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Coluna Vinicius Torres Freire
Salada mista de pré-sal
1. Colegas da Folha, este colunista e depois também colegas do "Globo" e do "Estado" ouviram muita gente relevante no governo e no Congresso dizendo que se estuda, sim, a possibilidade de deixar que os trabalhadores com contas do FGTS usem seu dinheiro na compra das novas ações da Petrobras. Lula, porém, pela segunda vez, vai a público dizer que não vai deixar tal coisa acontecer. Está difícil de entender o que se passa no Planalto. Ministros de Lula, favoráveis à ideia, dizem não compreender a atitude do presidente (que morde e assopra o assunto nas internas do governo). Difícil de entender porque não deixar que os trabalhadores tentem fazer com que seu FGTS renda alguma coisa (o FGTS não rende nada, ou menos que nada). 2. Qual o problema de Lula com uma "capitalização popular" da Petrobras? Outras informações a respeito podem ser lidas na coluna "FGTS para comprar Petrobras", publicada na edição de ontem da Folha (por falar nisso, a coluna de hoje faz uma primeira avaliação de um ano do estouro da crise: "Feliz Aniversário, Wall Street"). 3. Luis Cantidiano, ex-presidente da CVM e hoje consultor (da Petrobras inclusive) diz que as ideias para a capitalização da Petrobras até agora apresentadas não tropeçam em nenhuma legislação _é ok. Disse também, segundo a agência de notícias "Reuters", que " não é possível que os trabalhadores usem o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para acompanhar os demais acionistas no aumento de capital pelo fato de eles serem cotistas de um fundo, e não acionistas. Literalmente: "Quem comprou com FGTS comprou cotas do fundo, e o fundo é quem investe, e no regulamento do fundo está escrito que nenhuma nova cota será emitida". Ok. Mas quem disse que só se pode comprar novas ações por meio do fundo criado em 2000? 4. Também segundo a "Reuters", Arminio Fraga diz que a princípio não tem nada contra a capitalização: "Penso que obedecidas as regras, isso não pode ser criticado, é um direito que o governo tem de tomar essa decisão, principalmente se se submeter aos princípios que a CVM aplica".
Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h29
Os casamentos forçados da Petrobras
No novo modelo, o proposto ontem pelo governo, uma empresa leva um bloco do pré sal licitado se oferecer a maior fatia da produção ao governo. A Petrobras, que deve deter ao menos 30% dos blocos e será a operadora de todos eles, terá de aceitar essa oferta de partilha. Se a empresa fizer uma oferta ruim, em que dê petróleo demais ao governo, a Petrobras terá de acompanhar. E talvez lucrar menos, como já se observou neste blog. A Petrobras diz que isso não vai acontecer. Primeiro, diz que tal risco é pequeno, "um caso possível, mas no limite do absurdo". Segundo, que as empresas concorrentes, em geral grandes múltis, "adotam as melhores práticas" e procuram rentabilidade ótima. Terceiro, na hipótese de um caso absurdo (de proposta muito alta de partilha), o governo, a ANP ou outro órgão responsável, a ser definido na nova lei, pode vetar algumas das propostas. Pode ser: a) que sejam raras as propostas absurdas vitoriosas em licitação; b) que seja bom existir algum controle sobre a viabilidade econômico de certos lances (isso ocorre em qualquer licitação, de uma ou outra maneira). Mas, como tudo ainda na legislação do pré sal, muita coisa importante ainda depende da definição de detalhes. Os problemas da mudança das leis do petróleo, com ênfase na questão da capitalização da Petrobras, foram temas da coluna de hoje na Folha, "Lula inagura desprivatização" (ler aqui).
