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Deu na "Bloomberg" que a Argentina trata da burocracia nos EUA para começar a pagar cerca de US$ 20 bilhões de dívida que deixou de pagar a partir de dezembro de 2001. Os argentinos emitiram dívida nova nos EUA, em troca da antiga. A Argentina não consegue emitir dívida no exterior devido a rolos pendentes ainda da "reestruturação" da dívida, de 2005, que não foi aceita por alguns credores (24% deles, alguns dos quais foram à Justiça). Faz uns dez dias, têm aparecido boatos em jornais americanos e ingleses sobre um provável acordo com governos credores e com detentores de títulos argentinos que não aceitaram o calote oficializado em 2005. Há alguma especulaçãozinha com papéis argentinos na praça. Nos jornais argentinos online, não há notícia hoje. No governo argentino, ouve-se apenas declarações protocolares do tipo "a Argentina continua a tomar providências no sentido de incrementar as condições financeiras do país". Em 2005, a Argentina "reestruturou" sua dívida em "moratória". As para "reestruturou", pois a Argentina simplesmente deixou de pagar cerca de 70% de US$ 82 bilhões postos na mesa de negociação. Aspas para "moratória" porque a Argentina não entrou em moratória. No final de 2001, a Argentina simplesmente quebrou. Não tinha como pagar coisa alguma depois da grande obra de Carlos Menem e outras incompetências, da "conversibilidade" do peso, do "currency board" e outras catástrofes que tantos economistas brasileiros e do mundo consideravam o caminho da prosperidade.
Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h19
O Banco Central anunciou hoje de tarde mudanças no compulsório, a parte do ‘dinheiro‘ depositado ou aplicado nos bancos que deve ficar ‘parado‘ no BC. Foram algumas correções de rota, ajustes. O relaxamento dos compulsórios decidida no ano passado foi prorrogada de 30 de setembro para março de 2010. Mas foi alterada a norma sobre as compras de carteiras (empréstimos feitos) de bancos pequenos. Os bancos maiores agora só podem abater do compulsório que "devem" as compras de carteiras de bancos com patrimônio de até R$ 2,5 bilhões (antes era de R$ 7 bilhões). Não parece em nada com um aperto, ainda mais se considerada a prorrogação da dedução do compulsório. É um ajuste para uma situação de quase normalidade. Não dá nem pista sobre o que o BC pretende fazer com os compulsórios, no futuro. Se a economia voltar a crescer e houver algum sinal de inflação, o BC vai usar compulsório como "linha auxiliar" da política monetária? Abaixo, a nota do BC:
NOTA À IMPRENSA Brasília - A Diretoria do Banco Central (BC) decidiu revisar as normas que regulamentam o compulsório sobre depósitos a prazo. As mudanças visam atualizar as regras à luz das condições atuais da economia brasileira sem alterar a liquidez do sistema, ou seja, com a manutenção do nível atual do compulsório. Passado um ano do agravamento da crise financeira internacional, o mercado de crédito doméstico dá sinas de uma paulatina normalização. As principais mudanças são: § As instituições financeiras só poderão abater da parcela do compulsório recolhida em espécie os ativos comprados de bancos com patrimônio de referência de até R$ 2,5 bilhões. Anteriormente, admitia-se deduzir do compulsório as aquisições de instituições com patrimônio de até R$ 7 bilhões. Com a mudança, fica mantido o direcionamento do compulsório apenas às instituições de pequeno porte; § A parte do compulsório sobre depósitos a prazo recolhida em espécie foi reduzida de 60% para 55%. A parcela em títulos, em contrapartida, foi elevada de 40% e 45%; § A alíquota do compulsório sobre depósitos a prazo foi alterada de 15% para 13,5%; § Foi prorrogado o prazo de vigência da dedução do compulsório de 30 de, setembro do corrente ano para 31 de março de 2010; § Poderão ser abatidos do compulsório sobre depósitos a prazo as cotas dos Fundos de Investimento Multimercado e dos Fundos de Investimento de Renda Fixa do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) lastreados, em essencialmente, em Certificados de Depósitos Bancários, Letras de Câmbio e Letras de Arrendamento Mercantil; § Ampliação do prazo mínimo dos Depósitos a Prazo com Garantia Especial do FGC de seis para doze meses. Segue vedado o resgate parcial ou total destes depósitos antes do vencimento. Brasília, 28 de setembro de 2009
Escrito por Vinicius Torres Freire às 19h14
