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O capital insociável da Petrobras
O ainda estapafúrdio projeto do governo de aumentar o capital da Petrobras foi o tema da coluna de domingo. O governo ainda não sabe o tamanho da capitalização (as hipóteses variam por um fato de dois, no caso do aporte do governo), não sabe como vai pagá-la (com dívida ou reservas de petróleo de valor desconhecido), não sabe ou não diz como vai tratar os minoritários etc. Quer dizer, essa eram as dúvidas até sexta-feira, quando foi escrita a coluna de domingo. Mas, agora, às 17h de segunda, depois dos discursos-festa do pré sal, as dúvidas apenas aumentaram. Não deu para entender o que a ministra Dilma Roussef falou sobre capitalização. Ou, melhor, o que ela disse não responde a nenhuma dúvida. De qualquer modo, os questionamentos fundamentais continuam os mesmos listados na coluna de domingo na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. Trecho: "A história do aumento do capital da Petrobras começou a vazar em agosto de 2008 (uma empresa aumenta seu capital quando vende novas ações: fica "maior" e com "mais dinheiro"). Em março de 2009, ouvia-se, aqui e noutras páginas, que o governo compraria de "R$ 40 bilhões a R$ 70 bilhões" das novas ações da Petrobras. Quitaria a operação por meio da transferência de blocos do pré-sal para a Petrobras, áreas não licitadas nem avaliadas. Ou, então, a Petrobras não precisaria pagar dividendos à União até a quitação do negócio. Ou, ainda, o governo federal faria dívida para comprar ações e, assim, reestatizar parte da empresa. A amplitude da estimativa e dos esquemas de financiamento ilustra o tamanho dos delírios brasilienses, para nem mencionar a dificuldade de quitar a compra de ações por meio de um ativo do qual não se conhece nem o tamanho nem o preço (as tais áreas do pré-sal)." "Não se sabe se o governo vai reestatizar parte da Petrobras "no grito", superfaturando reservas incógnitas do pré-sal, ficando assim com ações demais. Ou se o governo pode comprar as ações por meio de endividamento, dívida que seria paga quando e se se soubesse o valor das áreas do pré-sal que seriam transferidas à Petrobras. Quantos áreas teriam de ser entregues à estatal?"
Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h10
O pré sal no raso da política
Lula trancou debate do pré-sal num comitê de campanha e agora abre as portas para um debate regional politiqueiro. O debate sobre alternativas técnicas e financeiras sobre a exploração do pré sal, a discussão da política industrial para o setor, as decisões sobre a administração fiscal da eventual renda do ouro negro, tudo isso foi discutido quase apenas no governo federal. A única grande discussão pública é mesquinha, barata, politiqueira e regionalista no pior sentido: quais governos Estaduais e municipais vão ficar com um pedaço maior do bolo. Trancando o pré-sal no comitê de campanha de 2010, foi a isso que Lula conduziu o debate. Esse foi o tema de hoje da coluna na Folha, que o assinante pode ler aqui.
Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h51
BNDES e Petrobras levam o crédito Quase todo o aumento do estoque de crédito de julho se deveu a um empréstimo do BNDES à Petrobras, de R$ 25 bilhões. Caso os empréstimos do BNDES tivessem continuado na média do ano, a expansão do estoque de crédito teria sido de uns 0,7% em julho (foi de 2,62%). Pior que os resultados de junho, maio e março. Nos meses posteriores ao estouro da crise, em setembro de 2008, os bancos públicos foram responsáveis por mais de 80% do aumento do estoque de crédito, como se sabe. Mas eram o Banco do Brasil e a Caixa que puxavam o barco _a participação do BNDES no bolo era a de sempre, mais ou menos. Agora em julho, apenas o BNDES foi responsável por 80% do aumento do estoque de crédito de junho para julho (na tabela abaixo, segue a divisão do bolo do estoque de crédito entre bancos estatais, privados nacionais e estrangeiros, de dezembro de 2008 a julho de 2009). Como lembrete, observe-se que, em julho, o governo federal emitiu títulos de dívida no valor de R$ 25 bilhões para financiar o BNDES, que emprestou o dinheiro à Petrobras. O aumento do estoque de crédito total no país foi de uns R$ 33 bilhões. Esse foi o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. Trecho: "O estoque de crédito para o setor privado cresceu apenas 0,6% em julho (passara de 1% no bimestre anterior). O crédito para empresas voltou a cair um tico. Os bancos privados estrangeiros continuam em ordem de retirada, o que sugere uma estratégia muito pautada pelas ideias e/ou necessidades da matriz, e não por avaliação de possibilidades do mercado doméstico brasileiro."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h25
Odor de santidade: Lina, Marina etc
Não faz muito tempo, Lina Vieira era a madrinha do assalto da "república sindicalista" aos postos-chave da Receita Federal. O tucanismo, na política e na mídia, e a oposição em geral estrilavam contra Lina, capataz de mais uma onda de "politização de um órgão técnico" no governo Lula. Agora, a mesma torcida que espinafrava a ex-secretária da Receita faz dela uma espécie de mártir do serviço público, demitida em prejuízo do rigor tributário, pois Lina teria caído por multar demais grandes empresas e contrariar outros interesses, dentro e fora do governo. Essas e outras hipocrisias foram o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante poder ler na íntegra aqui. Trecho: "Para o governo e o governismo, a nomeação de Lina representava, enfim, a mudança de um "esquema viciado" de poder, que predominaria na Receita Federal desde FHC. Agora, a ex-secretária da Receita não passa de uma inepta que não soube tocar as reformas pautadas pelo governo, que trocou as mãos pelos pés ao lidar com os casos da família Sarney e da Petrobras (empresa que "devemos amar", diz o governo), que cai atirando contra a premiê de Lula por ser uma tresloucada ressentida."
Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h15
Iniciativa privada: procura-se
Chororô sobre peso estatal parece hipócrita diante de tantas parcerias e sociedades entre Estado e grande empresa nacional. Foi o tema da coluna de hoje na Folha, que veio a propósito das negociações entre Braskem, Quattor e, talvez, Petrobras, entre outras cirandas entre setor público e privado. O assinante pode ler a íntegra da coluna aqui. Trechos: "Das cem maiores empresas do Brasil, dois terços são de capital nacional ou misto (segundo o ranking por receita líquida, elaborado pela publicação “Valor 1000”, edição 2009). Dessas, metade são estatais ou contam com o governo como acionista relevante (via BNDES). Ou, pelo menos, abrem as portas para a intervenção governamental devido à participação acionária de fundos de pensão de empregados de estatais (do Banco do Brasil ou da Caixa, em geral). Notícias do final de semana suscitaram muxoxos e comentários direta ou indiretamente críticos a respeito do peso estatal, não apenas no capital das empresas. Dadas as rápidas pinceladas estatísticas acima, faz sentido a queixa? De fato, começa a haver um mercado de capitais doméstico. O papel da empresa privada jamais foi tão grande no Brasil pós-Vargas. Mas, no país do agronegócio, onde estão as grandes empresas de biotecnologia? No país dos minérios, onde estão as grandes empresas de engenharia de materiais? No país do pré-sal, onde estão as empresas inovadoras na química? Talvez a esperar um subsídio (direto, indireto, “informal” ou “estratégico”) do Estado."
Escrito por Vinicius Torres Freire às 20h55
Breve história da banca nos anos Lula
Desde o início do governo Lula, os bancos comerciais privados só começaram a emprestar mais agressivamente nos anos de crescimento bom, em 2007 e 2008. No restante do tempo, bancos comerciais privados e estatais ficaram com fatias aproximadamente constantes do mercado. Desde outubro de 2008, cresce rapidamente a participação dos estatais, como se sabe. No período, a mudança mais relevante foi a retirada dos bancos estrangeiros, e a estagnação e queda da participação relativa do BNDES no bolo de crédito (embora, em termos absolutos, a oferta de crédito do bancão de desenvolvimento estatal tenha sempre crescido). Esse foi o tema da coluna de domingo na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. Trechos: "Logo no início de Lula, a fatia dos bancos públicos comerciais no estoque de crédito cresce bem. Da média de 18% do crédito, em 2002, a fatia dos estatais passa a 21% em meados do primeiro ano de Lula e flutua em torno disso até o estouro da crise, em setembro de 2009 (nessas contas, excluiu-se de propósito o BNDES, uma categoria à parte). Os bancos privados nacionais ficam com uma parcela de uns 50,5% do início de Lula até meados de 2007, quando o crescimento econômico se acelera. Em setembro de 2008, tal participação chega a 53%. Pós crise, em junho de 2009, os privados nacionais voltavam a 50%; os estatais comerciais iam a 26%. A mudança mais notável e persistente nesse período é a retirada relativa dos bancos privados estrangeiros (em certos casos, trata-se de retirada literal: saída do país). Da média de 33% do mercado em 2002, a participação dos estrangeiros cai para 24%, em junho de 2009 (ainda excluindo-se da conta o BNDES). Nota-se também a perda de participação relativa do BNDES no total de crédito, queda de 28% nos anos Lula. Ressalte-se a palavra "relativa": a oferta de crédito do BNDES sempre cresceu e, sozinho, o banco ainda responde por 17% do crédito."
Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h43
"Petrobras, mon amour..."
Temos de ‘amar e defender‘ a Petrobras, diz Lobão em prévia do que deve ser a baboseira nacionalista do pré-sal luliano. "A Petrobras deve receber o afeto que se encerra em nosso peito juvenil, tal qual um símbolo da amada terra do Brasil, a bandeira nacional, segundo Edison ‘Olavo Bilac’ Lobão, ministro de Minas e Energia ontem travestido de poeta parnasiano e autor redivivo de discursos de moral e cívica dos dias da ditadura a que serviu. O espírito do autor do ‘Hino à Bandeira’ baixou no ministro, que comparou a petroleira estatal ao ‘lindo pendão da esperança’. ‘A Petrobras é um símbolo nacional que se confunde com a bandeira do Brasil. Temos, portanto, o dever de não só amá-la mas de defendê-la dos acidentes e gestos de malquerença que muitas vezes se expressam‘, disse." Essa foi a coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. O governo fechou a discussão do pré sal. Não abriu consultas públicas. Quer aprovar os projetos de alteração da lei do petróleo em regime de urgência no Congresso. Barganha normas importantes com base em política menor. Pelo visto, não quer debate. De resto, prepara a operação de reforma de uma lei importantíssima de modo que tal mudança seja uma das pernas da campanha de Dilma Roussef. Campanha apelativa, pelo que se vê da discurseira de Lobão, lastreada em nacionalismo e populismo.
Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h02
Mercado em formação de quadrilha
Bancão suíço volta a admitir que formara quadrilha e dá o que pensar sobre o "mercado realmente existente", o "Merex". O acordo entre Suíça e Estados Unidos sobre as contas de clientes suspeitos do UBS foi o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. Trechos "O maior banco da Suíça, o UBS, tomou outro nocaute vexaminoso. Vai divulgar informações sobre acusados de fraudar o Imposto de Renda americano. Em fevereiro, o UBS admitira que oferecia e prestava serviços de fraude fiscal para clientes nos EUA e que fazia parte de uma quadrilha ("conspiracy"). Pagou multa de R$ 1,5 bilhão. Ainda assim, a Receita dos EUA (o IRS) processou o UBS a fim de obter dados de 52 mil clientes. ... O exemplo do UBS é mais um fio solto da meada de outra fraude, esta intelectual, política e ideológica: a que costuma pintar tais episódios e mesmo crises financeiras inteiras como "desvios" de uma ordem quase ideal, "fundamentalmente boa". ... Mas a finança é tanto empreendedorismo e inovação como uma mistura conspurcada de sigilo, opacidade, conivência oficial e legal com risco inaceitável, "captura" de autoridades, reguladores e políticos, quando não de corrupção mesmo, além de fraude sistemática (de balanços, de negociações, de mercados etc.)." :
Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h01
O senador Flávio Arns (PT-PR) diz que, se a Justiça der sinal verde, sai do partido, dado o vexame de ontem, de cumplicidade no livramento de Sarney ("tenho vergonha de estar no PT"). A senadora Marina Silva (PT-AC) anunciou justamente ontem que sai do PT. Goste-se ou não do que pensam, os dois não dançam em quadrilhas nem marcham em tropas de choque do cangaço político, de que somos reféns. Com a cobertura de Lula, fomos sequestrados pelos patronos da miséria e da opressão nos Estados mais desgraçados do Brasil. Foi um dia de vexame sinistro para o PT, para o petismo-lulismo, para o governo Lula e para Lula. Foi um dia de crime de consciência. Crime a mando de Lula, que fez os senadores do PT votarem por Sarney. Senadores que, por sua vez, aceitaram a tese da "obediência devida", de história também sinistra. Parêntese: tudo isso ocorre um dia depois de Lula colocar no mesmo saco a história de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, João Goulart e Fernando Collor. A mixórdia sinistra que Lula faz da história do país equivale à mixórdia que promove na política partidária. Aloizio Mercadante (PT-SP), com cara de coveiro em tempo de epidemia, tentou limpar sua barra. Colocou à disposição o cargo de líder da bancada. Mas vai tentar a reeleição vestido com a mortalha do bloco do Sarney e Renan Calheiros. Assim como Ideli Salvatti (PT-SC), Delcídio Amaral (PT-MS) e João Pedro (PT-AM), da milícia de Sarney, que votaram por Sarney no Conselho de Ética. Salvatti, ressalte-se, fez parte da milícia que resgatou Calheiros da lata de lixo da história. Se Mercadante quiser começar a limpar a sua ficha, terá também de sair do PT. E o mal que o PT fez à ideia de esquerda no Brasil vai durar gerações. Se não é uma peste terminal.
Escrito por Vinicius Torres Freire às 22h22
Boa notícia no mercado de trabalho
Crise do emprego resiste na indústria, mas passa de modo rápido e inesperado; maioria dos setores entra no azul. Esse foi o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. Trecho: "Houve um pânico quase generalizado pelos setores da economia entre dezembro e janeiro. A indústria teve um primeiro trimestre desastroso e um segundo "apenas" horrível. Ainda vai mal. O comércio foi mais contaminado pelas fábricas, mas nos demais setores a reação começou cedo, após o "grande medo" da virada do ano. Fábricas e certos grandes exportadores foram, como se sabe, tragados pelo colapso do comércio mundial. A "ampliação do mercado interno", para recorrer ao velho blablablá desenvolvimentista, sustentou a atividade."
Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h12
As críticas de Guido Mantega a Roberto Setubal, a expansão do crédito nos bancos públicos e a retranca talvez excessiva dos bancos privados durante a crise reviveu a disputa de torcidas no debate sobre o mercado bancário. Mas o que os dados nos dizem de menos incerto, até agora? 1) Desde outubro, 83% do aumento de estoque de crédito no país saiu dos bancos estatais; 2) Os executivos dos maiores bancos privados apontam o aumento da competição (provavelmente com os estatais) como um dos motivos da redução relativa de seu resultado. E que precisam mudar a fim de recuperar mercado e capacidade de gerar bons lucros; 3) A inadimplência cresceu para todo mundo, mas é menor nos bancos públicos. Mas é assim faz algum tempo: as carteiras são diferentes, as inadimplências publicadas em geral são apenas "médias": é difícil comparar tais resultados, com dados de curto prazo; 4) As rentabilidades nos bancos maiores estão em torno de 20%. Muito boas, apesar de "analistas de mercado" dizerem que os resultados são apenas passáveis. A rentabilidade do Banco do Brasil é por ora notoriamente melhor. Mas, de novo, é cedo para avaliar. O lucro da Caixa caiu bem no semestre. Mas a rentabilidade está "na faixa"; 5) Está difícil de entender a política de provisões. Estão sendo feitas comparações no atacado, com dados de períodos diferentes e, de acordo com o gosto do freguês, se diz que tal ou qual banco está fazendo provisão de mais, de menos, que está otimista, pessimista. De novo: a) os dados de um trimestre ou mesmo semestre dizem pouco, ainda mais em período de crise; b) há provisões que não se referem cautelas com atividades de concessão de crédito, o que distorce a comparação feita com números brutos (isto é, a comparação que tem como objetivo avaliar a posição de um banco em relação a sua estimativa de perdas com crédito; 6) É bem provável que o resultado dos bancos privados fosse pior caso os bancos estatais não tivessem apoiado a expansão do crédito. Em suma, a crise pode ter ajudado a esclarecer que papel bancos públicos podem ter no mercado de crédito. Isto é, de que poderiam ser, de modo responsável, um fator "anticíclico" em períodos de crise e fator de competição. Há indícios disso. Mas é cedo para julgar de modo mais ponderado. Em novembro, com os balanços do terceiro trimestre, as coisas podem estar mais claras. Se de fato tais hipóteses se comprovarem, um outro bocado de clichês mercadistas podem ir para o ralo. Esse foi o assunto da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui.
Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h06
Paisagem com Marina
Marina no PV, Lina na TV e Ciro de volta à ciranda não ajudam PSDB a resolver problemas eleitorais e programáticos. Foi o tema da coluna de domingo na Folha, que pode ser lida na íntegra aqui, pelo assinante. Trechos "Até julho, o ectoplasma de notícia eleitoral mais interessante era a possibilidade de José Serra não se candidatar a presidente... Em agosto, porém, o Senado ainda queima, Lina Vieira frita Dilma e Marina joga água na ministra. A emergente Marina Silva é, por ora, o risco mais importante para o projeto luliano. Mas quão importante? Marina não é bem um acaso. Pode ser o rosto da única militância política "autêntica" destes dias, a ambiental. Por isso foi expelida do organismo petista-lulista, tão cedo apodrecido por um pragmatismo rastaquera, quando não corrupto. Como se diz, seria em 2010 algo do que Heloísa Helena foi em 2006, uma Heloísa banhada numa catarata de chá verde com camomila. Relativamente desconhecida, porém, na campanha Marina corre o risco de parecer apenas uma candidata nanica, a falar num minuto de TV sobre temas exóticos para a maioria do povo." :
Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h05
Os vexames dos bancões privados
Banca critica desempenho dos estatais e leva tiro dos fatos, com o balanço do BB e com a carraspana que levaram de Guido Mantega; é outro vexame da rica safra de 2009. Foi o tema da coluna de sexta-feira na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. Trechos: "Faz parte do show petista espinafrar bancos. Mas a banca privada poderia ter dormido sem levar essa carraspana desmoralizante do ministro da Fazenda. Brandindo os números superiores do balanço do Banco do Brasil, Guido Mantega pôde sapatear alegremente sobre as críticas de banqueiros à concorrência estatal. A vexação mais recente não tinha nem uma semana. Os bancos privados haviam feito enorme lobby para gorar o leilão das contas do INSS... Bem, houve o tal leilão. E o Bradesco levou um monte de contas do INSS. Desde o estouro da crise, em outubro de 2008, os bancos estatais foram responsáveis por 83% do aumento do estoque de crédito para o setor privado no Brasil. Os bancos privados estrangeiros, aliás, chegaram a reduzir o total de empréstimos. Os bancos de resto foram flagrados pelos fiscais da concorrência aprontando com monopólios nos cartões de crédito. Foi um vexame dentro de casa, pois a banca afinal é amiga do capitalismo. Não é?"
Escrito por Vinicius Torres Freire às 01h36
Três meninas do Brasil: o caso Dilma
Nos corredores, figuras do governo falam com frieza ou sarcasmo das agruras de Dilma com Lina e Marina. Esse é o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. "Nas internas", altas personagens do governo Lula demonstram certo rancor da ministra Dilma Roussef, na berlinda devido ao negado encontro com Lina Vieira, ex-secretária da Receita Federal que diz ter recebido um pedido estranho de Roussef a respeito de investigações de negócios da família Sarney. Uns chegam comparar a negativa de Dilma sobre o encontro com Lina ao caso de Palocci. Como se recorda, então ministro da Fazenda, Antonio Palocci negava frequentar a casa do lobby da República de Ribeirão Preto e agregados. O caseiro Francenildo Costa, na bandeirinha, diz que viu o ministro fazer o pênalti. O sigilo do caseiro vazou de algum escaninho do governo; Palocci foi acusado pelo conjunto da obra e caiu. Trecho: "Não bastasse a Marina, agora tem a Lina, ‘filhas do destempero da Dilma’, diz uma personagem da Esplanada (referência a provável defecção e à candidatura presidencial da senadora Marina Silva, ora PT, amanhã talvez PV. Diz que Marina e Dilma não se bicam). Outra figura oficial pergunta se os jornalistas têm como obter ‘fitas‘ (que teriam gravado a visita de Lina a Dilma): ‘Aí, ela fica frita no petróleo’ (caso aparecessem tais imagens)."
Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h36
Lucros e empregos nas montadoras
As montadoras continuaram a demitir depois do ‘acordo de cavalheiros‘ firmado na prorrogação do corte do IPI, em março. Demitiram menos, mas demitiram. Remeteram menos lucros para as matrizes no primeiro semestre deste ano. Mas remeteram. As montadoras e o benefício fiscal foram o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. As montadoras fizeram o grosso das demissões entre novembro e março. Depois, com a recuperação das vendas, é provável que não fosse preciso demitir mais ninguém. Foi então, em março, que se renovou o "acordo de cavalheiros" entre governo e Anfavea, por meio do qual, como se alardeou, haveria prorrogação do IPI em troca de fim da onda de demissões. Trechos "Segundo o Caged, o grupo de atividade econômica ‘fabricação de automóveis, camionetas e utilitários‘ cortou mais 499 empregos (saldo de contratações e demissões), de abril a junho. De janeiro a março, o saldo foi negativo em 5.179 trabalhadores; no semestre, foram-se 5.678 empregos. Nas fábricas de ônibus e caminhões, 1.369 empregos. "A indústria de autopeças cortou 22.183 empregos de janeiro a junho, 7,7% do estoque de empregos do início de janeiro. As de cabines e carrocerias, 7,1%. No caso de montadoras de automóveis, a redução do estoque de empregos no período foi de 6,9%; nas fábricas de ônibus e caminhões, 6,2%. Ou seja, as demissões de cada subsetor ficaram mais ou menos na mesma faixa. Mas quem ficou com lucros maiores (para nem mencionar quem faliu, ou quase)? Mistério. Não temos os relatórios econômico-financeiros das empresas. O governo, por acaso, teria?" :
Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h33
Pré sal: quem fura quer fundos
Além de engordar Petrobras e criar a Petrosal, governo quer agora fundar uma petroleira experimental. Com que roupa? Isto é, o governo quer que a ANP pesquise os campos do pré sal a fim de verificar seu tamanho e produção. Outra ideia nada simples de executar e que mostra o quanto o governo ainda está perdido nas definições dos seus projetos das novas leis do petróleo. Este foi o tema da coluna de domingo, que o assinante pode ler na íntegra aqui. Trechos: Lula está com pressa de fechar a nova Lei do Petróleo. Para evitar discussão maior. Porque pretende fazer logo licitações, a fim de que o governo fature algum das empresas vencedoras. Está apressado porque quer a campanha do pré-sal na rua. Mas a quantidade de ideias novas e mal explicadas que vaza sobre o pré-sal sugere que a definição do projeto está longe do fim.
A primeira dificuldade da ideia é técnica e gerencial. Para fazer um ou "uns quatro furos", como diz Dilma, é preciso um "operador", o gerente do furo. Isto é, alguém que contrate equipes e equipamentos de sondagem, perfuração, avaliação geofísica etc. do poço em questão. É o que faz uma petroleira responsável pela operação de "furar poço", para si própria ou para um consórcio de empresas. Em suma: é preciso criar tal equipe de gerência ou contratar uma petroleira, uma operadora. A segunda dificuldade é a quantidade de furos necessária para fazer avaliação relevante das imensas áreas do pré sal. "Uns quatro furos" pode ser a quantidade de perfurações necessárias para definir as qualidades de apenas um bloco do pré-sal. Para que as prospecções da ANP tenham alguma relevância, seria preciso fazer dezenas de furos. Isso custa caro, mas não só. Seria, de novo, preciso dedicar dezenas de equipes e conjuntos de equipamentos escassos para apenas fazer pesquisa."
Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h23
A volta do zunzum sobre a poupança
Mercado e BC recomeçam a pressionar governo a mudar o rendimento da caderneta e os impostos sobre fundos. Esse foi o tema da coluna de hoje da Folha, que o assinante pode ler aqui. Trechos: "Note-se que o fato de o governo voltar a vazar rumores sobre as cadernetas deve ter também o objetivo de assustar quem aplica em poupança. O governo toureia o problema por meio de "propaganda & marketing", em vez de tomar uma decisão, necessariamente impopular. Segundo gente da Fazenda, o Banco Central quer que o governo tanto reduza o rendimento da poupança como o imposto sobre ganhos nos fundos." "A Fazenda não gosta nada da ideia de reduzir impostos. Ainda quer espremer os bancos, de modo que baixem as taxas cobradas nos fundos. Houve reduções de taxas de administração, ali e aqui, as mais extorsivas, ao menos. Mas os bancos também colocam mais papéis de empresa nas carteiras de certos fundos, papéis mais rentáveis e de risco maior que o de títulos do governo."
Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h03
Com ajuda dos leitores, que enviaram mensagens ao blogueiro, e dos colegas de Brasília, vamos registrar melhor nos anais da história a autoria da verbiagem deprimente de hoje no Senado: 1) Sim, quem falou primeiro em "cangaceiro" foi Renan Calheiros. Tasso Jereissatti, talvez com despeito de classe, respondeu que esse Calheiros é um "coronel de terceira categoria", como observou o leitor Luiz; 2) Como bem observou o leitor Noel, os microfones não foram desligados. Calheiros mexe em seu microfone antes de golfar mais delicadezas na direção de Jereissatti. Depois que esse Calheiros mexe no microfone, em duas ocasiões, o som quase desaparece. Calheiros parece que não queria deixar registrado nos anais do parlamento a sua agudeza oratória; 3) Colegas de Brasília, presentes ao pós lama, dizem que, fora dos microfones, Calheiros disse "seu coronel de merda, você é um merda" a Jereissatti, ao final do duelo de titanics. 4) Para os anais do descaramento, que conste a seguinte frase de Calheiros sobre Arthur Virgílio (PSDB-AM): "O senador Arthur Virgílio elevou às culminâncias do absurdo a prática do clientelismo, do patrimonialismo e do tráfico de influência, exacerbando o uso das prerrogativas parlamentares". Enfim, se os senadores do PT enfiarem a cabeça na pré areia e não aderirem ao bloco que de oposição a Sarney, todas as representações contra o coronel de primeira categoria do Maranhão serão arquivadas no conselho dito de ética. Brasil. Alguém aí quer um Plasil?
Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h32
Os relatos sobre as "diferenças importantes" na reunião de ontem sobre o pré sal são tão variados quando o número de dúvidas sobre as novas leis do petróleo. Aparentemente, o caldo entornou mais no que diz respeito a definições políticas: como será dividida a renda do "ouro negro" entre União, Estados e municípios; qual a parte da Petrobras nos novos campos de petróleo. Mas também está indefinida a capitalização da Petrobras e como será gerido o fundo estatal que receberá a renda do petróleo. Ou melhor, nem no atacado estão tomadas decisões a respeito. No varejo, ainda haverá complicações várias. O troço todo está cru como petróleo na boca do poço.
Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h02
Surgiu outra versão sobre os termos do nobre debate travado hoje entre Tasso Jereissatti (PSDB-CE) e Renan Calheiros (PMDB-AL) no Senado, em sessão prescientemente chamada de "infelizmente histórica" por Calheiros. Ao final da contenda, com os microfones desligados, Calheiros parecia ter dito "seu merda" para Tasso. Mas, segundo outras testemunhas auriculares da história, Calheiros teria dito "coronel de merda". "Merda", com certeza houve. Resta saber se foi mesmo uma merda de coronel. Ou uma merda general? Geral.
Escrito por Vinicius Torres Freire às 19h15
Grandes momentos do parlamento brasileiro. Restou uma dúvida crucial a respeito do debate parlamentar da tarde de hoje no Senado entre Renan Calheiros (PMDB) e Tasso Jereissatti. Quem foi que disse "seu merda!"? Disse mesmo? Então, os microfones já estavam cortados. Mas quem estava lá também disse ter notado que alguém disse "seu merda!" ao final do nobre debate. O duelo de titanics começou com Calheiros apontando seu "dedo sujo" (apud Jereissatti) para Tasso, que faria parte da "minoria com complexo de maioria". Calheiros então observou algo a respeito de Tasso sujar o dedo em jatinhos pagos pelo Senado (Tasso seria mecânico de aeronaves?). À observação calheiriana, Tasso retorquiu que tem dinheiro para pagar jatinhos, e que Calheiros viaja nas asas dos empreiteiros. O peemdebista alagoano, à guisa de conclusão, observou a respeito do tucano cearense: "cangaceiro de terceira categoria" (Calheiros deve saber bem o que é ser um cangaceiro de primeira). Mas, cCom os microfones cortados, os lábios trêmulos de Calheiros parecem dizer: "seu merda". Quem estava lá, disse que foi isso mesmo. Abaixo, relato do Folha Online a respeito da "sessão infelizmente histórica", como a chamava Calheiros antes de o barraco começar. A sessão era histórica porque Arthur Virgílio, o senador tucano, se defendia no pelourinho de ética levantado pelo PMDB contra ele, como troco para as acusações contra Sarney. Por fim, lembre-se: Calheiros está ainda no Senado graças à bancada do PT. Calheiros, o amigo de Collor. Collor, o novo amigo de Sarney. Sarney, o amigo de Lula.
Representação contra Virgílio provoca novo bate-boca no Senado GABRIELA GUERREIRO MÁRCIO FALCÃO da Folha Online, em Brasília O discurso do líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), anunciando a representação contra o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), provocou um novo embate no plenário do Senado nesta quinta-feira e chegou a suspender a sessão por dois minutos. No discurso, Renan admitiu que a denúncia contra o tucano foi em represália às ações do PSDB contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). O bate-boca começou depois que Renan disse que a oposição tem complexo de maioria. "Essas crises acontecem por isso, porque a minoria acha que é maioria. Minoria com complexo de maioria", disse Renan apontando o dedo para o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Irritado, Tasso reagiu. "Não aponte os seus dedos sujos para cima de mim", disse. "Dedos sujos dos jatinhos do senhor", disse Renan, em referência aos jatos utilizados por Tasso supostamente pagos com dinheiro do Senado. "O jato é meu, tenho dinheiro pra pagar, não é dos que você anda com seus empreiteiros", disse o tucano. Neste momento, o microfone dos senadores é cortado. Ainda assim, Renan chama Tasso de "coronel cangaceiro de terceira categoria". "Coronel cangaceiro é o senhor", diz o tucano, que pede pra suspender a sessão. Renan pediu respeito, e o tucano ameaçou entrar com representação contra o peemedebista por quebra de decoro parlamentar, uma vez que o regimento do Senado não permite xingamentos dentro do plenário. "O senador Renan quebrou o decoro me dirigindo palavras de baixo calão", disse Tasso. Bate-boca Na última segunda-feira, Renan e Fernando Collor de Mello (PTB-AL) trocaram ofensas com o senador Pedro Simon (PMDB-RS) no plenário do Senado depois que o parlamentar defendeu o afastamento de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado. Renan, que é um dos principais aliados de Sarney, acusou Simon de ter como "esporte preferido nos últimos 35 anos" falar mal do presidente do Senado. Simon disse que Renan "inventava" acusações contra ele para defender Sarney. Irritado com as menções ao seu nome, Collor também partiu para o ataque contra Simon depois que o peemedebista lembrou que o ex-presidente havia lhe convidado para ser vice-presidente na sua chapa. Collor pediu para Simon engolir suas palavras.
Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h31
A Petrobras no pré sal e os acionistas
Como era previsível já ontem de tarde, deu em nada a reunião de Lula para "fechar" os projetos para o pré sal. Há dúvidas sobre a capitalização da Petrobras, sobre a fatia que a semiestatal terá nos novos blocos e, politicamente mais relevante, a divisão dos prováveis recursos do pré sal pela federação. As "diferenças importantes" entre os membros do governo e o problema da capitalização da Petrobras são os temas da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. "Capitalizar" a Petrobras significa aumentar o seu capital: aumentar o número de ações e, assim, o capital social da empresa. Para fazê-lo, é preciso emitir e vender novas ações. O governo pretende capitalizar a empresa a fim de ficar com uma fatia maior dela (e com mais dividendos) e para, em tese, tornar mais viáveis as operações de financiamento da empresa. Como capitalizar? O governo poderia emitir dívida (pegar dinheiro emprestado, fazer o Estado dever mais) e comprar ações. Não quer fazê-lo. Até agora, pensava em "vender" à Petrobras um bloco do pré sal ainda não licitado, em troca de ações. Mas como se calcula o valor de uma área de petróleo inexplorada? De resto, pela lei, em tese (a lei no Brasil sempre é "em tese"), a Petrobras deveria ofertar as ações para todos os acionistas, os privados inclusive. Mas, nesse caso, há a hipótese de os acionistas privados se interessarem pela oferta de ações e a participação do governo na Petrobras ficar na mesma. Para que não fique, a emissão de ações da Petrobras deveria se de tal monta que os acionistas privados não tivessem fôlego financeiro para acompanhar o governo. Porém, o aumento brutal da participação do governo provocaria a diluição (redução) da parte dos acionistas privados, o que tem consequências no mercado. É coisa bem difícil de fazer essa capitalização. É que pode redundar em muito rolo jurídico. Trecho da coluna: "No ano passado, o governo chegou a vazar a ideia de que trabalhadores poderiam utilizar os seus recursos quase parados no FGTS na compra de ações da capitalização da Petrobras. Depois, a conversa morreu. Como morreu tal conversa no governo FHC, após um zunzum sobre 'democratizar o capital' das estatais então em processo de privatização."
Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h36
Esqueletos ou dança dos vampiros?
Fiesp, CNI, todos os partidos maiores e Lula procuram um acordo para dar às empresas pelo parte do ganho da causa multibilionária relativa ao crédito prêmio do IPI. Curiosamente, de um lado da disputa está o próprio governo: o Ministério da Fazenda, o Tesouro Nacional, representado pela Procuradoria da Fazenda Nacional e pela Receita. Esse nome repelente de tedioso, "crédito prêmio do IPI", quer dizer apenas um direito de pagar menos impostos federais baseado num incentivo fiscal criado por decreto-lei da ditadura militar, de 1969. Por esse decreto, empresas exportadoras teriam direito a um crédito (dinheiro) no valor de 15% das exportações. Isto é, poderiam usar esse crédito para pagar o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e, se sobrasse algum, outros impostos federais. A Fazenda diz que tal benefício terminou em 1983. A Constituição previa que incentivos dessa espécie, estariam extintos, se não regulados até dois anos depois de promulgada a Carta (outubro de 1990). Uma barafunda de decretos e portarias, de 1979 a 1984, criou confusão sobre o fim da validade do incentivo. Decisões conflitantes de turmas do Superior Tribunal de Justiça, em 2004, prorrogaram a disputa judicial, que se tornou caso constitucional e está agora na mão do Supremo. Quanto vale? Bilhões, mas ninguém sabe direito quantos. Empresas ainda estão na Justiça pelo direito de usar o benefício (pagar menos imposto). Outras, com base em decisões de instâncias menores, já utilizaram o benefício, faz anos, mesmo depois de 1983. Em vários, casos, a Fazenda, via Receita, multou e processou tais empresas. Em julho, o Senado contrabandeou para uma medida provisória (para o projeto de conversão da MP), artigos que reconhecem a validade do benefício até 2002 e acaba com as multas e processos movidos pela Fazenda contra empresas. A Receita diz que os créditos podem ir a R$ 288 bilhões. As empresas, que o valor em disputa é agora de R$ 25 bilhões (outros créditos já utilizados seriam líquidos e certos). As maiores empresas brasileiras, as exportadoras, têm interesses no caso. Num período marcado por baixas acentuadas de exportações e de perdas cambiais, uma vitória no caso seria um belo reforço de caixa. Uma derrota implicaria perdas violentas. É o contencioso fiscal mais grave no país em anos. Lula não quer que governo banque toda a reivindicação das empresas. Mas não quer deixá-las na mão. Patrocina, na sombra, um acordo. Esse foi o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. Quem tem razão? Difícil decidir, baseado na barafunda legal. Aparentemente, a "intenção do legislador" era dar cabo do incentivo em 1983 ou 1984 (mas, no período ainda ditatorial, o governo mandava e desmandava à matroca, editando de resto legislação confusa e ad hoc, de modo ainda muito pior do que o de hoje). Mas parece evidente que a Constituição deu cabo do incentivo, pelo menos a partir de 1990. Quem quer fazer valer o incentivo depois disso se vale de uma firula com cheiro de chicana: que a Constituição não tratava do incentivo derivado do crédito-prêmio do IPI, que não seria um "incentivo setorial" e, portanto, não seria limitado pela Carta de 1988. O resto parece política e advocacia fiscal. Trechos da coluna: "A demanda pode valer de R$ 25 bilhões a R$ 288 bilhões, a depender da parte interessada. Representantes de empresários dizem que o custo fiscal será o menor (pois creem que de R$ 50 bilhões a R$ 70 bilhões de créditos já usados para pagar menos imposto não estão em causa)." "Muitas empresas já utilizaram o crédito, abateram impostos, baseadas em decisões judiciais. Advogados dizem que o prazo para o governo reabrir a cobrança morre em dois anos. Entendidos dizem que 80% dos créditos em questão não podem ser mais recuperados pelo governo. O Senado, em julho, aprovou o direito dos exportadores de usar o crédito até 2002 e extinguiu processos movidos pela Fazenda e pela Receita contra as muitas empresas que já utilizaram o tal crédito."
Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h53
Lula quer enviar ao Congresso a lei do pré sal já, aprová-la sem contestação maior e ir logo para o "abraço da galera". Esse foi o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. Pelo cronograma divulgado ontem pelo governo, logo depois que os projetos de leis relativos ao pré sal forem apresentados em reunião ministerial, o pacote será enviado ao Congresso, em regime de urgência. O governo Lula parece indicar que, quanto menos discussão e risco de contestação, melhor. Nada de debates prévios para emendar as leis. Nada de deixar os projetos se demorarem no Congresso além do mínimo necessário _necessário para que acertos e barganhas sejam fechados rapidamente, e ponto. Trechos: "Apesar da propaganda dos lobbies privatista e estatista, os modelos de exploração de petróleo pelo mundo são variadíssimos, e não são tais definições genéricas que determinam seu sucesso ou fracasso. No entanto, caso o pré-sal seja de fato um poço de ouro, os detalhes da nova lei do petróleo determinarão distribuições de renda e efeitos macroeconômicos que afetarão a vida de gerações." "O ‘Fundo de Desenvolvimento Social‘, que em tese recolherá os recursos petrolíferos, pode ter mais recursos livres que os do Orçamento da União. A que normas e fiscalização estará sujeito? Quem será seu gestor de fato? A quem beneficiará? Que distorções macroeconômicas pode causar, se largado na mão da política politiqueira? O governo Lula deu ontem a entender que pretende evitar ao máximo tal discussão. Quer a lei dele."
Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h17
Sarney quer esconder seus trambiques vulgares, e o de sua parentela, censurando um jornal, o "Estado de S. Paulo". Age como de costume, como o nhonhô que faz o que quer na sua senzala do Maranhão. Sordidamente engraçado é que dá as mãos àquele que até outro dia critivava no Congresso, a Hugo Chávez, que supostamente não quer no Mercosul por ser um autocrata a caminho de se tornar um ditador. Chávez, o palhaço sinistro, também persegue meios de comunicação. Ontem mesmo, seus capatazes quiseram, digamos, "empastelar", a TV mais ou menos livre restante. Chávez e Sarney, tudo a ver.
Escrito por Vinicius Torres Freire às 20h53
Um poço sem fundo de dúvidas: pré sal
O colunista blogueiro está de volta das férias e de algumas facadas médicas, as últimas, espero (as facadas, não as férias). Na coluna de ontem, domingo, na Folha, trato das indefinidas definições do projeto do governo para regulamentar a exploração do petróleo do pré sal. De menos incerto, até agora, sabemos apenas que: 1) A Petrobras será a operadora, a gerente geral, da exploração de todos os campos do pré sal e de ‘outras áreas estratégicas‘, não sabemos quais; 2) A Petrosal será criada, mas ainda não estão claras as suas atribuições (assessoria técnica para o governo, gestora geral do ritmo e do destino da exploração do petróleo, fiscal das empreas privadas e da Petrobras etc?); 3) O sistema será de "partilha" no pré sal (as empresas exploradoras entregarão parte da receita do petróleo (ou petróleo vivo) ao governo, parece que via Petrosal, que se encarregará de dar destino ao petróleo obtido (que, no entanto, será negociado, na prática, pela Petrobras); 4) Parece que a Petrosal será sócia de todas as empresas exploradoras (a fim de evitar que as petroleiras chutem seus custos para cima e, assim, reduzam a parcela do petróleo que o Estado receberia); 5) A Petrobras será capitalizada. Isto é, vai emitir ações, que na maior parte seriam compradas pelo governo; 6) O dinheiro da partilha irá para um fundo, o Fundo de Desenvolvimento Social. Dúvidas As dúvidas são tantas que mal dá para enumerá-las sem maior confusão. Mas, para dar um tiro: 1) Como será definida a participação da Petrobras em cada campo do pré sal? Quem vai fazê-lo, com quais critérios? Quanto a Petrobras deverá entregar na "partilha" com o governo? 2) Como empresa mista (com ações na mão da União e do setor privado), portanto sujeita às leis das empresas privadas, pode receber tal privilégio? 3) Como a Petrobras será capitalizada? Com quais recursos? Com cessão de áreas do pré sal? Os minoritários da Petrobras poderão entrar no negócio (deveriam, em tese)? 4) Quem vai gerir os investimentos do Fundo de Desenvolvimento Social (os investimentos feitos com o dinheiro do petróleo do pré sal)? Quem vai definir onde serão investidos tais recursos? Só os rendimentos do Fundo seriam gastos de modo corrente? 5) Quem vai definir o ritmo da exploração dos campos do pré sal? Quem vai definir o que será feito do petróleo recebido pela Petrosal (refino, exportação, venda no mercado doméstico etc)? Como o governo pretende que a Petrosal receba sua "parte" da partilha em petróleo vivo, como vai lidar, na prática, com os barris? Pode ficar com barris "arquivados", numa reserva? Para não ficar com petróleo extra que não queira negociar, vai impor um ritmo de exploração às empresas (à Petrobras e eventuais sócias que tenha nos campos do pré sal)? 6) O governo pretende controlar o ritmo de exploração dos campos do pré sal a fim de, também, dar tempo para que empresas nacionais estejam preparadas para fornecer os equipamentos de exploração, transporte etc. Como será organizado este processo? Isto é, quem vai decidir quando haverá bastante equipamento nacional para fornecer às petroleiras, de modo que elas possam explorar o pré sal? Trata se de coadunar os interesses da exploração com o da prioridade ao equipamento nacional. É uma boa intenção, mas não é nada fácil de fazer. No limite, na pior hipótese, podemos ter um caso de reserva de mercado para o produtor nacional de equipamentos que provocaria atrasos na exploração. Assinante pode ler a íntegra da coluna aqui.
Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h27
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PERFIL
Vinicius Torres Freire é colunista da Folha, onde está desde 1991. Foi Secretário de Redação do jornal, editor de Dinheiro, editor de Opinião, correspondente em Paris, editor de Ciência e editor de Educação
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