Escrito por Vinicius Torres Freire às 21h24
O capital insociável da Petrobras
O ainda estapafúrdio projeto do governo de aumentar o capital da Petrobras foi o tema da coluna de domingo. O governo ainda não sabe o tamanho da capitalização (as hipóteses variam por um fato de dois, no caso do aporte do governo), não sabe como vai pagá-la (com dívida ou reservas de petróleo de valor desconhecido), não sabe ou não diz como vai tratar os minoritários etc. Quer dizer, essa eram as dúvidas até sexta-feira, quando foi escrita a coluna de domingo. Mas, agora, às 17h de segunda, depois dos discursos-festa do pré sal, as dúvidas apenas aumentaram. Não deu para entender o que a ministra Dilma Roussef falou sobre capitalização. Ou, melhor, o que ela disse não responde a nenhuma dúvida. De qualquer modo, os questionamentos fundamentais continuam os mesmos listados na coluna de domingo na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. Trecho: "A história do aumento do capital da Petrobras começou a vazar em agosto de 2008 (uma empresa aumenta seu capital quando vende novas ações: fica "maior" e com "mais dinheiro"). Em março de 2009, ouvia-se, aqui e noutras páginas, que o governo compraria de "R$ 40 bilhões a R$ 70 bilhões" das novas ações da Petrobras. Quitaria a operação por meio da transferência de blocos do pré-sal para a Petrobras, áreas não licitadas nem avaliadas. Ou, então, a Petrobras não precisaria pagar dividendos à União até a quitação do negócio. Ou, ainda, o governo federal faria dívida para comprar ações e, assim, reestatizar parte da empresa. A amplitude da estimativa e dos esquemas de financiamento ilustra o tamanho dos delírios brasilienses, para nem mencionar a dificuldade de quitar a compra de ações por meio de um ativo do qual não se conhece nem o tamanho nem o preço (as tais áreas do pré-sal)." "Não se sabe se o governo vai reestatizar parte da Petrobras "no grito", superfaturando reservas incógnitas do pré-sal, ficando assim com ações demais. Ou se o governo pode comprar as ações por meio de endividamento, dívida que seria paga quando e se se soubesse o valor das áreas do pré-sal que seriam transferidas à Petrobras. Quantos áreas teriam de ser entregues à estatal?"
Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h10
O pré sal no raso da política
Lula trancou debate do pré-sal num comitê de campanha e agora abre as portas para um debate regional politiqueiro. O debate sobre alternativas técnicas e financeiras sobre a exploração do pré sal, a discussão da política industrial para o setor, as decisões sobre a administração fiscal da eventual renda do ouro negro, tudo isso foi discutido quase apenas no governo federal. A única grande discussão pública é mesquinha, barata, politiqueira e regionalista no pior sentido: quais governos Estaduais e municipais vão ficar com um pedaço maior do bolo. Trancando o pré-sal no comitê de campanha de 2010, foi a isso que Lula conduziu o debate. Esse foi o tema de hoje da coluna na Folha, que o assinante pode ler aqui.
Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h51
BNDES e Petrobras levam o crédito Quase todo o aumento do estoque de crédito de julho se deveu a um empréstimo do BNDES à Petrobras, de R$ 25 bilhões. Caso os empréstimos do BNDES tivessem continuado na média do ano, a expansão do estoque de crédito teria sido de uns 0,7% em julho (foi de 2,62%). Pior que os resultados de junho, maio e março. Nos meses posteriores ao estouro da crise, em setembro de 2008, os bancos públicos foram responsáveis por mais de 80% do aumento do estoque de crédito, como se sabe. Mas eram o Banco do Brasil e a Caixa que puxavam o barco _a participação do BNDES no bolo era a de sempre, mais ou menos. Agora em julho, apenas o BNDES foi responsável por 80% do aumento do estoque de crédito de junho para julho (na tabela abaixo, segue a divisão do bolo do estoque de crédito entre bancos estatais, privados nacionais e estrangeiros, de dezembro de 2008 a julho de 2009). Como lembrete, observe-se que, em julho, o governo federal emitiu títulos de dívida no valor de R$ 25 bilhões para financiar o BNDES, que emprestou o dinheiro à Petrobras. O aumento do estoque de crédito total no país foi de uns R$ 33 bilhões. Esse foi o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. Trecho: "O estoque de crédito para o setor privado cresceu apenas 0,6% em julho (passara de 1% no bimestre anterior). O crédito para empresas voltou a cair um tico. Os bancos privados estrangeiros continuam em ordem de retirada, o que sugere uma estratégia muito pautada pelas ideias e/ou necessidades da matriz, e não por avaliação de possibilidades do mercado doméstico brasileiro."

Escrito por Vinicius Torres Freire às 15h25
Odor de santidade: Lina, Marina etc
Não faz muito tempo, Lina Vieira era a madrinha do assalto da "república sindicalista" aos postos-chave da Receita Federal. O tucanismo, na política e na mídia, e a oposição em geral estrilavam contra Lina, capataz de mais uma onda de "politização de um órgão técnico" no governo Lula. Agora, a mesma torcida que espinafrava a ex-secretária da Receita faz dela uma espécie de mártir do serviço público, demitida em prejuízo do rigor tributário, pois Lina teria caído por multar demais grandes empresas e contrariar outros interesses, dentro e fora do governo. Essas e outras hipocrisias foram o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante poder ler na íntegra aqui. Trecho: "Para o governo e o governismo, a nomeação de Lina representava, enfim, a mudança de um "esquema viciado" de poder, que predominaria na Receita Federal desde FHC. Agora, a ex-secretária da Receita não passa de uma inepta que não soube tocar as reformas pautadas pelo governo, que trocou as mãos pelos pés ao lidar com os casos da família Sarney e da Petrobras (empresa que "devemos amar", diz o governo), que cai atirando contra a premiê de Lula por ser uma tresloucada ressentida."
Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h15
Iniciativa privada: procura-se
Chororô sobre peso estatal parece hipócrita diante de tantas parcerias e sociedades entre Estado e grande empresa nacional. Foi o tema da coluna de hoje na Folha, que veio a propósito das negociações entre Braskem, Quattor e, talvez, Petrobras, entre outras cirandas entre setor público e privado. O assinante pode ler a íntegra da coluna aqui. Trechos: "Das cem maiores empresas do Brasil, dois terços são de capital nacional ou misto (segundo o ranking por receita líquida, elaborado pela publicação “Valor 1000”, edição 2009). Dessas, metade são estatais ou contam com o governo como acionista relevante (via BNDES). Ou, pelo menos, abrem as portas para a intervenção governamental devido à participação acionária de fundos de pensão de empregados de estatais (do Banco do Brasil ou da Caixa, em geral). Notícias do final de semana suscitaram muxoxos e comentários direta ou indiretamente críticos a respeito do peso estatal, não apenas no capital das empresas. Dadas as rápidas pinceladas estatísticas acima, faz sentido a queixa? De fato, começa a haver um mercado de capitais doméstico. O papel da empresa privada jamais foi tão grande no Brasil pós-Vargas. Mas, no país do agronegócio, onde estão as grandes empresas de biotecnologia? No país dos minérios, onde estão as grandes empresas de engenharia de materiais? No país do pré-sal, onde estão as empresas inovadoras na química? Talvez a esperar um subsídio (direto, indireto, “informal” ou “estratégico”) do Estado."
Escrito por Vinicius Torres Freire às 20h55
Breve história da banca nos anos Lula
Desde o início do governo Lula, os bancos comerciais privados só começaram a emprestar mais agressivamente nos anos de crescimento bom, em 2007 e 2008. No restante do tempo, bancos comerciais privados e estatais ficaram com fatias aproximadamente constantes do mercado. Desde outubro de 2008, cresce rapidamente a participação dos estatais, como se sabe. No período, a mudança mais relevante foi a retirada dos bancos estrangeiros, e a estagnação e queda da participação relativa do BNDES no bolo de crédito (embora, em termos absolutos, a oferta de crédito do bancão de desenvolvimento estatal tenha sempre crescido). Esse foi o tema da coluna de domingo na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. Trechos: "Logo no início de Lula, a fatia dos bancos públicos comerciais no estoque de crédito cresce bem. Da média de 18% do crédito, em 2002, a fatia dos estatais passa a 21% em meados do primeiro ano de Lula e flutua em torno disso até o estouro da crise, em setembro de 2009 (nessas contas, excluiu-se de propósito o BNDES, uma categoria à parte). Os bancos privados nacionais ficam com uma parcela de uns 50,5% do início de Lula até meados de 2007, quando o crescimento econômico se acelera. Em setembro de 2008, tal participação chega a 53%. Pós crise, em junho de 2009, os privados nacionais voltavam a 50%; os estatais comerciais iam a 26%. A mudança mais notável e persistente nesse período é a retirada relativa dos bancos privados estrangeiros (em certos casos, trata-se de retirada literal: saída do país). Da média de 33% do mercado em 2002, a participação dos estrangeiros cai para 24%, em junho de 2009 (ainda excluindo-se da conta o BNDES). Nota-se também a perda de participação relativa do BNDES no total de crédito, queda de 28% nos anos Lula. Ressalte-se a palavra "relativa": a oferta de crédito do BNDES sempre cresceu e, sozinho, o banco ainda responde por 17% do crédito."
Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h43
"Petrobras, mon amour..."