Nicolas Sarkozy, marido de Carla Bruni, presidente da França e um dia tido bestamente como ponta de lança das "reformas" na França, disse hoje o seguinte: "Por trás do culto dos números, por trás de todas essas estatísticas e contabilidades, há também o culto do mercado, que está sempre certo" (segundo relato do "Financial Times") . "O mercado, no qual acredito, não é portador de sentido de responsabilidade, de projeto, de visão. Os mercados financeiros ainda menos, como se toda a verdade estivesse no mercado, coisa na qual se acabou por acreditar" (no relato do "Le Monde"). "Sarkô" disse tais coisas a propósito das mudanças que pretende fazer nas medidas de progresso econômico e social. Discursou na Sorbonne (Universidade de Paris), na ocasião em que recebia um relatório da comissão que estudou mudanças nas medidas de desempenho econômico e social, que foi dirigida pelos Nobel Joseph Stiglitz (americano) e Amartya Sen (indiano) e pelo francês Jean-Paul Fitoussi. A comissão sugeriu um sistema estatístico que "complete as medidas de atividade econômica com dados relativos ao bem estar das pessoas". Ok. Há gente que proponha uma medida de "depreciação ambiental" no PIB. Quase todo mundo acha a medida do PIB ruim (até economistas, que se contentam com a imperfeição econômica da medida, que no entanto é confiável a respeito de variações da atividade econômica ao longo do tempo). Mas o que tem a ver PIB e bem estar? Nada de fundamental. PIB é uma conta de economistas: mede PRODUTO ou, por outra ótica, RENDA da atividade econômica. Só. Inventar medidas novas, agregadas (gerais, para o todo de um país, por exemplo), criar meios de detectar precisamente a distribuição dos bens e serviços por categorias sociais (o que não existe) etc, tudo isso é muito interessante e politicamente relevante. Mas fazer misturebas com o PIB é firula ideológica e desconversa política: é contrapor uma propaganda a outra. Isto é Sarkô (segundo relato do "Le Monde". O vídeo no site da Presidência francesa estava dando "pau" agora de tarde: http://www.elysee.fr/webtv ): "Durante anos, as estatísticas mostraram um crescimento econômico cada vez mais forte, até que ficasse visível que esse crescimento, que coloca em perigo o futuro do planeta, destruía mais do que criava. O problema é que o mundo, a sociedade, a economia, mudaram e a medida [do desempenho econômico] não mudou o suficiente". Por precisão histórica, nota-se que a atividade econômica tanto "destrói" quanto "cria" desde os tempos bicudos da Revolução Industrial, na Inglaterra, em especial no século 19, e desde então isso ficou registrado, motivou estatísticas e estudos de interessados nos problemas sociais, pesquisas que estão na base da elaboração das ideias tão diversas como as do trabalhismo inglês e as de Marx. O problema sempre foi: 1) Tais medidas não recebem financiamento e divulgação tão relevantes como as dos "cultores da religião dos números" (o mercado e seus adoradores, segundo Sarkozy); 2) Quem se importa? 3) Quem sofre ou se importa tem poder? Mas o que quer Sarkozy? "A França vai lutar para que todas as organizações internacionais modifiquem seus sistemas estatísticos, a França vai propor a seus parceiros europeus que a Europa dê o exemplo. A França vai adaptar seu próprio sistema estatístico". Legal, para francês ver, e nós também. Na estatística agora teremos medidas precisas de como a renda e os serviços sociais são apropriados por cada setor da população? Teremos manchetes do tipo "Banca come cada vez mais a renda nacional"? Gostei. Ou vão só maquiar os números do PIB (aqui não se trata do estudo de Stiglitz, Sen e cia, mas da conversa política, bem entendido)? Os britânicos, que se divertem muito com os franceses, já começaram a espinafrar Sarkozy. Reportagem do "Financial Times" sobre o discurso de Sarkozy começa assim: "Felicidade, férias compridas e um sentimento de bem estar podem não ser as medidas de desempenho econômico que todo mundo usa, mas Nicolas Sarkozy acredita que o mundo deveria adotá-las a fim de reformar a contabilidade nacional [ie, o PIB]". Segundo o "Financial Times", as mudanças propostas pela comissão provocariam uma "melhora instantânea no desempenho econômico da França por levar em consideração o serviço de saúde de alta qualidade do país, seu caro sistema de proteção social e as longas férias. Ao mesmo tempo, as mudanças propostas pela comissão rebaixariam o produto econômico