiros até pelo menos 2010. Na mesma semana, o governo anunciou uma expansão adicional da dívida pública. Era previsível, mas foi sintomático que o relaxamento extra do déficit tenha ocorrido no fim de outra semana de ruína moral do PT. Coube ao senador Aloizio Mercadante, com cara de coveiro em tempo de epidemia, anunciar que o PT fará qualquer negócio para manter a "governabilidade" (adesão a Sarney e cia.). Até Dilma Rousseff, no antigo papel de militante disciplinada, fez charme para Sarney. Dilma, aliás, anda tomando muito Gim, o Argello, notório por ter sido um quase cassado antes de ser senador e pela carreira esmerada: saiu da órbita de Plutão, das cercanias do fugitivo Joaquim Roriz, para a de Renan Calheiros.
Férias O colunista terá o privilégio de não lidar com essa turma por algumas semanas. Entra em férias hoje. " O colunista está de férias por algumas semanas. A coluna estará fora do ar. O blog estará ativo, mas não muito.
Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h50
Emprego e nova crise nos EUA, em 2010-11
Apesar da falácia marqueteira do mercado, dados de junho indicam recessão comprida e regressão do trabalho nos EUA. Todos os empregos criados desde a última recessão, que terminou em 2001, foram para o brejo com a crise que começou em 2007. A recuperação do emprego na crise de 2001 (governo Bush) havia sido a pior desde a Segunda Guerra. Isto é, o mercado de trabalho ficou muito enxuto nesse período. A dita "globalização" (competição com a indústria asiática) e métodos de administração mais duros e precisos levaram as empresas americanas a trabalharem no "osso". O emprego não cresceu, os salários da "base" não cresceram, um dos fatores que provocaram a acentuada piora na distribuição de renda americana (que aliás vem desde os anos Clinton). Esse foi o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. Os dados de ontem sobre o mercado de trabalho nos EUA indicam que a recuperação será lenta. Além de cortar empregos, as empresas estão cortando horas de trabalho. O número médio de horas trabalhadas por semana é o pior desde 1964 (o início dessa série de medições). Arrumar emprego, então, é tarefa inglória. A duração do desemprego "oficial" é a maior desde 1948. Uma medida de desemprego mais ampla que a "oficial", a que inclui desalento e trabalhadores em tempo parcial que queriam trabalhar em horário integral, foi a 16,5% (a taxa "oficial" é de 9,5%). O doutor catástrofe, Nouriel Roubini, disse em seu site (RGE Monitor, mas este texto só para assinantes) que "o relatório de emprego de junho indica que os alardeados "brotos verdes" são na maioria sementes amarelas que podem vir a se tornar esterco marrom". Roubini acredita que o desemprego pode chegar a 10,5% no final do ano _mas diz que, antes disso, a recessão terá terminado. Ainda assim, a redução do número de empregos poderia continuar por um ano e meio depois do fundo do poço da atividade econômica. O pico do desemprego seria de 11%, no ano que vem. Que pós-recessão será esse, então? Para Roubini, os Estados Unidos cresceriam 1% no ano que vem. Ou seja, a produção da economia americana ainda estaria no nível de 2007, e "bem abaixo do potencial de crescimento de 3% ao ano". Para adicionar desastre ao pessimismo, Roubini diz ainda que "de que pode haver forças que levem a uma recessão com dois fundos de poço, com a segunda queda ocorrendo em algum momento do final de 2010 ou no início de 2011. Se os preços do petróleo subirem muito, muito rápido e muito cedo, isso terá um efeito negativo no comércio e sobre a renda real disponível em países importadores de petróleo (EUA, Europa, Japão, China etc). Também preocupam os altos e insustentáveis déficits públicos, que permanecerão altos com o crescimento anêmico e desemprego crescente". Para Roubini, os rombos fiscais podem provocar, entre o final de 2010 e o início de 2011, um aumento nas expectativas de inflação e aumentos nas taxas de juros de longo prazo. Somada a uma provável alta do petróleo, a alta de juros provocaria um novo mergulho na recessão por volta do final de 2010 ou no início de 2011.