Temos de ‘amar e defender‘ a Petrobras, diz Lobão em prévia do que deve ser a baboseira nacionalista do pré-sal luliano. "A Petrobras deve receber o afeto que se encerra em nosso peito juvenil, tal qual um símbolo da amada terra do Brasil, a bandeira nacional, segundo Edison ‘Olavo Bilac’ Lobão, ministro de Minas e Energia ontem travestido de poeta parnasiano e autor redivivo de discursos de moral e cívica dos dias da ditadura a que serviu. O espírito do autor do ‘Hino à Bandeira’ baixou no ministro, que comparou a petroleira estatal ao ‘lindo pendão da esperança’. ‘A Petrobras é um símbolo nacional que se confunde com a bandeira do Brasil. Temos, portanto, o dever de não só amá-la mas de defendê-la dos acidentes e gestos de malquerença que muitas vezes se expressam‘, disse." Essa foi a coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. O governo fechou a discussão do pré sal. Não abriu consultas públicas. Quer aprovar os projetos de alteração da lei do petróleo em regime de urgência no Congresso. Barganha normas importantes com base em política menor. Pelo visto, não quer debate. De resto, prepara a operação de reforma de uma lei importantíssima de modo que tal mudança seja uma das pernas da campanha de Dilma Roussef. Campanha apelativa, pelo que se vê da discurseira de Lobão, lastreada em nacionalismo e populismo.
Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h02
Mercado em formação de quadrilha
Bancão suíço volta a admitir que formara quadrilha e dá o que pensar sobre o "mercado realmente existente", o "Merex". O acordo entre Suíça e Estados Unidos sobre as contas de clientes suspeitos do UBS foi o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. Trechos "O maior banco da Suíça, o UBS, tomou outro nocaute vexaminoso. Vai divulgar informações sobre acusados de fraudar o Imposto de Renda americano. Em fevereiro, o UBS admitira que oferecia e prestava serviços de fraude fiscal para clientes nos EUA e que fazia parte de uma quadrilha ("conspiracy"). Pagou multa de R$ 1,5 bilhão. Ainda assim, a Receita dos EUA (o IRS) processou o UBS a fim de obter dados de 52 mil clientes. ... O exemplo do UBS é mais um fio solto da meada de outra fraude, esta intelectual, política e ideológica: a que costuma pintar tais episódios e mesmo crises financeiras inteiras como "desvios" de uma ordem quase ideal, "fundamentalmente boa". ... Mas a finança é tanto empreendedorismo e inovação como uma mistura conspurcada de sigilo, opacidade, conivência oficial e legal com risco inaceitável, "captura" de autoridades, reguladores e políticos, quando não de corrupção mesmo, além de fraude sistemática (de balanços, de negociações, de mercados etc.)." :
Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h01
Boa notícia no mercado de trabalho
Crise do emprego resiste na indústria, mas passa de modo rápido e inesperado; maioria dos setores entra no azul. Esse foi o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. Trecho: "Houve um pânico quase generalizado pelos setores da economia entre dezembro e janeiro. A indústria teve um primeiro trimestre desastroso e um segundo "apenas" horrível. Ainda vai mal. O comércio foi mais contaminado pelas fábricas, mas nos demais setores a reação começou cedo, após o "grande medo" da virada do ano. Fábricas e certos grandes exportadores foram, como se sabe, tragados pelo colapso do comércio mundial. A "ampliação do mercado interno", para recorrer ao velho blablablá desenvolvimentista, sustentou a atividade."
Escrito por Vinicius Torres Freire às 18h12
Paisagem com Marina
Marina no PV, Lina na TV e Ciro de volta à ciranda não ajudam PSDB a resolver problemas eleitorais e programáticos. Foi o tema da coluna de domingo na Folha, que pode ser lida na íntegra aqui, pelo assinante. Trechos "Até julho, o ectoplasma de notícia eleitoral mais interessante era a possibilidade de José Serra não se candidatar a presidente... Em agosto, porém, o Senado ainda queima, Lina Vieira frita Dilma e Marina joga água na ministra. A emergente Marina Silva é, por ora, o risco mais importante para o projeto luliano. Mas quão importante? Marina não é bem um acaso. Pode ser o rosto da única militância política "autêntica" destes dias, a ambiental. Por isso foi expelida do organismo petista-lulista, tão cedo apodrecido por um pragmatismo rastaquera, quando não corrupto. Como se diz, seria em 2010 algo do que Heloísa Helena foi em 2006, uma Heloísa banhada numa catarata de chá verde com camomila. Relativamente desconhecida, porém, na campanha Marina corre o risco de parecer apenas uma candidata nanica, a falar num minuto de TV sobre temas exóticos para a maioria do povo." :
Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h05
Os vexames dos bancões privados
Banca critica desempenho dos estatais e leva tiro dos fatos, com o balanço do BB e com a carraspana que levaram de Guido Mantega; é outro vexame da rica safra de 2009. Foi o tema da coluna de sexta-feira na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. Trechos: "Faz parte do show petista espinafrar bancos. Mas a banca privada poderia ter dormido sem levar essa carraspana desmoralizante do ministro da Fazenda. Brandindo os números superiores do balanço do Banco do Brasil, Guido Mantega pôde sapatear alegremente sobre as críticas de banqueiros à concorrência estatal. A vexação mais recente não tinha nem uma semana. Os bancos privados haviam feito enorme lobby para gorar o leilão das contas do INSS... Bem, houve o tal leilão. E o Bradesco levou um monte de contas do INSS. Desde o estouro da crise, em outubro de 2008, os bancos estatais foram responsáveis por 83% do aumento do estoque de crédito para o setor privado no Brasil. Os bancos privados estrangeiros, aliás, chegaram a reduzir o total de empréstimos. Os bancos de resto foram flagrados pelos fiscais da concorrência aprontando com monopólios nos cartões de crédito. Foi um vexame dentro de casa, pois a banca afinal é amiga do capitalismo. Não é?"