dos EUA". Essa segunda observação do "FT" já não tem muita graça. Sim, a mexida no dado "do PIB’ parece meio idiótica. Mas, como diz outro Nobel, Paul Krugman: "O consumo de petróleo per capita na França é a metade do consumo nos EUA. No entanto, passei outro dia por Paris e a cidade não estava escura nem as pessoas estavam passando frio". Krugman costuma observar também a brutal desigualdade entre o acesso a serviços de saúde entre os EUA, mais ricos, e a França. Medir tal coisa de modo organizado, completo e seriado seria de fato interessante. Mas isso não tem nada a ver com o PIB, nem com a "religião dos números". A desinformação seletiva se deve à política: a velha e esquecida dominação, a desigualdade de acesso a poder, recursos e voz no debate público.
Escrito por Vinicius Torres Freire às 19h27
Do ótimo site de humor e paródia do jornalismo, "The Onion" (a tradução não faz justiça ao besteirol irônico do original, que pode ser lido aqui: "Thousands Of Abandoned, Foreclosed Homes Threatened By Florida Hurricane"): "Segundo analistas, um furacão de categoria 5 que se aproximava do litoral do Golfo esta semana deve ser o maior e mais devastador desastre a atingir a Flórida desde que a economia do país entrou em colapso, ameaçando milhares de casas tomadas pelos credores, faz tempo desertas. De acordo com meteorologistas, a tempestade tropical pode deixar cerca de 3 milhões de moradores tão sem-teto como eles estão faz mais ou menos um ano. ‘Aqueles que ainda não perderam tudo no crash do mercado imobiliário devem evacuar suas casas imediatamente’, disse Robert Menker, meteorologista-chefe do Departamento Nacional do Tempo. "Isso deve representar cerca de 10 ou 12 moradores. Todos os demais, por favor fiquem onde estão, provavelmente no sofá de algum parente que vive perto de Atlanta."
Escrito por Vinicius Torres Freire às 20h44
O dólar cai faz seis dias em relação às moedas dos seis maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos _hoje caiu de novo. Não acontecia desde março. Não se pode dizer que vá continuar caindo. Mas, na ausência de notícias, é difícil acreditar que suba (uma notícia positiva para o dólar seria um sinal de alta no rendimento dos títulos americanos). Os motivos são mais ou menos conhecidos, comentados em coluna deste blogueiro na Folha (que o assinante pode ler aqui: "O dólar com sotaque japonês"). A maior novidade recente foi a taxa de juros em dólar (Libor de três meses) ter ficado menor que do iene. De resto, há medo de "inflação" do dólar. Explicando melhor: não quer dizer que os preços vão fugir do controle nos EUA, num futuro previsível (como se especula, dada a lassidão monetária e os estímulos fiscais). Mas é provável que a inflação nos EUA tenha chegado a um piso, um mínimo. Cair mais é difícil (e seria sinal de coisas feias e novas acontecendo na atividade econômica dos EUA). De resto, as commodities estão subindo de preço, animadamente. Enfim, o Fed diz e repete semana sim, semana não, que os juros nos EUA ficarão baixos nos EUA por um período ainda longo. Em suma, o mercado, mais confiante, está tomando dólar a juro baratésimo, vendendo a moeda e investindo em ativos de emergentes e outros de risco maior _o dólar está sofrendo um processo de ienização. E, como as commodities estão subindo (pois ganharam impulso com a retomada econômica) e a perspectiva da inflação é de alta (mas não de explosão, por ora), comprar ativos lastreados em commodities é um bom negócio para se proteger da alta de preços e da queda do dólar (o que faz com que o preço das commodities suba ainda mais; em geral, por exemplo, o preço do ouro sobe quando o dólar cai, pelo menos nos últimos cinco anos). Os bancos centrais pelo mundo vem dizendo que vão deixar os juros bem baixos pelo menos até meados de 2010 (foi o que disseram, por exemplo, o Banco do Canadá e da Nova Zelândia, esta semana. O Banco da Inglaterra não disse nada _não mexeu nos juros, mas não precisava dizer mais nada depois de esclarecer sua política nos últimos meses). Está, pois, barato pegar dinheiro para jogar nas Bolsas, que continuam a subir como se não houvesse amanhã. Mas vai haver. Depois que o dinheiro "sobrante" e barato elevar demais o preço das ações, tendem a ser mais prováveis as "correções" quando vierem "surpresas negativas" (resultados piores que os previstos pelo mercado) ou sinas de fraqueza na recuperação das empresas e da economia.