Escrito por Vinicius Torres Freire às 20h51
"Há uma omissão aqui que é a responsável por essa crise de 81 senhores senadores, nenhum a mais, nenhum a menos! Não vamos querer ser mais certos, mais errados, mais éticos ou menos éticos. Vamos admitir nossa culpa e encontrar uma saída para esse impasse". Isto é Heráclito Fortes (DEM), primeiro secretário da Mesa do Senado, falando hoje no Senado. Culpa coletiva? É a mesma tese de Aloizio Mercadante e Delcídio Amaral, senadores do PT: não se pode culpar apenas Sarney pelo rolo. Mercadante disse na tribuna do Senado que quer a "punição dos responsáveis", mas também "manter a governabilidade" (isto é, continuar a bajular carcomidos como Sarney e seu lua preta, Renan Calheiros). Mais Mercadante, o amigo dos aloprados: "Disse publicamente e quero repetir da tribuna: não me parece uma boa atitude a que estamos assistindo, por exemplo, a atitude da bancada do DEM [de pedir afastamento de Sarney]. Estiveram na Primeira Secretaria durante todo o período em que estive nesta Casa. Como simplesmente se retirar neste momento e dizer que a responsabilidade da crise é exclusivamente do presidente? Isso não ajuda". Para adicionar injúria ao insulto e ao vexame terminal, Mercadante disse ainda que Sarney tem "importância histórica" para "a vida democrática do país". Bom, talvez seja o caso de apoiar tanto Heráclito, do DEM, como Mercadante e os demais tarefeiros de Lula: se são todos culpados, vamos botar todo mundo para fora. Caindo na real, porém, o negócio é o seguinte: 1) Sarney soltou uma bomba de gás lacrimogêneo no petismo-lulismo com a sua ameaça de renúncia, ontem. Ameaça que era apenas chantagem. A bancada do PT começou a choramingar de medo e ainda levou uma carraspana de Lula, que não quer perder o PMDB. E o petismo senatorial botou o rabo entre as pernas; 2) O PFL-DEM tentou pular do barco de Sarney, entrando na onda dos que pedem sua saída. Mas ontem também botou o rabo entre as pernas, com a falação de Heráclito, que foi para a direção da Mesa na companhia de Sarney. Os pefelistas-demos estão tão enrolados como Sarney e cia. nas lambanças do Senado (e na Câmara também). Caindo Sarney, com a ajuda deles, vão ficar expostos ao contra-ataque da "Renânia"; 3) Está difícil de arrumar um substituto para Sarney. A maioria dos senadores não aguenta uma semana de exposição ao jornalismo, tamanha a capivara, a folha corrida. Uns outros são de oposição ou desafetos de Lula.
Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h38
Sob Arnold Schwarzenneger, maior economia dos EUA está quase quebrada e deve pagar contas com nota promissória. A coluna de hoje na Folha trata do curioso caso da Califórnia, que simplesmente está dando um calote disfarçado em seus credores e fornecedores. A íntegra do texto pode ser lida aqui, pelo assinante. Desde hoje, o governo de Arnie Schwarzenneger paga parte de suas contas com notas promissórias ("IOUs", da sigla em inglês para a expressão "I Owe You", "estou lhe devendo", não nego, pago quando puder). Cerca de um quarto das contas do Estado deste mês serão pagas assim, com papéis que rendem 3,75% de juros ao ano. A promessa é que a promissória seja resgatada em outubro. Maior economia dos Estados Unidos (embora não a mais rica, em termos per capita), a Califórnia sofreu muito com a crise imobiliária e das instituições financeiras. A arrecadação de impostos caiu 26% este ano. No Parlamento da California, democratas querem aumentar impostos (sobre cigarros e empresas de petróleo); os republicanos do governador Schwarzenneger querem cortar os programas sociais. Enquanto o impasse não se resolve, o governo californiano fica literalmente sem dinheiro para pagar suas contas. Bancos já oferecem a possibilidade de comprar os IOUs do governo da Califórnia. Isto