Escrito por Vinicius Torres Freire às 01h36
Três meninas do Brasil: o caso Dilma
Nos corredores, figuras do governo falam com frieza ou sarcasmo das agruras de Dilma com Lina e Marina. Esse é o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. "Nas internas", altas personagens do governo Lula demonstram certo rancor da ministra Dilma Roussef, na berlinda devido ao negado encontro com Lina Vieira, ex-secretária da Receita Federal que diz ter recebido um pedido estranho de Roussef a respeito de investigações de negócios da família Sarney. Uns chegam comparar a negativa de Dilma sobre o encontro com Lina ao caso de Palocci. Como se recorda, então ministro da Fazenda, Antonio Palocci negava frequentar a casa do lobby da República de Ribeirão Preto e agregados. O caseiro Francenildo Costa, na bandeirinha, diz que viu o ministro fazer o pênalti. O sigilo do caseiro vazou de algum escaninho do governo; Palocci foi acusado pelo conjunto da obra e caiu. Trecho: "Não bastasse a Marina, agora tem a Lina, ‘filhas do destempero da Dilma’, diz uma personagem da Esplanada (referência a provável defecção e à candidatura presidencial da senadora Marina Silva, ora PT, amanhã talvez PV. Diz que Marina e Dilma não se bicam). Outra figura oficial pergunta se os jornalistas têm como obter ‘fitas‘ (que teriam gravado a visita de Lina a Dilma): ‘Aí, ela fica frita no petróleo’ (caso aparecessem tais imagens)."
Escrito por Vinicius Torres Freire às 16h36
Lucros e empregos nas montadoras
As montadoras continuaram a demitir depois do ‘acordo de cavalheiros‘ firmado na prorrogação do corte do IPI, em março. Demitiram menos, mas demitiram. Remeteram menos lucros para as matrizes no primeiro semestre deste ano. Mas remeteram. As montadoras e o benefício fiscal foram o tema da coluna de hoje na Folha, que o assinante pode ler na íntegra aqui. As montadoras fizeram o grosso das demissões entre novembro e março. Depois, com a recuperação das vendas, é provável que não fosse preciso demitir mais ninguém. Foi então, em março, que se renovou o "acordo de cavalheiros" entre governo e Anfavea, por meio do qual, como se alardeou, haveria prorrogação do IPI em troca de fim da onda de demissões. Trechos "Segundo o Caged, o grupo de atividade econômica ‘fabricação de automóveis, camionetas e utilitários‘ cortou mais 499 empregos (saldo de contratações e demissões), de abril a junho. De janeiro a março, o saldo foi negativo em 5.179 trabalhadores; no semestre, foram-se 5.678 empregos. Nas fábricas de ônibus e caminhões, 1.369 empregos. "A indústria de autopeças cortou 22.183 empregos de janeiro a junho, 7,7% do estoque de empregos do início de janeiro. As de cabines e carrocerias, 7,1%. No caso de montadoras de automóveis, a redução do estoque de empregos no período foi de 6,9%; nas fábricas de ônibus e caminhões, 6,2%. Ou seja, as demissões de cada subsetor ficaram mais ou menos na mesma faixa. Mas quem ficou com lucros maiores (para nem mencionar quem faliu, ou quase)? Mistério. Não temos os relatórios econômico-financeiros das empresas. O governo, por acaso, teria?" :
Escrito por Vinicius Torres Freire às 17h33
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PERFIL
Vinicius Torres Freire é colunista da Folha, onde está desde 1991. Foi Secretário de Redação do jornal, editor de Dinheiro, editor de Opinião, correspondente em Paris, editor de Ciência e editor de Educação
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