Escrito por Vinicius Torres Freire às 20h40
O total de crédito para o consumidor nos Estados Unidos caiu em julho pelo sexto mês seguido, segundo o Fed. Nos últimos 12 meses, caiu em 10. A redução do estoque de crédito ganhou impulso no último trimestre (sobre o qual já existem dados, até julho). A queda em julho foi de 0,86% (na comparação mensal), para US$ 2,47 trilhões (vide tabela abaixo, com variações em %). A maior e mais recente sequência de quedas havia ocorrido em 1991, de junho a dezembro, sete meses. Mas, naquela recessão, a redução do crédito (na comparação anual) não passou de 1,9% (novembro de 1991 ante novembro de 1990). Agora, em julho, o nível de crédito estava 4,2% menos que em julho de 2008. Os bancos estão restringindo o crédito. Os consumidores estão sem dinheiro, sem emprego ou sem coragem de tomar mais crédito. O mercado errou suas estimativas para o crédito em julho. Na média, estimavam redução de US$ 4 bilhões. A queda foi de R$ 21,5 bilhões.

Mais mentiras, mentiras malditas e estatísticas
O mercado estima que os lucros das 500 maiores empresas dos EUA (S&P 500) vão subir na média 25% no ano que vem (levantamento da Bloomberg). Na perspectiva otimista, imagina-se que o PIB americano deva crescer 2% em 2010 (na média dos "analistas ouvidos e lidos pelo blogueiro"). Está certo que, na média, o lucro das empresas cai faz quase dois anos. A base está baixa, as empresas ficaram enxutas, a produtividade subiu (as demissões cresceram). Mas crescer 25% em 2010? Ok, previsões, blablablá. Mas considerem os números: quem está achando que os lucros vão subir 25% deve estar jogando lenha e dinheiro nas ações do S&P 500. Se não vierem os 25% (ou quando perceberem que não virão os 25%), mas os 10% a 15%, aposta de pessoas mais razoáveis, o que vai acontecer com o S&P 500? Um crasehzinho? Ainda neste ano? Depois da temporada de balanços do terceiro trimestre? Em outubro? Quem dá mais? Na Folha Nas mais recentes colunas na Folha: " 'Cúpula termina em fracasso' ", uma prévia das discussões do G20, publicada na sexta (8.set), "Quanto vale o show" (domingo, 10.set), sobre gastos público e PIB em 2009 e 2010, e "Nova lei para passivos e ativos14", sobre os resultados da reunião do G20 a respeito do capital dos bancos.
Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h44
Salada mista de pré-sal
1. Colegas da Folha, este colunista e depois também colegas do "Globo" e do "Estado" ouviram muita gente relevante no governo e no Congresso dizendo que se estuda, sim, a possibilidade de deixar que os trabalhadores com contas do FGTS usem seu dinheiro na compra das novas ações da Petrobras. Lula, porém, pela segunda vez, vai a público dizer que não vai deixar tal coisa acontecer. Está difícil de entender o que se passa no Planalto. Ministros de Lula, favoráveis à ideia, dizem não compreender a atitude do presidente (que morde e assopra o assunto nas internas do governo). Difícil de entender porque não deixar que os trabalhadores tentem fazer com que seu FGTS renda alguma coisa (o FGTS não rende nada, ou menos que nada). 2. Qual o problema de Lula com uma "capitalização popular" da Petrobras? Outras informações a respeito podem ser lidas na coluna "FGTS para comprar Petrobras", publicada na edição de ontem da Folha (por falar nisso, a coluna de hoje faz uma primeira avaliação de um ano do estouro da crise: "Feliz Aniversário, Wall Street"). 3. Luis Cantidiano, ex-presidente da CVM e hoje consultor (da Petrobras inclusive) diz que as ideias para a capitalização da Petrobras até agora apresentadas não tropeçam em nenhuma legislação _é ok. Disse também, segundo a agência de notícias "Reuters", que " não é possível que os trabalhadores usem o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para acompanhar os demais acionistas no aumento de capital pelo fato de eles serem cotistas de um fundo, e não acionistas. Literalmente: "Quem comprou com FGTS comprou cotas do fundo, e o fundo é quem investe, e no regulamento do fundo está escrito que nenhuma nova cota será emitida". Ok. Mas quem disse que só se pode comprar novas ações por meio do fundo criado em 2000? 4. Também segundo a "Reuters", Arminio Fraga diz que a princípio não tem nada contra a capitalização: "Penso que obedecidas as regras, isso não pode ser criticado, é um direito que o governo tem de tomar essa decisão, principalmente se se submeter aos princípios que a CVM aplica".
Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h29
"Temos um mercado interno tão extraordinário que não podemos ficar chorando a queda das exportações. As exportações são algo que a gente queria... É como se fosse a espuma do copo de chope. É importante, dá prazer no copo de chope, mas o mercado interno é a parte amarela [do chope], que é o conteúdo mesmo que a gente quer. Nunca via a gente ficar bêbado por beber espuma, mas vi gente ficar bêbada por beber a parte amarela." "Quem é oposição _eu fui por muito tempo_ sempre acha que as coisas não devem dar certo, que as coisas devem demorar, porque acham que, se não acontecer, quem perde é o governo. Acho que, se não acontecer [aprovação urgente da mudança das leis do petróleo], quem perde é o povo brasileiro." Isto foi Lula, ontem, no Encontro Econômico Brasil-Alemanha, em Vitória (ES).
Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h32
Os casamentos forçados da Petrobras
No novo modelo, o proposto ontem pelo governo, uma empresa leva um bloco do pré sal licitado se oferecer a maior fatia da produção ao governo. A Petrobras, que deve deter ao menos 30% dos blocos e será a operadora de todos eles, terá de aceitar essa oferta de partilha. Se a empresa fizer uma oferta ruim, em que dê petróleo demais ao governo, a Petrobras terá de acompanhar. E talvez lucrar menos, como já se observou neste blog. A Petrobras diz que isso não vai acontecer. Primeiro, diz que tal risco é pequeno, "um caso possível, mas no limite do absurdo". Segundo, que as empresas concorrentes, em geral grandes múltis, "adotam as melhores práticas" e procuram rentabilidade ótima. Terceiro, na hipótese de um caso absurdo (de proposta muito alta de partilha), o governo, a ANP ou outro órgão responsável, a ser definido na nova lei, pode vetar algumas das propostas. Pode ser: a) que sejam raras as propostas absurdas vitoriosas em licitação; b) que seja bom existir algum controle sobre a viabilidade econômico de certos lances (isso ocorre em qualquer licitação, de uma ou outra maneira). Mas, como tudo ainda na legislação do pré sal, muita coisa importante ainda depende da definição de detalhes. Os problemas da mudança das leis do petróleo, com ênfase na questão da capitalização da Petrobras, foram temas da coluna de hoje na Folha, "Lula inagura desprivatização" (ler aqui).
Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h24
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PERFIL
Vinicius Torres Freire é colunista da Folha, onde está desde 1991. Foi Secretário de Redação do jornal, editor de Dinheiro, editor de Opinião, correspondente em Paris, editor de Ciência e editor de Educação
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