é, ficam com o papel, comprando-os com desconto: vai haver um mercado secundário de papéis do breve calote californiano. Trechos "A economia californiana é a maior dos Estados Unidos, com PIB de US$ 1,8 trilhão, maior portanto que o do Brasil, de US$ 1,5 trilhão. A dita "renda" por cabeça é no entanto de US$ 50 mil, contra US$ 8.300 do Brasil (PIB per capita corrente de 2008; ou, em reais, uns R$ 92 mil e R$ 15 mil, respectivamente). O Estado arrecada menos, em termos proporcionais, que o Estado de São Paulo. Se considerada a arrecadação estadual em relação ao PIB local, a receita do governo californiano equivale a uns 60% da paulista. E eles reclamam da carga tributária. Como se tornou clichê dizer nos Estados Unidos, a Califórnia gostaria de ser um ‘Estado de bem- -estar social’ à moda europeia, mas com uma carga de impostos moldada pelo gosto republicano." :
Escrito por Vinicius Torres Freire às 20h57
A fim de não queimar seu filme em mais escândalos e nem desagradar Lula, os senadores do PT decidiram ontem de noite investir num seguro-vexame: pedir "com jeitinho a Sarney" que o senador desse o fora, ao menos temporariamente, e sugerir uma "comissão de reforma" do Senado (balela). Hoje mais cedo, Sarney disse que não saía. Mas os senadores do PT não foram a público pedir a saída do velho oligarca. Disseram que, se o coronel do Maranhão quer ficar, a solução petista não é uma solução. A saída "seguro-vexame" do PT não colou. Escorregaram no babaçu. Não têm como se livrarem de Sarney sem as ordens de Lula. O PT é gato e sapato de Lula. Foi dissolvido no lulismo. Faz qualquer negócio a mando do líder. * Agora, a boataria é que Sarney estaria esperando Lula voltar da África a fim de anunciar sua renúncia à Presidência do Senado. É só boato. Por ora. Se for verdade, é um passo. Agora falta pegar Renan e turma.
Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h20
O PT, de ACM a Sarney, via Renan
Petismo-lulismo chega ao fim de seu primeiro governo travestido ideologicamente e no conchavo com oligarcas. O partido, que outro dia defendia Renan Calheiros, até ontem defendia José Sarney, hoje tentando apenas uma "saída honrosa" e um abafa rápido da crise do velho oligarca do Maranhão. A coluna de hoje na Folha tratou do nascimento do amor do PT pela oligarquia, com a ACM, e os mais recentes episódios de dissolução do conteúdo político do partido. Assinante pode ler a íntegra do texto aqui. Trechos :
O PT encantou-se com Antonio Carlos Magalhães, o ACM, quando o falecido senador do PFL-DEM e oligarca da Bahia deu de espinafrar FHC, por volta de 2000. ACM chegou a dizer que FHC era ‘tolerante com a corrupção‘. Denunciava escândalos na Sudam e no DNER (comandados pelo PMDB). ACM defendia ainda o ‘fundo social da pobreza‘, aumentos do salário mínimo etc. O PT se divertia com o sururu na baia governista e elogiava a irrupção de sensibilidade social de ACM. Ideli Salvatti (PT), líder do governo Lula, estava ontem na tribuna do Senado a defender Sarney (PMDB), atacado pelo PSDB e agora até pelo DEM, partido experiente em abandonar navios que afundam (o DEM apoiara a eleição de Sarney). Foi numa fuga de ratos do barco da ditadura que nasceu o Partido da Frente Liberal, PFL, hoje DEM, parido de várias costelas do PDS, ex-Arena. Parece tudo uma história tão natural, mas noutro dia mesmo, em 2002, Lula comandava a primeira vitória nacional de um partido dito de esquerda.
Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h09
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PERFIL
Vinicius Torres Freire é colunista da Folha, onde está desde 1991. Foi Secretário de Redação do jornal, editor de Dinheiro, editor de Opinião, correspondente em Paris, editor de Ciência e editor de Educação
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